Sobre a polêmica da ACBr: estaria nascendo uma nova associação de Análise do Comportamento?

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Há alguns dias está circulando a proposta de criação de uma nova associação para representar os Analistas do Comportamento: a Associação Brasileira de Análise do Comportamento (ACBr).  Ela veio a público através de um e-mail repassado pelos Profs. Drs. João Cláudio Todorov, Martha Hubner e Roosevelt Starling, através do seguinte texto:

Caros colegas, 
Até a presente data, não temos uma representação social própria.

Este estado das coisas não foi, todavia, empecilho para que experimentássemos um extraordinário crescimento nas últimas décadas. Extraordinário não porque nosso número seja grande hoje, mas porque partimos de um número muito pequeno, exatamente daqueles poucos brilhantes e dedicados estudantes que, na década de 70, buscaram fora do nosso país sua primeira formação na Análise do Comportamento e no Behaviorismo Radical e que trouxeram para o nosso país o saudoso Prof. Fred Keller, formando então o berço da nossa ciência no Brasil.

Sabemos que hoje nós, os interessados na Ciência do Comportamento, somos bem mais do que aqueles poucos pioneiros, mas o fato é que não sabemos ao certo quantos somos, não conhecemos ao certo nosso peso, não conhecemos ao certo nosso potencial e, assim, não conhecemos também a quais contingências deveríamos atentar, responder ou dispor para que possamos avançar na construção de um sólida representação analítico-comportamental no nosso país. Noutras palavras, ainda não conseguimos nos organizar e nos agregar para promovermos com especificidade o avanço da nossa ciência.
Nos últimos 22 anos temos nos abrigado na ABPMC, Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental, uma associação de vocação eclética, como indica a sua própria denominação e estatuto.

Vinte e dois anos é um tempo considerável. Neste período, assistimos colegas interessados noutros modelos, noutros quadros referenciais, desejarem formar suas próprias associações, na busca de condições mais específicas e mais propícias para o seu desenvolvimento. Tal foi o caso, por exemplo, dos colegas cognitivistas, que fundaram a SBTC. Boa parte de nós viu com aprovação este movimento, entendendo como justa a sua busca de uma identidade inequívoca e de uma representação própria, no momento em que tiveram o número suficiente de interessados para isso.

Alguns de nós acreditamos que este momento também tenha chegado para nós. Temos agora o número suficiente e mais do que isso: acreditamos que precisamos, com rapidez, aproximar ainda mais os colegas da clínica analítico-comportamental, da pesquisa básica e aplicada e demais aplicações analítico-comportamentais no bojo de uma associação integralmente voltada para o estudo, promoção e disseminação da nossa matriz cultural. Pensamos também que, nas diversas instâncias e situações de interesse específico e especializado da nossa ciência, não nos ajuda adiar a constituição de uma representação social e que possa falar por todos nós com a legitimidade que decorre da asserção pública e clara das nossas singularidades enquanto comunidade verbal científica naturalística.

Estamos, assim, lançando o convite para a fundação da Associação Brasileira de Análise do Comportamento, ACBr, e convidando o/a colega vir caminhar conosco.
Criamos um grupo no Yahoogroups (http://tech.groups.yahoo.com/group/acbr_aba) com a finalidade única de registrar sua pré-adesão. Evidentemente, a pré-adesão em nada obriga àquele/a que a fizer. Somente confirma o seu interesse preliminar e nos autoriza, oportunamente, enviarmos uma comunicação convidando você a se informar melhor e formalizar a sua adesão, caso ainda seja do seu interesse.

Como registrar o seu interesse: simplesmente envie um e-mail em branco endereçado para:acbr_aba-subscribe@yahoogroups.com ou siga este link (por favor, observe o “underline”: acbr_aba…etc.). A seguir, o Yahoogroups lhe enviará um e-mail solicitando que confirme a sua inscrição. Para fazer isso, simplesmente clique em “responder” e envie. Por favor, verifique seu lixo eletrônico. O e-mail pedindo confirmação pode ter ido para lá. 

Siga o link e junte as suas forças às da sua comunidade verbal. Esperamos e desejamos ter você junto conosco. Siga o link e junte as suas forças às da sua comunidade verbal. Esperamos e desejamos ter você junto conosco.

