Condição rara faz com que mulher perca a capacidade de ler, mas consiga escrever

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Professora teve um derrame que afetou a conexão entre a região de seu cérebro relacionada a linguagem e o córtex visual

Mesmo sem reconhecer as palavras, a paciente ainda apresenta reações emocionais em relação a elas
Em uma manhã de quinta-feira, dentro da sala de aula onde lecionava, uma professora de jardim de infância pegou sua lista de presença – a mesma que sempre usava – mas não conseguiu ler nenhuma palavra escrita nela. Os símbolos ali pareciam irreconhecíveis, assim como aqueles em seus planos de aula. A professora resolveu ir para casa e percebeu, nos dias seguintes, que não só não conseguia ler nenhuma palavra, como também não podia decifrar as horas. M.P., como é chamada a paciente no estudo que relata seu caso, ainda não sabia que tinha sofrido um derrame. Uma área específica do cérebro havia sido afetada, fazendo com que, aos 40 anos, ela manifestasse sintomas incomuns.
Quando a palavra “sobremesa” era apresentada a ela, a professora reagiu afirmando que era algo que ela gostava. Já a reação a “aspargo” foi diversa. Segundo os autores do estudo, publicado nesta terça-feira no periódico Neurology, ela disse: “algo está me aborrecendo em relação a esta palavra”. Ao ver uma carta que tinha chegado a sua casa, M.P. reconheceu que era de um amigo, apesar de não poder dizer quem seria.O derrame interrompeu a ligação entre a área do cérebro relacionada à linguagem e o córtex visual, e M.P. foi diagnosticada com alexia sem agrafia, que significa a perda da capacidade de ler, sem prejuízo da escrita. Como as outras formas de recepção da linguagem continuavam funcionando normalmente, M.P. ainda era capaz de escrever e entender a língua falada. Além disso, mesmo sem reconhecer as palavras, ela apresentava reações emocionais em relação a elas.
Nova vida – O derrame aconteceu em outubro de 2012. A professora, que também lia histórias para crianças, conseguiu um novo emprego, e desde então vem desenvolvendo sua própria maneira de driblar a dificuldade. Ao se deparar com uma palavra, M.P. volta sua atenção apenas para a primeira letra. Ela traça com o dedo todas as letras do alfabeto sobre aquela, até encontrar a certa. M.P. faz isso com cada letra para decifrar toda a palavra, mas muitas vezes descobre antes disso: em um teste com os médicos, ela deduziu, a partir das primeiras três letras, a palavra mother.
Fonte: Revista Veja 

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