O poder das contingências e sua importância para o terapeuta

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Ao longo dos anos, muitas são as definições que a Psicologia ganhou acerca de suas modalidades de intervenção. Ao nos basearmos nos princípios comportamentais do Behaviorismo Radical de Skinner e da Análise do Comportamento, entendemos a Psicologia como uma ciência enfocada na interação organismo-ambiente, seja ele através de um meio externo (físico e social), seja um meio interno (biológico e histórico). Neste sentido, o processo terapêutico baseia-se primariamente no fortalecimento do autoconhecimento para o paciente, uma vez que, como nos lembra Skinner “O autoconhecimento tem um valor especial para o próprio indivíduo. Uma pessoa que se ‘tornou consciente de si mesma’, por meio de perguntas que lhe foram feitas, está em melhor posição de prever e controlar seu próprio comportamento” (Skinner, 1974, p.31). Tal objetivo está alicerçado no princípio de que o autoconhecimento é a capacidade do indivíduo de discriminar e descrever seus comportamentos privados, bem como aqueles emitidos de forma pública (da Silva, 2007).

A construção do processo terapêutico se dá por meio de descrições verbais do paciente, que muitas vezes enfoca seu relato em pensamentos e/ou emoções de si próprio ou de pessoas em seu meio. Porém, as contingências pregressas e atuais são que efetivamente determinarão o seu comportamento e nesse sentido o terapeuta precisa levar o seu olhar e de seu paciente para elas, para colaborar no autoconhecimento de sua função. Como resume Hélio Guilhard, “Não acredite no comportamento verbal. Acredite nas contingências que determinam o comportamento verbal”. Esse enfoque é fundamental para a consolidação junto ao paciente da ideia de que autoconhecimento não é produto de variáveis aleatórias ou emocionais e sim um produto de construção social, no sentido de interação com o próximo. Por isso, comunidades sociais diferentes produzem maneiras diferenciadas do indivíduo explicar a si e seus comportamentos e os dos demais.

Como por muitas vezes as pessoas não são ensinadas a atentar e descrever os fatores e contextos que antecedem e consequenciam suas ações, têm dificuldade de discriminar as contingências de seus próprios comportamentos. Dessa maneira, ao serem questionadas do porquê de tal atitude, encontram razões aleatórias (e muitas vezes baseadas em conteúdos emocionais) para tais explicações. Na construção do repertório de aprendizado descritivo com o paciente um primeiro esclarecimento fundamental é a ideia de que nenhum comportamento pode ser entendido fora de seu contexto, pois não ocorre no vácuo. Ele sempre estará relacionado aos eventos que o antecederam e às consequências que produziu, sendo assim os conceitos de comportamento-ambiente e resposta-estímulo são interdependentes e não podem ser descritos um sem o outro. É importante lembrar que os efeitos das contingências se dão ainda que o indivíduo não esteja consciente dos mesmos, por isso, o autoconhecimento se torna um dos pilares iniciais e fundamentais do processo terapêutico. Afinal, quanto mais ciente o paciente estiver acerca de suas ações, antecedentes e consequentes, em melhores condições estará de alterá-los em prol de seu bem estar e qualidade de vida, independentemente de qual a sua queixa.

Referências Bibliográficas

Brandenburg, O. J., Weber, L.N.D. (2005). Autoconhecimento e liberdade no behaviorismo radical. Psico-USF, v. 10(1), pp. 87-92

Da Silva, J.S. (2007). Autoconhecimento como técnica psicoterapêutica para a mudança comportamental. Monografia do Centro Universitário de Brasília, UniCEUB

Guilhard, H. Algumas diretrizes para melhor ação terapêutica. Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento Campinas – SP

Skinner, B. F. (1974/2006). Sobre o Behaviorismo. São Paulo: Cultrix.

Todorov, J.C. (2007). A Psicologia como o Estudo de Interações. Psicologia: Teoria e Pesquisa, vol. 23 (n. especial), pp. 57-61

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