Propomos os seguintes passos para operacionalizar o projeto: 

– Mediante um pequeno número de pré-adesões, constituiremos uma comissão provisória composta de: 
Um pesquisador básico
Um pesquisador aplicado
Um clínico analítico-comportamental
Um pesquisador de educação especial e autismo
Um representante estudantil (pós-graduação)

Esta comissão terá a missão de propor um estatuto preliminar e se dissolverá automaticamente a seguir.

– Este estatuto preliminar gerará uma proposta formal de adesão dos interessados. 
Uma nota importante: como ficaria nossa relação com a ABPMC? Uma resposta definitiva a esta questão só poderá ser dada, por um lado, pelo corpo da ACBr ainda a ser constituído e, por outro, pela própria ABPMC. Da maneira como vemos, pertencer a uma associação não exclui pertencer a qualquer outra que se deseje. As especificidades se referem às práticas verbais e à ação profissional e não às pessoas; poliglotas existem e coexistem. O que preliminarmente desejaríamos seria uma associação irmã da ABPMC, que poderia perfeitamente, pensamos, realizar seu encontro anual no mesmo tempo e local da ABPMC, embora com programa paralelo. As demais ações da ACBr, no sentido de avançar para uma profissionalização própria e de assegurar sua representatividade social plena provavelmente seguirão caminhos próprios.

Alguns dias após a divulgação do texto acima, o Analista do Comportamento Roberto Banaco publicou a seguinte resposta:


Prezados…

(1) “Até a presente data, não temos uma representação social própria.”
Discordo, porque há 22 anos temos nos abrigado na ABPMC, que tem nos representado junto a várias comunidades, desde a SBP, a SBPC e a própria ABA. Já aconteceram tentativas anteriores de que tivéssemos uma representação própria, por exemplo, fundando, aqui no Brasil, um capítulo da ABA (achei na época, e continuo achando, um movimento duvidoso já que se argumentava uma representação própria, como um capítulo de uma instituição americana. Mesmo assim, gostaria de lembrá-los que a própria ABPMC foi bastante e suficiente para abrigar a ABAi do ano de 2004, em Campinas).

(2) “Este estado das coisas não foi, todavia, empecilho para que experimentássemos um extraordinário crescimento nas últimas décadas. Extraordinário não porque nosso número seja grande hoje, mas porque partimos de um número muito pequeno, exatamente daqueles poucos brilhantes e dedicados estudantes que, na década de 70, buscaram fora do nosso país sua primeira formação na Análise do Comportamento e no Behaviorismo Radical e que trouxeram para o nosso país o saudoso Prof. Fred Keller, formando então o berço da nossa ciência no Brasil.”

Resposta: Concordo em gênero, número e grau. Inclusive o fato de não sermos ainda um numero muito grande, embora sejamos há algum tempo a maior comunidade de analistas do comportamento fora dos EUA (Morris, E. K.; Baer, D. M.; Favell, J. E.; Glenn, S. S.; Hineline, P. N.; Mallot, M. E.; Michael, J. (2001) Some reflections on 25 years of Association for Behavior Analysis: past, present and future. The Behavior Analyst, 24, 125-146.)
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(3) “Sabemos que hoje nós, os interessados na Ciência do Comportamento, somos bem mais do que aqueles poucos pioneiros, mas o fato é que não sabemos ao certo quantos somos, não conhecemos ao certo nosso peso, não conhecemos ao certo nosso potencial e, assim, não conhecemos também a quais contingências deveríamos atentar, responder ou dispor para que possamos avançar na construção de um sólida representação analítico-comportamental no nosso país. Noutras palavras, ainda não conseguimos nos organizar e nos agregar para promovermos com especificidade o avanço da nossa ciência.”
Resposta: Concordo também com isto, até porque não sabemos sequer definir (para podermos depois contar e em seguida podermos contar com eles) o que é um analista do comportamento e esta talvez seja a origem da preocupação de vocês, já debatida também na reunião em território neutro. Mesmo que desenvolvamos critérios para estabelecermos a definição, saímos com a impressão de que os critérios para esse senso e essa classificação se mostraria sensível a críticas, como qualquer uma que venha a surgir. Não acredito, no entanto, que devamos nos furtar a fazê-la. Só não acho que a fundação de uma nova associação contornará o problema.

