O que esperar do Ano Novo

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Ter uma vida com sentimentos de plenitude e bem estar é uma condição a ser alcançada. Tranquilidade e satisfação nem sempre vêm de graça, ou seja, é preciso desenvolver habilidades que levem as pessoas a acessar e experienciar tais sentimentos. Seja para diminuir um sofrimento, ou para promover bem estar, é preciso aprender a se relacionar com o mundo de modo a produzir reforçadores.

 

A chegada do Ano Novo é inspiradora e um momento propício para pensarmos nos próximos objetivos, metas e realizações, tudo voltado para se conquistar uma vida melhor. Um dos possíveis caminhos para alcançar sentimentos de bem estar envolve aspectos bastante simples da vida, como construir relacionamentos afetivos com qualidade. É simples quando consideramos que está ao alcance de todos, mas requer cuidado, tempo e dedicação. Tais relações demandam intimidade e talvez um dos componentes mais importante a ser mencionado seja a transparência.

Seja em relações familiares ou afetivas, o importante é que a pessoa se sinta capaz de expressar seus sentimentos e expor seus argumentos de forma clara e respeitosa. Para tanto deve-se considerar alguns pontos: preciso me considerar tão importante quanto o outro numa relação (“assim como o outro lado tem o direito de fazer suas colocações, eu também devo ter o mesmo direito”); o outro tem o direito de colocar seus argumentos, mas não deve ter o direito de me agredir, ou me ofender e vice versa; é preciso construir relacionamentos em que um seja capaz de validar os argumentos/sentimentos do outro e vice versa. E é preciso entender que nem sempre se sentir triste é produto de agressão ou humilhação advindos da outra parte, às vezes é inevitável, faz parte da vida e é preciso aprender a lidar com isso. É improvável uma vida sem momentos de tristeza e evitá-la a qualquer custo é ingenuidade.

Ter intimidade com alguém envolve certa vulnerabilidade, isto é, estar aberto à crítica, julgamento ou à punição. Por outro lado, quanto mais punição associada a uma relação, menor a probabilidade de se conquistar intimidade.

O exercício de ser transparente é importante também na relação terapêutica, apesar desta relação ter características específicas quando comparada a outros relacionamentos que o cliente esta

belece com o mundo (o terapeuta tem bastante acesso à intimidade do cliente, o cliente quase não tem acesso no diz respeito à vida do terapeuta e questões relacionadas ao sigilo e à ética profissional devem sempre ser considerados). No que diz respeito à análise, sem transparência o processo psicoterapêutico não avança.

Do lado do cliente, obviamente, é importante que este seja transparente com seu terapeuta, embora isso não seja tão automático quanto possa parecer. O responsável por criar condições favoráveis para tal é o terapeuta (Guilhardi e Queiroz, 1997). Do lado do terapeuta, compartilhar observações, sentimentos e percepções que tenham a ver com a análise da situação é fundamental para o sucesso da psicoterapia. Cabe ao terapeuta, entretanto, saber o modo de fazer isso e o “como” tem a ver com a combinação de alguns aspectos principais: o momento certo, a organização de argumentos que embasem uma análise consistente, flexibilidade do terapeuta, que tem a ver com estar aberto a considerar que novos fatos trazidos pelo cliente podem mudar a análise inicial.

 

Conseguir se expressar de modo claro e transparente é uma habilidade a ser desenvolvida que está intimamente ligada à qualidade dos relacionamentos e consequentemente propicia sentimentos de tranquilidade, empatia, compreensão e bem estar.

Que no próximo ano, saibamos como construir cada vez mais relações transparentes e respeitosas e que aprendamos a lidar com as consequências destes comportamentos em nossas escolhas do dia a dia. Um Feliz 2018 aos leitores!

 

Referências Bibliográficas:

GUILHARDI, H. J.; QUEIROZ, P. B. P. S. A análise funcional no contexto terapêutico: O comportamento do terapeuta como foco de análise. Em M. DELITTI (Org.), Sobre comportamento e cognição: a prática da análise do comportamento e da terapia cognitiva-comportamental, v. II. Santo André: ARBytes, p. 45-97. 1997.

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