Clínica Vincular divulga nota sobre matéria do Zero Hora a respeito do TPB

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A equipe da Clínica Vincular Psicologia, parceira do Comporte-se: Psicologia e Análise do Comportamento, também se manifestou sobre a polêmica matéria do Jornal Zero Hora (acesse clicando aqui) a respeito do Transtorno da Personalidade Borderline. Neste domingo já havíamos divulgado a publicação da colunista Júlia Schaffer, que você pode conferir clicando neste link.

A Vincular Psicologia tem sede na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. É uma clínica especializada em Terapia Comportamental Dialética (DBT) e Terapia de Aceitação de Compromisso (ACT), e seus fundadores, considerados pioneiros no desenvolvimento da DBT no Brasil, também são colunistas do site. Você pode conhecer as publicações de Vinícius Dornelles, Igor Finger, Patrícia Guedes e Cristina Sayago acessando a coluna de DBT neste link.

O posicionamento da equipe da clínica destacou a presença de julgamentos no texto e o efeito estigmatizante deles, a necessidade de buscar fontes capazes de apresentar informações baseadas em evidências na elaboração de matérias sobre saúde mental e o papel da Terapia Comportamental Dialética na promoção de qualidade de vida desta população.

Confira o texto na íntegra:

Abaixo reproduzimos o e-mail que a Vincular enviou nesse final de semana ao jornal @zerohora, a partir da publicação da reportagem referente ao Transtorno da Personalidade Borderline, ocorrida no caderno Vida da edição de 06 e 07/05/17:

Ao Jornal Zero Hora, mais especificamente às editoras Marta, Cândida e ao jornalista Itamar:

Em primeiro, queremos nos apresentar. Somos a Vincular. Uma clínica sediada em Porto Alegre com o foco no atendimento às pessoas que sofrem intensamente. Os(as) clientes que nos procuram são pessoas que realizam comportamentos suicidas ou condutas auto-lesivas sem intensionalidade suicida, têm crises emocionais, comportamentos impulsivos e desregulação emocional. Comumente atendemos clientes com o diagnóstico de Transtorno da Personalidade Borderline (TPB) e é referente a esse transtorno que enviamos esse e-mail.

Veiculou-se na Zero Hora desse final de semana (dias 06 e 07 de maio de 2017) uma reportagem de capa do caderno Vida intitulada “a doença das relações”, e se referia ao TPB. Queremos, em primeiro, destacar a iniciativa do jornal em abordar um transtorno que causa tanto sofrimento a muitas pessoas (e que gera um elevado custo pessoal, para o Estado e para os planos de saúde). Porém, o destaque se encerra aqui, pois, infelizmente, há alguns equívocos no texto que ao invés de auxiliar no tratamento e aceitabilidade desse transtorno, acaba por estigmatizá-lo mais ainda.

A começar pela primeira frase da reportagem, que apresenta o TPB como “sintomas que ficam no limite entre as neuroses e psicoses”. Da forma como foi escrita, leva o(a) leitor(a) a entender que a Psicologia, como ciência, entende o TPB como tal. Porém, essa é a visão de uma linha teórica (a Psicanálise) e está muito distante do que estudos neurocientíficos, cognitivos e comportamentais estão apresentando atualmente.

O TPB trata-se de um transtorno de desregulação emocional. Em poucas palavras, pessoas que têm desregulação emocional nascem com vulnerabilidades emocionais (base biológica) e realizam comportamentos que lhes prejudicam a longo prazo, mas que ajudam a lidar com essas vulnerabilidades emocionais a curto prazo. Pessoas com vulnerabilidades emocionais têm o disparo mais rápido, a intensidade mais elevada e a duração mais duradoura das emoções do que pessoas sem vulnerabilidade emocional. Essa vivência emocional pode ser extremamente desagradável, o que faz a pessoa procurar uma forma muito rápida de lidar com/resolver a emoção, mas que pode prejudicar seus objetivos a longo prazo.

Logo mais adiante no texto utiliza-se julgamentos apontados a seguir: “uma investigação mais apurada pode revelar que essa não é apenas (grifo nosso) uma pessoa desagradável, exagerada e agressiva”… Todos termos julgadores e pouco descritivos que tem potencial de estigmatizar mais ainda pessoas que sofrem com TPB. O que é “desagradável”, por exemplo? Se auxiliamos nosso clientes que sofrem com TPB a serem mais descritivos e menos julgadores, precisamos que a sociedade também faça o seu papel. E a Zero Hora tem grande influência em nossa sociedade local, regional e nacional.

Justamente por considerar o tamanho e a responsabilidade que esse jornal carrega todos os dias ao publicar suas notícias e reportagens que fazemos a recomendação de, antes de procurar profissionais para abordar um tema que se refere à saúde mental, avaliem qual terapia e linha teórica tem mais evidências científicas para o tratamento do transtorno e verifiquem se esse profissional atua nessa terapia ou linha teórica. É possível conferir, com muita segurança, qual terapia é efetiva para qual transtorno no site da Divisão 12 da American Psychological Association. No link (http://www.div12.org/…/dis…/borderline-personality-disorder/) vocês poderão observar quais terapias têm fortes, moderadas e controversas evidências de efetividade.

Em se tratando do TPB, há, sim, uma terapia com fortes evidências de efetividade, ou seja, que há muitos indicativos de que funciona para o tratamento de TPB: a Terapia Comportamental Dialética (DBT). Infelizmente, a reportagem de vocês dedica um pequeno espaço a essa terapia, apenas citando-a e indicando-a como técnica, sendo que não o é, e como derivada da terapia cognitiva-comportamental, quando o mais correto seria da terapia comportamental (a diferença entre elas não cabe no escopo desse e-mail).

Pessoas que sofrem de TPB precisam saber que há tratamento efetivo para elas e que tem nome: Terapia Comportamental Dialética (DBT). Se nos permitissem sugerir, esse deveria ser o mote da reportagem. Ajudar pessoas que sofrem com esse transtorno a obterem ajuda e não a serem julgadas como “viciadas pelo outro” ou que é “improvável manter um relacionamento”, como acontece em determinado momento da matéria.

Caso fossem consideradas as informações da divisão 12 da APA, não faria sentido apresentar a associação de pessoas com TPB com comportamentos como droga ou sexo tendo relação de dependência como “vício ao outro” (puro julgamento pouco descritivo). Levando em consideração o que a DBT apresenta, pessoas com TPB podem ter essa associação com drogas ou sexo como estratégias de esquiva da experiência emocional intensa e desagradável.

Ninguém sabe do sofrimento de ter TPB que não a própria pessoa que sofre com isso. Boa parte da reportagem pode levar pessoas a ficarem desesperançadas e a não procurarem tratamento.

Cabe ressaltar que não se trata aqui de uma discussão de linhas teóricas, mas do que há evidências científicas de que funciona. E, infelizmente, o texto peca ao dar pouca ênfase nisso e muita ênfase em julgamentos.

Colocamo-nos à disposição para sanar maiores dúvidas a fim de, realmente, auxiliar pessoas que sofrem com TPB a terem vidas melhores, a partir das reportagens de vocês.

Atenciosamente,

Cristina Würdig Sayago
Igor Da Rosa Finger
Patricia Guedes
Vinícius Dornelles

– Psicólogos da Vincular – Serviços Psicológicos

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