(4) “Nos últimos 22 anos temos nos abrigado na ABPMC, Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental, uma associação de vocação eclética, como indica a sua própria denominação e estatuto. Vinte e dois anos é um tempo considerável. Neste período, assistimos colegas interessados noutros modelos, noutros quadros referenciais, desejarem formar suas próprias associações, na busca de condições mais específicas e mais propícias para o seu desenvolvimento. Tal foi o caso, por exemplo, dos colegas cognitivistas, que fundaram a SBTC. Boa parte de nós viu com aprovação este movimento, entendendo como justa a sua busca de uma identidade inequívoca e de uma representação própria, no momento em que tiveram o número suficiente de interessados para isso.”

Resposta: Isto também FOI verdade… mas desde a reunião fatídica de 2004, na qual assisti aterrorizado a declaração, em cerimônia de encerramento da reunião, que estávamos finalmente expurgando os cognitivistas da ABPMC (com o requinte cruel de ter Bernard Rangé na mesa de cerimônia), isto deixou de representar a realidade. Eles, os cognitivistas não desejaram fundar suas associações… eles foram convidados por declarações desse tipo a se retirarem. Gradativamente, como vocês apontaram, os cognitivistas foram saindo da associação (um duro golpe para a instituição em si, que, exatamente por sermos poucos, lutava para agregar o maior numero de profissionais que pudessem partilhar de alguma crença). Sobrou a “grande massa” de analistas do comportamento, e algum ou outro cognitivista desavisado de que ele não era mais bem vindo entre nós.

Ainda quanto ao ecletismo, lembro-me da fundação da ABPMC, em época na qual a ABAC, (que já havia substituído a AMC por força e recomendação da Profa. Carolina que exigia o “Brasileira” no título de nossa congregação) havia sido extinta por condições que estamos re-vivendo: ninguém, que tenha força ou representatividade política, ou conhecimento do funcionamento da instituição quis tocá-la para a frente, ficando a diretoria da época (da qual eu fiz parte), com uma associação ingovernável. Acabou “no ar”…

Foi então que Bernard Rangé reuniu-se com Hélio e Ricardo Gorayeb e fundaram a ABPMC: com a palavra “psico-terapia” para satisfazer a Rangé, sem a palavra “cognitivo” para acalmar o Hélio e com a “Medicina” para contemplar Ricardo, aliás palavra que vem nos assombrando há anos, por conta inclusive de Atos Médicos… Esta foi a origem do ecletismo…

Uma associação de terapeutas comportamentais (como nos chamávamos na época) foi então fundada, e or 22 anos… é um tempo considerável para sentirmos falta agora de uma associação que “nos represente”, como se a ABPMC não tivesse feito isso este tempo todo…

(5) “Alguns de nós acreditamos que este momento também tenha chegado para nós. Temos agora o número suficiente (qual é o número mesmo? Achei que não sabíamos ali em cima) e mais do que isso: acreditamos que precisamos, com rapidez, aproximar ainda mais os colegas da clínica analítico-comportamental, da pesquisa básica e aplicada e demais aplicações analítico-comportamentais no bojo de uma associação integralmente voltada para o estudo, promoção e disseminação da nossa matriz cultural. Pensamos também que , nas diversas instâncias e situações de interesse específico e especializado da nossa ciência, não nos ajuda adiar a constituição de uma representação social e que possa falar por todos nós com a legitimidade que decorre da asserção pública e clara das nossas singularidades enquanto comunidade verbal científica naturalística.”
Resposta: Sob a regência do Hélio, passaram a conviver na ABPMC os terapeutas analítico-comportamentais, os pesquisadores básicos e aplicados, órfãos de uma associação que lhes abrigasse desde a extinção da ABAC. A ABPMC deu-lhes o fórum e a importância devida, promovendo não só a participação conjunta em seus Encontros Anuais (a maior parte das vezes como convidados especiais), mas também oferecendo-lhes meio de comunicação enquanto comunidade verbal por meio das suas Coleções (Comportamento e Cognição, e sua substituta, o Comportamento em foco), bem como a Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva (lançada ainda antes de 2004, por essa razão ainda mantém o “cognitiva” no seu título), e as outras publicações paralelas pela Arbytes. Mais do que isto, na última diretoria, encabeçada pela prÍ pria Martha, alteramos o nome da ABPMC para Associação Brasileira de PSICOLOGIA e Medicina Comportamental, exatamente por avaliarmos que esse convívio já estava estabelecido.

