Regras e Autorregras na Análise do Comportamento

0

Skinner (1984) afirma que as regras são descrições de relações entre as ações de um sujeito e suas possíveis consequências podendo se apresentar de diversas formas, por exemplo, instruções, conselhos auxiliando assim o processo de aprendizagem.

Skinner (1984) ainda diz que uma pessoa pode exercer o papel de ouvinte e falante ao mesmo tempo, emitindo regras para si mesmo, isso são as autorregras, ou seja, a pessoa passa a emitir comportamentos controlados por regras estabelecidas por ela mesma.

Uma autorregra pode ser aprendida a partir de uma regra emitida por um falante de confiança (Skinner, 1984), ou seja, o ouvinte emite a autorregra quando está em contato com uma contingência parecida a que um falante de confiança emitiu a regra.  Podemos compreender então que assim como existem comportamentos governados por regras, também existem os comportamentos governados por autorregras.

A formulação de autorregras pode ser um problema quando as regras são inadequadas ou quando elas causam sofrimento ao indivíduo, elas não são “vilãs” no processo terapêutico, mas podem impedir que o cliente esteja sensível às contingências favoráveis. Por exemplo, o cliente tem a autorregra de quando alguém erra é intencionalmente, e por isso quando alguém do seu circulo social erra este cliente tem dificuldade de perdoar o erro, o que afeta na relação com os outros e na relação com ele mesmo, pois passa a ser extremamente crítico, não aceitando que ele mesmo pode errar.

De acordo com Martinez e Ribes-Iñesta (1996) o comportamento controlado por regras pode ser insensível às contingências quando há uma história de reforçamento social em seu surgimento. O uso de regras de forma i-indiscriminada pode ser negativo, impedindo as pessoas de entrarem em contato com os reforçadores naturais, ficando mais sensíveis a reforçadores arbitrários apresentando resistência a mudanças. Na presença de reforçadores naturais.
Mas quando o terapeuta usa de forma eficaz a elaboração de autorregras, essas podem ser benéficas para o tratamento. Para Medeiros (2010), uma intervenção mais indicada na clínica seria levar o cliente a elaborar autorregras, pois há maior probabilidade de que o cliente as siga. Segundo Skinner (1984) o indivíduo é capaz de formular autorregras e enfraquecer suas relações com as contingências.

A formulação de autorregras é, portanto, o indivíduo agindo sobre o seu ambiente, fazendo o papel de falante controlando seu próprio comportamento.

 

 

Referências

Martinez-Sanchez, H., & Ribes-Iñesta, E. (1996). Interactions of contingencies and instructional history in conditional discrimination. The Psychological Record, 46, 301-316.

Medeiros, C. A. (2010). Comportamento Governado por Regras na Clínica Comportamental:

Algumas Considerações Em de-Farias, A. K. C. R (Org.), Análise Comportamental Clínica

(pp. 95-111). Porto Alegre. Artmed

 

Skinner, B. F. (1984). Uma análise operante da resolução de problemas. In: Moreno, R. Contingências de reforço. São Paulo: Abril Cultural.

 

COMENTE VIA FACEBOOK

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.