Como funciona nossa percepção de tempo?

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O tempo é relativo? (Foto: Flickr/Creative Commons)Não sei se você teve a mesma percepção, mas o último mês de janeiro, pra mim, durou uma eternidade. No entanto, fevereiro tem passado bem rápido – já estamos no dia 11! A percepção pessoal do tempo é uma das coisas mais curiosas do cérebro e compreender esse mecanismo nos mostra que o tempo, que é uma das únicas coisas certas sobre a vida, pode na verdade ser bem incerta (pelo menos, como visto pelo cérebro humano).

A psicóloga Claudia Hammond, autora do livro Time Warped: Unlocking the Mysteries of Time Perception (sem versão em português, mas à venda na Amazon em inglês por aqui), explica no livro um pouco sobre como nossa mente percebe o tempo e como a gente pode manipular isso a nosso favor.

Em Time Warped, ela explica que aquele clichê cinematográfico da batida de carro em slow-motion é, na verdade, um registro próximo a maneira como de fato percebemos o tempo diante de uma situação de medo extremo. Nesses momentos, o tempo mental, que é como o livro chama a maneira como o cérebro percebe a passagem do tempo, realmente desacelera. O cérebro se comporta assim diante de qualquer situação em que o indivíduo se sinta ameaçado.

Para Hammond, o sistema cerebral de registro da passagem do tempo é flexível e, embora não esteja exatamente claro, certamente leva em conta emoções, expectativas, o quanto suas tarefas exigiam de você naquele período e até a temperatura, além dos sentidos (um evento auditivo parece durar mais que um efeito visual). E ela explica que a maioria das pessoas se lembra muito mais vividamente daquilo que viveu entre os 15 e os 25 anos, e o motivo é simples: geralmente, é nessa época da vida em que temos mais experiências novas, em contraste com os anos seguintes. E coisas novas tendem a ter um tratamento especial do tempo mental, que parece perceber episódios assim como mais duradouros. Ou seja: se existe um período da sua vida que pareceu particularmente longo, chances são que você tenha tido muitas experiências novas durante aquela época.

No livro, Hammond também fala que a medida em que envelhecemos, os últimos 10 anos parecem ter se passado mais rápido do que as décadas anteriores, que parecem ter durado mais. Faça o teste com eventos que tenham acontecido nos últimos 10 anos e eles vão parecer muito mais recentes, enquanto coisas que aconteceram nas décadas anteriores parecem bem mais distantes na sua linha do tempo pessoal.

O truque pra fazer o tempo passar devagar (quando olhado em retrospecto, claro)? A riqueza das memórias. Hammond e outros cientistas que estudam o tema, como David Eagleman, concordam que fazer coisas novas cria registros novos no cérebro; portanto, memórias mais ricas e, por fim, quando olhamos aquele evento em retrospecto, o tempo parece ter passado mais devagar. E é por isso que aquela atividade rotineira e entediante, como dirigir até o trabalho, pode parecer durar pra sempre enquanto você está nela, mas quando você olha pra trás, nem parece que durou: é porque o seu cérebro não registrou nada de novo acontecendo.

E na verdade, não precisa exatamente fazer coisas novas, mas olhar diferente pras coisas que você já faz também funciona. Repare mais, busque detalhes que você não enxergou antes. Force seu cérebro a registrar algo que ele não havia registrado antes. O tempo percebido na hora vai parecer mais rápido, verdade, mas quando você olhar pra trás, vai perceber que as novas memórias geraram uma distorção da percepção do tempo, de acordo com cientistas. Meditação também ajuda, porque ela é baseada na atenção plena, um estado mental que também obriga o cérebro a observar e absorver sensações corriqueiras com mais atenção e concentração e, portanto, como novas sensações.


Fonte: Revista Galileu

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