(6) Estamos, assim, lançando o convite para a fundação da Associação Brasileira de Análise do Comportamento, ACBr, e convidando o/a colega vir caminhar conosco. Criamos um grupo no Yahoogroups (http://tech.groups.yahoo.com/group/acbr_aba) com a finalidade única de registrar sua pré-adesão. Evidentemente, a pré-adesão em nada obriga àquele/a que a fizer. Somente confirma o seu interesse preliminar e nos autoriza, oportunamente, enviarmos uma comunicação convidando você a se informar melhor e formalizar a sua adesão, caso ainda seja do seu interesse.

Resposta: O que quer dizer esse underline aba???? ACBr já não bastava? Ou estamos revivendo a capitulização da Análise do Comportamento Brasil junto à ABAi?

(7) “Como registrar o seu interesse: simplesmente envie um e-mail em branco endereçado para:acbr_aba-subscribe@yahoogroups.com ou siga este link (por favor, observe o “underline”: acbr_aba…etc.). A seguir, o Yahoogroups lhe enviará um e-mail solicitando que confirme a sua inscrição. Para fazer isso, simplesmente clique em “responder” e envie. Pronto! Você receberá um e-mail avisando-o/a do seu registro e já será um membro (ou, neste caso, já terá expressado seu interesse). Por favor, verifique seu lixo eletrônico. O e-mail pedindo confirmação pode ter ido para lá. Siga o link e junte as suas forças às da sua comunidade verbal. Esperamos e desejamos ter você junto conosco.”

Resposta: Por que não juntarmos as forças de vocês às da comunidade verbal que já nos agrega há 22 anos?

(8) “Uma nota importante: como ficaria nossa relação com a ABPMC? Uma resposta definitiva a esta questão só poderá ser dada, por um lado, pelo corpo da ACBr ainda a ser constituído e, por outro, pela própria ABPMC.”

Resposta: Até onde estou ciente, a ABPMC ainda não sabe sobre esta proposta! (ou não sabia quando a proposta foi encaminhada e amplamente divulgada)

(9) “Da maneira como vemos, pertencer a uma associação não exclui pertencer a qualquer outra que se deseje. As especificidades se referem às práticas verbais e à ação profissional e não às pessoas; poliglotas existem e coexistem. O que preliminarmente desejaríamos seria uma associação irmã da ABPMC, que poderia perfeitamente, pensamos, realizar seu encontro anual no mesmo tempo e local da ABPMC, embora com programa paralelo. As demais ações da ACBr, no sentido de avançar para uma profissionalização própria e de assegurar sua representatividade social plena provavelmente seguirão caminhos próprios.”

Por favor, convençam-me que isto não tem a ver com a futura certificação que discutimos longamente em território neutro, na casa da Maly e que havíamos acordado entre nós que seria da alçada da ABPMC, em comissão a ser constituída… Terei perdido o bonde?

Vocês sabem o quanto eu os respeito… Por isso queria que soubessem por que, em princípio, sou contrário às conduções propostas… Obviamente se for o desejo da comunidade como um todo, estaremos matando mais uma associação que tem sobrevivido a duras penas e pelo esforço nos últimos anos de pessoas tanto bem intencionadas quanto trabalhadoras pelo bem comum da nossa ciência, que vejo a criação de uma associação desse tipo não como uma associação irmã, mas como uma forte concorrente. Talvez vocês não saibam, mas sempre é bom informar para que vocês tenham a ideia de como nossa comunidade funciona: dos 700 inscritos no próximo Encontro da ABPMC que ocorrerá em Fortaleza, há apenas um inscrito da cidade de Campinas. Eu gostaria de não acreditar nisso, mas não posso deixar de imputar o fato ao congresso que Hélio e Patrícia têm promovido nessa cidade, no primeiro semestre, com a participação de pelo menos 600 pessoas da região! Temo que estejamos, de fato, reproduzindo um fato já conhecido em nossa história… Dividir… novamente… e mais vez, não para governar… 

No mesmo dia em que Roberto Banaco publicou a referida resposta, Hélio Guilhardi também se manifestou. Confiram o texto escrito pelo professor:


