Epigenética da dependência química

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Nos últimos dez anos, os biólogos que estudam o desenvolvimento embrionário e do câncer encontraram um amplo espectro de mecanismos moleculares no qual o ambiente é apontado como responsável por mudanças no comportamento dos genes sem alterar a informação neles contida. Em vez de produzir genes mutantes, essas modificações epigenéticas marcam os genes de forma que podem alterar seu nível de atividade – em alguns casos definitivamente.

Descobrimos sinais de que mudanças epigenéticas pelo uso de drogas ou estresse crônico podem mudar a forma como o cérebro responde à experiência: forçando a pessoa a reagir com resiliência ou a sucumbir ao vício, depressão ou uma série de outros transtornos psiquiátricos.

Em termos simples, um gene é uma extensão do DNA que especifica a formação de uma proteína, que realiza a maioria dos processos celulares, controlando o comportamento das células. O DNA é enrolado em torno de proteínas chamadas histonas e depois é ainda mais condensado em estruturas chamadas cromossomos.

A combinação de proteína e DNA nos cromossomos é chamada cromatina. Esse empacotamento do DNA ajuda a regular o comportamento dos genes. Um empacotamento mais apertado tende a manter os genes num estado inativo. Mas, quando um gene é necessário, a seção de DNA onde ele se encontra desenrola-se um pouco.

O fato de um segmento de cromatina estar afrouxado (pronto para ser ativado) ou condensado (desligado permanente ou temporariamente) depende de marcas epigenéticas: etiquetas químicas presas às histonas residentes ou ao próprio DNA. Estudos com camundongos mostram que exposição continuada à cocaína altera o equilíbrio dessas marcas epigenéticas em genes do centro de recompensa do cérebro. Essas alterações tornam os animais mais sensíveis aos efeitos da droga e mais propensos à dependência.

O que muda exatamente?  


Uma única dose de cocaína é suficiente para alterar o panorama epigenético de genes no núcleo accumbens – parte do centro de recompensa. Na ausência da droga (a), predominam as marcas metil, mantendo a cromatina afetada fortemente enrolada e seus genes inativos. Na presença da cocaína os grupos acetil predominam e a cromatina afrouxa (b). Então vários genes que codificam proteínas envolvidas numa resposta prazerosa à droga são ativados.





Efeitos duradouros                                                                                                                                     
A exposição inicial à cocaína aumenta temporariamente a atividade de muitos genes, mas a atividade logo retorna ao normal. Exposição contínua, no entanto, produz efeitos mais complexos: diminui a sensibilidade de alguns genes à droga, enquanto aumenta ainda mais a atividade de outros. Alguns genes permanecem superativos por períodos anormalmente longos.

Fonte: Mente e Cérebro

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