ABA, Denver, Floortime: qual a melhor terapia para o meu filho com TEA?

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É inegável que o número de indivíduos (especialmente crianças) com diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo vem aumentando nos últimos anos. As razões desse aumento se explicam, em parte, pelo refinamento do diagnóstico e melhor preparo de médicos para realizar esse diagnóstico de forma precoce, o que é essencial para um melhor prognóstico do paciente.

Nesse sentido, tão importante quanto fechar ou levantar uma hipótese diagnóstica é, ao mesmo tempo, indicar tratamentos que sejam cientificamente comprovados como eficazes para indivíduos com TEA. Entretanto, ainda há bastante confusão no momento em que alguns médicos ou outros profissionais realizam a indicação dos tratamentos. Esse texto tem o objetivo de definir alguns dos tratamentos mais comuns e que tem trazido dúvidas para os pais sobre qual caminho seguir.

  1. Qual o critério que o médico deve usar para prescrever o tratamento adequado para TEA?

O critério que deve ser utilizado pelo médico para prescrever um tratamento terapêutico não é diferente do critério usado para prescrever uma medicação: a comprovação científica de eficácia. Para elencar as práticas terapêuticas com evidência científica nos EUA existe o manual denominado Evidence-based practice ou Práticas baseadas em evidência (EBP), uma ferramenta que tem o objetivo de guiar de forma mais precisa a decisão de profissionais da saúde na indicação de tratamentos que possam, de forma mais eficaz, promover a saúde do paciente ao integrar as melhores evidências científicas disponíveis.

  1. O que o manual fala sobre ABA?

A ABA (Análise do Comportamento Aplicada) é a intervenção que possui, de longe, o maior número de pesquisas que apontam sua eficácia. O manual identificou um total de 27 práticas baseadas em evidências científicas que atingiram todos os critérios propostos pela revisão, tais como: DTT (Discrete Trial Trainning ou Treino de Tentativa Discreta); Análise Funcional; FCT (Function Communication Trainning ou Treino de Comunicação Funcional); NET (Natural Environment Trainning ou Treino em Ambiente Natural); Análise de Tarefas, entre outros.  Do total de 27 práticas identificadas 23 são baseadas nos princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e, portanto, compõe a intervenção em ABA para crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).

  1. ABA seria uma intervenção mais “engessada”?

Não! Muitas pessoas associam a ABA aos treinos formais como é o caso do Treino por Tentativa Discreta (DTT), comumente realizado na mesinha. Entretanto, reduzir a ABA aos treinos mais estruturados significa conhecer apenas uma parte da intervenção. É verdade que alguns profissionais da área acabam realizando apenas os treinos formais, mas isso não significa que ABA se restrinja a isso. Quando um pai procura uma equipe ou um profissional de ABA deve se certificar de que existe a possibilidade de realização de treinos formais e naturalísticos, pois ambas as ferramentas são importantes para ensinar crianças com TEA.

  1. Quais as diferenças entre ABA e Modelo Denver?

A popularização do chamado “Modelo Denver” no Brasil nos últimos anos se deve, na minha opinião, a alguns fatores. Em primeiro lugar, é importante destacar que o Modelo Denver não é algo novo, tendo sido criado nos EUA em 1981. O modelo é baseado nos princípios da ABA e do Treino Pivotal (que é uma intervenção em ABA), ou seja, em grande parte, utiliza a tecnologia amplamente produzida pela Análise do Comportamento Aplicada. Entretanto, Denver se baseia também em teorias desenvolvimentalistas que não possuem, isoladamente, qualquer comprovação científica de eficácia.

  1. Porque, então, hoje se fala tanto em Modelo Denver como uma alternativa para ABA?

Hoje se fala tanto no Modelo Denver como uma alternativa para ABA por duas razões: primeiro porque as pessoas não entendem que ABA é uma ciência completa e capaz de englobar diferentes tipos de ensino, como explicado na pergunta 3 e, ainda, porque existem profissionais que atuam com ABA de forma bastante “desatualizada”, não contemplando tecnologias de ensino naturalístico. Importante ressaltar que essa conclusão não retira o mérito do Modelo Denver em propor práticas interessantes como o registro sistematizado de metas, treino parental e escolar. Entretanto, é importante refletirmos que o profissional que faz o treinamento nesse modelo sem ter uma sólida base em ABA se equipara a um cirurgião plástico que realiza uma operação sem ter feito medicina.

  1. O que dizer do Floortime ou Son-Rise?

Diferente da ABA que possui vasta comprovação científica e do Modelo Denver que também possui comprovação científica, até porque é baseado grande parte na ABA, o Floortime e o Son-Rise são práticas que não possuem qualquer comprovação científica para o tratamento de indivíduos com TEA.

ABA: o tratamento baseado em evidência científica

https://www.comportese.com/2018/02/tratamento-baseado-na-aba-analise-do-comportamento-aplicada-x-tratamentos-aba-like

Identification of studies of the target procedure : EBSCO Host 3/22/17
Limiters (whole intervention name in the article title- Must be an actual study of the target procedure * ), 1990-2117 full text, Scholarly journal
Then only peer reviewed journals

 

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Taka
Taka
9 meses atrás

Já é consenso entre a comunidade autista internacional que ABA é um tipo de terapia abusiva…

E outra coisa, não é “indivíduo portador de TEA” mas sim “pessoa autista”. O autismo não é uma coisa que se carrega como se fosse uma mala, tão pouco necessita de cura.

Um artigo legal pra se ler e educar um pouco…
https://autisticuk.org/does-aba-harm-autistic-people/

A Análise do Comportamento precisa revisar modelos de terapia ouvindo os autistas, o que infelizmente é uma realidade difícil, principalmente aqui no Brasil onde o autismo ainda é muito patologizado

Pedro Paulo Lima de Andrade
Pedro Paulo Lima de Andrade
9 meses atrás

Poderia fornecer indicações de livros sobre o Modelo Denver?

Raquel
Raquel
7 meses atrás

Texto claro e objetivo.