COMO VOCÊ ENCARA O ENVELHECIMENTO?

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O que é ser velho? O que nos torna velhos: o passar do tempo, as mudanças nas formas de agir e pensar? Com que idade você considera que alguém está velho? Você fica desconfortável ao usar a palavra velho para se referir ao processo de envelhecimento? Você convive de perto com pessoas velhas?    

Extraído de Google Imagens

Fiz muitas perguntas de propósito: o tema do envelhecimento populacional tem sido apresentado por meio de dados demográficos, sociais e culturais. Temos um número crescente de idosos na população nacional e mundial. Estes são dados, fatos. Como lidamos com os fatos que se fazem presentes no nosso contexto de vida é o que interessa aos psicólogos.

                Os analistas do comportamento, mais especificamente, utilizam de sua ferramenta fundamental de trabalho – a análise funcional – para estudar como os indivíduos interagem com os ambientes em que estão inseridos. Portanto, se você for idoso, o envelhecimento é uma experiência pessoal. Se você for criança, adolescente, adulto jovem, certamente já teve convívio (ou terá) com pessoas envelhecendo. Esta variável do nosso curso de vida não pode ser desconsiderada ao analisarmos as contingências nas quais vivemos.

                A forma como lidamos com o envelhecimento pode ser estudada sob o referencial da Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR). Os comportamentos das pessoas diante dos idosos podem ser controlados por diversas condições antecedentes. Vamos tratar aqui das regras e autorregras que governam os nossos comportamentos.         
               
                As regras e autorregras podem ser entendidas como o conjunto de valores que norteiam os comportamentos dos indivíduos: como cada um descreve o funcionamento do mundo à sua volta, como entende que deve agir em relação às mais diversas experiências e eventos. De forma sucinta, como o indivíduo descreve as Contingências de Reforçamento nas quais está inserido: as relações entre os antecedentes, respostas e consequências.

                Vamos entender então como as regras de cada pessoa podem influenciar a maneira como ela se comporta diante do envelhecimento, por meio de exemplos. Uma criança que cresceu vendo os seus pais serem atenciosos e cuidadosos com os avós, ouvindo ensinamentos de que os mais velhos devem ser respeitados, certamente desenvolverá regras que estabelecem que, diante de alguém idoso, devemos nos comportar de forma gentil, respeitosa, paciente, compreensiva, por exemplo. Outra criança, por sua vez, que cresceu em um contexto familiar que não prezava pelo convívio com os mais velhos, que não foi exposta a modelos de comportamentos de valorizar os repertórios dos mais velhos, mais provavelmente irá desenvolver regras que estabelecem que, diante de uma pessoa idosa, nenhum comportamento específico deve ser emitido. Estar diante de um jovem, de um adulto de meia idade ou de um idoso não são condições antecedentes distintas para esta pessoa: ela não irá se comportar diferencialmente a depender da faixa etária da pessoa com quem interage.

                Conhecer as nossas regras (ou crenças, valores e opiniões, em outros termos menos conceituais e mais habituais em nosso vocabulário) é uma ferramenta muito importante para compreendermos como elas influenciam a maneira como nos comportamos. Ao tentar responder às perguntas apresentadas no início do texto, você poderá identificar o seu conjunto de regras a respeito do envelhecimento. Também poderá conhecer melhor como as pessoas de seu convívio pensam e se comportam a este respeito.

                 Quando agimos de acordo com as nossas regras, poderemos emitir comportamentos que são aceitos pelo nosso grupo social, ou que nos permitem produzir consequências que fortalecem nossa maneira de nos comportarmos (seja por produzir benefícios individuais ou coletivos). Neste caso, podemos dizer que o nosso conjunto de regras nos leva a emitir comportamentos desejados socialmente, apropriados para o contexto.

                Quanto o oposto ocorre, nossos comportamentos (ditados pelas regras) podem não ser aceitos pelo grupo social, podem produzir prejuízos a nós mesmos ou a terceiros. Diríamos, nestas condições, que tais comportamentos são indesejados, inoportunos, e que tais regras não são compatíveis com o contexto em que o indivíduo está inserido.

                Esta reflexão sobre a pertinência e adequação dos nossos conjuntos de regras faz-se muito necessária para nosso convívio em ambientes sociais, e é um componente indispensável para o desenvolvimento de autoconhecimento e de desenvolvimento pessoal.

                Faço aqui um convite especial para que você dedique alguns momentos para detectar quais são suas principais regras sobre o envelhecimento. Depois disso, questione-se se estas regras contribuem para que você se comporte de maneira ajustada à sua realidade. O desenvolvimento de comportamentos é sempre um caminho a percorrer: ao nos expormos às experiências, produzimos consequências, repensamos ou reiteramos nossa forma de pensar e viver. Estamos em construção… e envelhecendo!  

Extraído de Google Imagens

Fica aqui outro convite para vocês: conheçam a proposta do curso de férias “EnvelheSER”, para estudar o envelhecimento a partir da Terapia por Contingências de Reforçamento (TCR).  Mais informações em www.itcrcampinas.com/ferias

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Graduada em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, Especialista em Psicologia Clínica Comportamental pelo Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento - ITCR-Campinas, Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar. Atua como psicóloga clínica na cidade de Campinas - SP, e como supervisora dos cursos de qualificação avançada do ITCR - Campinas. Possui acreditação como Analista do Comportamento pela ABPMC.

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