O cheiro do medo

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Quando larvas do percevejo da espécie Gargaphia solani são atacadas por uma joaninha esfomeada ou por um voraz percevejo glândulas localizadas em seu abdômen uma substância sinalizadora: o geraniol, que tem cheiro de flor. O perfume funciona como um sinal a seus semelhantes próximos, para que fujam do caçador. Os veados-mula norte-americanos liberam uma secreção com forte cheiro de alho que deixa o resto do grupo em estado de alerta. Esses casos não são exceções. No reino animal, há vários exemplos de espécimes que utilizam fragrâncias do próprio corpo em situações de medo ou perigo para se comunicar, mas as mensagens normalmente só podem ser recebidas por animais da mesma espécie. Quando ratos, por exemplo, sentem o cheiro de uma câmara onde anteriormente outro rato foi deixado em estado de pânico com eletrochoques, sua temperatura corporal e ansiedade aumentam, embora a transpiração de um rato assustado não tenha nenhum efeito sobre outras espécies de roedor.
Pesquisadores supõem que os mamíferos percebem os sinais invisíveis com o auxílio de uma parte especial do corpo, o órgão vomeronasal. Ele capta, através de pequenas aberturas no septo nasal, substâncias mensageiras transmitidas pelo ar. Ratos nos quais os pesquisadores eliminaram esse órgão por meio de uma operação não reagem mais ao cheiro de seus semelhantes amedrontados.
Seres humanos também desenvolvem, ainda na fase embrionária, o órgão vomeronasal. No entanto, ele parece perder sua função ainda antes do nascimento, e suas células receptoras se extinguem. Mesmo assim, podemos trocar mensagens químicas. Provavelmente somos auxiliados por um segundo grupo de receptores na mucosa olfatória, que os fisiólogos Linda Buck e Stephen Liberles descobriram no Instituto Médico Howard Hughes, em Seattle.
Diferentemente dos receptores olfativos já conhecidos, com os quais percebemos todos os tipos de odor, os receptores recém-­descobertos parecem reagir principalmente a feromônios (veja quadro abaixo): substâncias mensageiras que servem à comunicação entre seres da mesma espécie. Então, será que nós também percebemos pelo nariz quando nossos iguais sentem forte medo? Estudos científicos recentes mostram que o “cheiro do medo” de fato existe.
Uma equipe de pesquisadores coordenada pela psicóloga social Bettina Pause, na época na Universidade de Kiel, coletou em 2004 amostras de suor de estudantes que esperavam, diante da porta de seu professor, para realizar um importante exame para conclusão do curso universitário. Em seguida, outros jovens foram expostos a esses odores repletos de medo durante um experimento no qual deviam avaliar expressões faciais em um computador. Resultado: quem sentiu o cheiro do medo se mostrou menos propenso a considerar rostos com olhares amigáveis ou neutros como bem-intencionados. Ou seja: estavam mais desconfiados. 
Fonte: Mente e Cérebro 
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