Prezados colegas,

Recebi o texto sobre a proposta de criar uma ACBr

Tenho ficado preocupado essencialmente com o que vem ocorrendo com o ensino da Análise do Comportamento nos cursos de Psicologia do Brasil. Nossos alunos de graduação estão progressivamente mais privados de acesso ao que pessoalmente considero como o que há de melhor na Psicologia contemporânea. Este tema tem tirado meu sossego. O que poderia ser feito para reintroduzir, de forma séria, sistemática e continuada, o ensino da Ciência do Comportamento, do Behaviorismo Radical, de atitudes de ciência e pesquisa, bem como as múltiplas aplicações da Análise do Comportamento em benefício da população a quem, nós psicólogos, oferecemos serviços em clínica, em educação, em organizações, em agências sociais etc.

Honestamente, criar uma nova Associação não é uma alternativa oportuna. Concordo com as posições do João Cláudio Todorov e do Roberto Banaco (foram as que me chegaram às mãos), que não veem nessa iniciativa solução para a evolução da Análise do Comportamento e das múltiplas alternativas de ação aplicada no contexto brasileiro.

Defendo fortalecer a ABPMC como entidade representativa do grupo de analistas comportamentais de todos os matizes – o que a consolida como uma notável instituição democrática e aberta à exposição de variabilidade comportamental. Repito o que já é sabido por todos: a ABPMC pode acolher, como vem fazendo, eventos de todos os analistas de comportamento. Se representar um avanço (alternativa a ser melhor avaliada), a Diretoria da ABPMC pode estudar a formalização de diferentes grupos de trabalho, de organizações de eventos próprios dentro do âmbito da ABPMC.

A existência de grupos com diferentes nuances conceituais e de práticas de atuação distintas, a ocorrência de eventos científicos, tais como Jornadas, Cursos, Encontros etc. – pode-se, inclusive, destacar com orgulho a quantidade de Jornadas de Análise de Comportamento quem vêm se multiplicando pelo Brasil – não tem que significar, necessariamente, divisão de esforços, desde que seja mantida uma organização aglutinadora. A ABPMC pode – e tem sido assim – manter a unidade, respeitando a variabilidade e, desta forma, permanecer como tal entidade aglutinadora.

Prefiro acreditar que a ideia de se criar uma nova Associação – e quem tomou esta iniciativa, o fez com cautela, consultando a comunidade – tem por objetivo criar um instrumento de fortalecimento, não de divisão. Não obstante ter esta interpretação, mantenho minha posição de que não é uma iniciativa oportuna e pode ser mais prejudicial que construtiva.

Abraços, Hélio

Alguns minutos depois, provavelmente ao ter acesso à resposta de Roberto Banaco à criação do ACBr, Guilhardi complementou sua nota:


Mensagem de HÉLIO J. GUILHARDI para ROBERTO A. BANACO:

Estimado Roberto,

Li, com alguma surpresa, o último parágrafo de sua análise sobre a proposta de se criar uma ACBr. Minha análise do documento no qual você teceu comentários esclarecedores sobre a criação da ACBr, é positiva. Em conclusão, concordo com sua tese central, o que explicitamente reafirmo em meu pronunciamento (em anexo).

Sou mais otimista que você ao reconhecer que 700 inscrições na ABPMC, já confirmadas no início de agosto, configura-se como um sucesso de público, considerando que ainda há tempo para mais inscrições, as quais normalmente se avolumam com a aproximação da data do evento. Há que lembrar, ainda, que o Encontro ocorre em local distante dos maiores centros de aglutinação de profissionais da Psicologia. Acho que a Diretoria atual – presidida por João Ilo – já é vencedora.

Considerei prematura e sem sustentação empírica sua interpretação de que o Congresso que realizei com a Patrícia em Campinas, em maio (pelo menos quatro meses antes da data do Encontro da ABPMC) – evento no qual ativamente colaboramos para a divulgação do Encontro de Fortaleza – seja responsável pela baixa adesão de estudantes e profissionais de Campinas e região. Provavelmente, muitas outras regiões – se houvesse interesse em fazer estatísticas semelhantes à que você fez – também teriam baixa adesão. Se for relevante, deveríamos nos aplicar em pesquisar os determinantes de participantes se inscreverem ou deixarem de se inscrever no Encontro de Fortaleza.

