Um dos objetivos do psicólogo que atua na área da saúde é tentar minimizar o sofrimento do paciente e de sua família. No entanto, se trata de um trabalho focal que depende da demanda de cada hospital. O psicólogo no ambiente hospitalar é como elo entre paciente/equipe/família.

A Psicologia Hospitalar teve seu início na Clínica Ortopédica e traumatológica da USP com a Psicóloga Matilde Neder em 1954, quando foi convidada a prestar assistência psicológica na preparação e no pós-cirúrgico a pacientes submetidos à cirurgia de coluna. Em 1957 Neder se transfere para o Instituto Nacional de Reabilitação da USP. Em 1959, é realizado o 1º Seminário do Instituto de Reabilitação da Faculdade de Medicina da USP: Relação Psicólogo x Equipe de Saúde. Neder (1969) afirma que, se não houver entrosamento entre os profissionais da saúde, haverá o risco da perda de continuidade nos progressos já obtidos pelo paciente. “O trabalho de Matilde Neder teve grande repercussão não só na história da Psicologia Hospitalar, mas na Psicologia no Brasil” (Chiattoni e Nicoletti, 1996)

Aplicando a Análise do Comportamento ao Contexto Hospitalar

Escutar: Talvez essa seja a nossa mais eficiente intervenção. Ter uma escuta empática com o paciente é fundamental. Para muitos pacientes o momento em que se deparam com uma situação de doença acarreta numa mudança de vida, de rotina e de relações familiares, por muitas vezes eles acabam perdendo sua rede social de apoio, restando-lhes apenas a equipe hospitalar, principalmente em casos de longos internamentos

Na maioria das vezes, os atendimentos são realizados junto ao leito do paciente e em enfermarias onde se encontram diversas pessoas, podendo haver interrupção contínua dos outros profissionais da saúde para realização de procedimentos importantes.

Portanto, mesmo nesse ambiente não tão propício à escuta, ouvir no contexto da saúde é o que pode reforçar o comportamento de enfrentamento do paciente. Para alguns pacientes que já passaram por esse tipo de situação em outros momentos, parece que esse enfrentamento é mais fácil e eles muitas vezes conseguem se posicionar diante da equipe. Para aqueles que estão ainda envolvidos tentando descobrir o que está acontecendo (seu diagnóstico), isso pode ser mais duro e eles podem se sentir perdidos, confusos e sem saber qual perspectiva podem ter.

Para cada situação no ambiente hospitalar é preciso avaliar e identificar os excessos, déficits e reservas comportamentais do paciente e de sua família. Mantendo sempre o contato direto com a equipe interdisciplinar para discussão de casos e orientações.

Sistematização do Trabalho

Análise Funcional/ Análise de Contingências

Para realizar uma análise Funcional no Ambiente Hospitalar é necessário definir um problema para o qual busca-se a solução (no caso do hospital, uma demanda clínica), identificar antecedentes que colaboram com a manutenção do quadro Clínico, identificar as consequências da doença na vida do paciente e possíveis ganhos secundários. Após essa análise, é necessário desenvolver e descrever as formas que serão utilizadas para solucionar o problema.

Um outro aspecto importante para o Analista do Comportamento no ambiente hospitalar é a observação direta e registro de comportamentos e de sua relação com o ambiente. Para isso, o trabalho do psicólogo inclui entrevistas com o paciente, sua família e a equipe profissional, para obtenção de informações como história e hábitos de vida e mudanças ocorridas após o adoecimento.

Na maioria das instituições hospitalares, principalmente nas do SUS, há um prontuário único para evolução. Nesses casos só deverá ser anotado o que for relevante para o tratamento do paciente.

O analista do comportamento no hospital desenvolve um diagnóstico comportamental, o que permite o delineamento metodológico da intervenção, podendo definir quais mudanças foram resultado da ação terapêutica (Amaral, 1999).

Nesta fase, devemos identificar quais os pensamentos reais e fantasiosos do paciente sobre a doença, o internamento ou cirurgia. Diante do exposto é necessário que o paciente aprenda a olhar para a situação com um foco diferente. Para isso, é importante falar sobre a doença ou procedimento de forma realista, deixando claro os benefícios e possíveis riscos, bem como, se possível, levar o paciente a conhecer o ambiente hospitalar onde ficará internado, para que aquele ambiente se torne o menos ansiogênico possível.

Referências

Arruda, P.M. Zannon, C.M.L.C. (2002). Tecnologia Comportamental em Saúde.1ª Edição. Esetec.

Baptista, M.N. Dias, R.R. (2014). Psicologia Hospitalar. Teoria, Aplicações e Casos Clínicos. 2ª Edição. Guanabara Koogan.

Chiattoni, H.B.C. Nicoletti, E.A. Angerami-Camon, V.A. (org.). (1996). O Doente a Psicologia e o Hospital. 3ª Edição. Cengage Learning.

Gorayeb, Ricardo e Guerrelhas, Fabiana. (2003). Sistematização da prática psicológica em ambientes médicos. Rev. bras. ter. comport. cogn. [online], 5(1), 11-19. ISSN 1517-5545.

Medeiros, C. A. (2002). Comportamento verbal na terapia analítico comportamental. Revista brasileira de terapia comportamental e cognitiva, Vol. IV Londrina.PR.Disponível.em:<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-55452002000200004>

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