PSICOTERAPIA ANALÍTICO FUNCIONAL (FAP) E TERAPIA EM GRUPO

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O terapeuta de Grupo, que irá utilizar a psicoterapia Analítico Funcional (FAP) como sua base teórica, precisará conduzir o Grupo de tal forma que os Comportamentos Clinicamente Relevantes sejam evocados (CCRs1), com o objetivo de produzir mudanças em sessão (CCRs2) e, por fim sua generalização (CCRs3).

Para isso é preciso estabelecer as estratégias para consequenciar os CCRs1 e produzir CCRs2. Por se tratar de um atendimento que não está restrito a relação terapeuta x cliente, as interações com os outros membros do grupo contribuem para evocar comportamentos problemas (CCR1s), como para modelar comportamentos de melhora (CCRs2).

É preciso que ao longo das sessões em grupo os clientes sejam ensinados a fazer análises do próprio comportamento e do comportamento dos outros, de forma a emitirem os CCRs3.

Para isso podemos utilizar as Cinco Regras da FAP (Kohlenberg & Tsai 2006) na Terapia em Grupo. São elas:

  1. Observar os CCRs (Hipóteses do que é reforçador para o Grupo);
  2. Evocar os CCRs (Descrição dos Reforçadores. “Gosto quando você diz como se sente ao grupo”);
  3. Responder aos CCRs (De forma contingente);
  4. Observar os efeitos potencialmente reforçadores do comportamento do terapeuta e também dos outros membros do Grupo;
  5. Fornecer interpretações e implementar estratégias de generalização. (Nela o terapeuta irá relatar suas hipóteses sobre a função da interação com o grupo. Ex: Sinto que você relata apenas o que faz no seu dia-a-dia e não o que sente, e que isso pode dificultar sua relação com as pessoas). A inserção de estratégias de generalização deve ser utilizada com muita atenção e cuidado, uma vez que os comportamentos apresentados pelo cliente podem ser semelhantes em sua forma, mas não na sua função, é importante que sejam semelhantes também em sua função. Tarefas de casa devem ser propostas no grupo levando em conta sua função, assim como na psicoterapia individual.

Um ponto importante, é que o terapeuta também passa a fazer parte do grupo, porém com um papel diferente, mais exposto, já que passa a estar na mira não só de um, mas de vários clientes.

Para se tornar um terapeuta de grupo é preciso ficar atento aos dois aspectos que influenciam e determinam o seu desempenho: o conhecimento teórico e seu repertório de vida adquirido ao longo dos anos (Deryk & Sztamfater, 2008). Facilitando e promovendo a participação e interação de todos os membros do grupo.

Referências

Kohlenberg, R. J. & Tsai, M. (2006). Psicoterapia Analítica Funcional: Criando Relações Terapêuticas Intensas e Curativas. Santo André, SP: ESETEc.

Derdyk, P. R. & Sztamfater, S. (2008). Tornando-se um terapeuta de grupos. Em Terapia Analítico Comportamental de Grupos. Santo André, SP: ESETec.

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