O evento de Campinas não foi o único – refiro-me a Jornadas, Cursos, Eventos etc. – que ocorreram no primeiro semestre, em cidades como Curitiba, Jundiaí, São Carlos etc.
Entendo que suas preocupações com o sucesso da ABPMC em Fortaleza (que, felizmente, parecem infundadas), bem como com o fracionamento dos analistas de comportamento em pequenos grupos e consequente enfraquecimento da ABPMC (o que – tanto quanto você – não desejo que ocorra), tenham induzido você a identificar possíveis perigos. Gostaria que você se tranquilizasse com um compromisso nosso: não atuamos para enfraquecer o que existe de bom e para o bem da Análise do Comportamento. Apenas queremos, ativamente, participar do crescimento do movimento comportamental no Brasil.

Um abraço do
Hélio

 Também em função da resposta escrita por Roberto Banaco, João Cláudio Todorov publicou o seguinte texto:


Caro Roberto,

Obrigado pelos comentários. O texto que provocou seus comentários não é meu, mas como ajudei a distribuir aqui vão meus comentários sobre seus comentários.

1 – Não entendo algumas (poucas) reações à proposta de criar uma ACBr (com ou sem o _ABA, não importa; não vejo sentido em uma associação de AC que seja anti-ABAI).

Ameaça à SBP? Ridículo. Ameaça à ABPMC? Não vejo por que, se a proposta é fazer as reuniões durante, logo antes ou logo depois da ABPMC.

Em 2003, em São Francisco, acertamos a vinda da reunião internacional da ABAI para 2004 no Brasil. Dentre outros brasileiros presentes, Deisy, Martha e eu insistimos em fazer a reunião junto com a ABPMC. Você acha que pegamos carona? Entre as associações, quem fortaleceu quem?

2) – A ABPMC não é só análise do comportamento. A SBP não é só comportamental. A SBPC não é só psicologia. Para mim a pecking order é SBPC – SBP – ABPMC – ACBr.

3) – Quantos somos? Ninguém sabe. Está na hora de alguém contar não apenas o número de inscritos na reunião anual.

4) – A ACBr não vem para fazer o credenciamento. Definir e credenciar analista é tarefa necessária e não deveria ser boicotada pelos que estão inseguros quanto ao que fazem. Mas é tarefa política e não deveria estar nas mãos de quem não tem por que ser pró-análise do comportamento. Só entre os terapeutas, pelo que você ensina, ainda temos os que estão na primeira das três fases, os modificadores do comportamento. Ainda que defasados, não vejo porque não convidá-los para o credenciamento.

5) – Não sabia que o Bernard sempre foi cognitivista. Quando o conheci no Rio nos anos 70 era tido como adepto da modificação do comportamento. De qualquer maneira, alunos meus que começaram como analistas do comportamento hoje já não o são. Nem dão palpite sobre se devemos ter uma associação ou não.

6) – Não vejo a ABPMC como “nós” dando apoio para “eles” analistas do comportamento. Tanto os profissionais que preferem a ABPMC quanto os pesquisadores que preferem a SBP são analistas do comportamento.

7) – Sou bem recebido tanto na ABPMC quanto na ABAI. Não tenho medo do imperialismo ianque. Não sei dessa invasão americana que levou à capitulação (perdemos a guerra?) da “Análise do Comportamento Brasil” (é outra ciência?).

– Sobre juntar as forças, é isso aí. O que propomos não é novidade. Há anos a Society for the Quantitative Analysis of Behavior se reúne na sexta-feira, um dia antes da ABAI. Passamos o dia todo fechados em um salão falando de números. Os clínicos, que detestam números, nem passam por perto.

9) Já falei com o Roosevelt que ele deve enviar comunicação formal à ABPMC e à SBP, pelos menos para diminuir a paranoia. Fico à disposição para falar pelo Skype com quem quiser.

10) – Sobre a reunião na casa da Maly, parece que não deu em nada. Viajei dois sábados consecutivos para tratar do assunto que morreu depois de algumas trocas de e-mail dos analistasdocomportamento. Se vão continuar em Fortaleza, não sei. A última coisa que me lembro era uma proposta de uma mesa redonda com um analista do comportamento, um cognitivista e um contextualista para discutir o credenciamento.

