Alberto Santos e Eduardo Cilo falam sobre a relação entre Games e Violência

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Uma declaração recente de Eduardo Cardoso, Ministro da Justiça brasileiro, tem gerado polêmica nas redes sociais. Fazendo referência aos games com cenas de violência, o político afirmou, entre outras coisas, que:

“Outro dia ouvi um especialista dizer que nunca viu um game em que o vencedor é quem salva vidas, pois o vencedor é sempre quem mata. Essa cultura da exaltação da violência se projeta e acaba banalizando a violência, disseminando uma realidade perversa em que seres humanos podem aniquilar, ferir os outros em atos que não socialmente reprovados

A fala ocorreu em um evento fechado que tratava sobre sobre Segurança Pública, mas em pouco tempo se tornou notícia nos principais sites jornalísticos do país – em especial, aqueles especializados em jogos. O Omelete Games, um destes sites, convidou os analistas do comportamento Eduardo Cillo e Alberto Santos para falarem sobre o assunto. Ambos trabalham na área.

Eduardo Cillo, que trabalha com a paiN Gaming, disse que pode sim existir correlação, mas há a necessidade de investigar melhor o assunto. “Que há uma relação, há. Como ela se dá, é algo que precisamos investigar melhor. Se estivermos falando de modelos de comportamento, é impossível negar que isso aconteça”. Mais adiante, lembra que quando “(…) você vê eventos como massacres em escolas, que são associados à vingança por conta de Bullying, é comum ver que os autores destes crimes jogam games de tiro em primeira pessoa”. Em um comentário posteriormente publicado em seu facebook, porém, o Psicólogo alerta:

[Da forma como foi colocado na matéria] Ficou parecendo que dei razão ao ministro… Mas só uma parte do que conversei com o jornalista foi para o texto da matéria. É óbvio que o game em sí não é responsável por comportamentos violentos. Sendo o comportamento humano multideterminado é preciso uma confluência de fatores para desencadear a violência.

Alberto Santos, que trabalha com a Keyd Stars e é nosso colunista no Comporte-se (veja sua coluna aqui), concorda com Cillo quanto à multideterminação do comportamento. Também fazendo referência aos tiroteios norte-americanos, explica que estes “(…) casos dependem de vários fatores. Lá, existe um acesso mais fácil a armas – e também a jogos violentos. Os criminosos viam nos jogos violentos uma escapatória para todos os problemas que eles tinham. Se você olhar em retrospecto a vida desses jovens, a vida deles tinha vários problemas. Não era só o jogo que influenciava, e sim outros fatores”. Santos cita também o exemplo dos jogos de faroeste, comuns na década de 1950, para ilustrar seu ponto de vista. “Na década de 1950, você tinha vários faroestes, por exemplo, que também tinham uma temática violenta. Não sei se a gente pode dizer que a geração que acompanhou esses filmes foi influenciada por essa violência”.

E você, o que acha? É correto afirmar que games violentos estimulam o comportamento violento nos jovens?

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