11 – Não há desejo da comunidade como um todo. Se qualquer mudança depender da comunidade como um todo vem o imobilismo e a extinção da espécie quando o ambiente mudar!

12 – Sempre apoiei os institutos como o IBAC, o Paradigma, e agora o Walden4 do Márcio. O Hélio promover a reunião em Campinas, o Marçal em Brasília, não ameaçam a ABPMC. A ameaça está na ausência do Hélio nas reuniões do Conselho e as ausências deles como palestrantes na reunião. Que tal todos nós, eu, você, e os amigos que recebem cópia, usarmos o tempo agora dedicado a saber de devemos ou não ter a ACBr para convencer o Hélio a voltar à ABPMC?

Da próxima vez mande notícias do mestrado. Você sabe que estou torcendo por vocês.

Um abraço pro Denis.

João Cláudio.

ATUALIZAÇÃO 1 – 03/08/2013

O Prof. Dr. Roosevelt Starling também se manifestou ao receber a primeira carta publicada por Hélio Guilhardi. Confiram no texto abaixo:

Meu caro Hélio,

Como este é o primeiro e-mail sobre a proposta da ACBr que recebo diretamente como destinatário e pela admiração, respeito e reconhecimento que tenho para com você, apresento algumas observações à sua comunicação.

Não sei se você sabe que estou dentre os proponentes iniciais desta ideia (e, por favor, observe, ao contrário do que você parece ter entendido, João Claudio Todorov tem dado um suporte inequívocamente favorável à fundação dessa associação).

Mas acredito que saiba que esta é uma proposição que defendo publicamente há décadas. Tenho este convencimento comigo, Hélio e, portanto, aceito muito bem o seu próprio convencimento, ainda que, neste caso (e momentaneamente, espero) numa direção oposta. É assim mesmo. É através desse tipo de situação que avançamos.

Agradeço, em primeiro lugar, sua atenção e sensibilidade ao observar que sim, tivemos cautela: fizemos uma consulta. Em primeiro lugar porque é uma comunidade à qual pertencemos há décadas e em segundo porque boa parte desta comunidade é composta de pessoas que se tornaram queridas e admiradas ao longo dos anos.

Não caberia discutir convencimentos. Convencimentos se aceitam, se respeitam. No entanto, existe na sua fala e na fala contra de alguns outros colegas alguns pontos que me parecem estar equivocados ou, eventualmente, mal informados (e aqui talvez a falha seja nossa, mas vamos corrigir isso).

Uma pequena observação antes de entrar nos pontos mais substantivos que desejo expor: subscrevo, linha por linha, sua posição quanto à desejabilidade da variabilidade comportamental e a inclusão de analistas do comportamento de todos os matizes no processo seletivo das nossas práticas verbais.

Hélio, não sei como isso parece ir se transformando em algo que nada tem a ver com a nossa ideia, pelo menos tal qual a concebemos. Parece que vai se transformando numa oposição entre a ABPMC e a proposta ACBr. Ser a favor de uma, parece, seria ser contra a outra. Vão se emaranhando aí a complexidade das histórias pessoais e das contingências particulares em ação neste momento. Este é o primeiro equívoco, Hélio. Afianço a você que a nossa organização numa associação analítico-comportamental, assim claramente definida, não enfraquece a ABPMC de forma alguma. Não é como se propusesse ou se convidasse os analistas do comportamento para migrar para a ACBr deixando a ABPMC. Nem se parece com isso. Nem, na ideia que cultivamos, a ACBr competiria com a ABPMC por qualquer forma concebível.

O que me leva a comentar o que me parece ser o segundo equívoco da sua comunicação. O equivoco seu que vejo, Hélio, é que a ABPMC não é uma associação de analistas de comportamento, tal como me pareceu estar implicado na sua fala. A ABPMC é uma associação mista, por concepção e organização estatutária, e nela convivemos – e muito bem, diga-se – com colegas cognitivistas, cognitivo-comportamentais e, mais recentemente, com colegas contextualistas e insisto em que não podemos passar por cima disso, tratando a ABPMC como se fosse uma exclusividade nossa, desconsiderando este caráter generalista que, desde o início, está claro e bem marcado nas nossas programações e publicações. Afinal, sim, a ABPMC tem uma história que todos nós construímos e, acredito, queremos manter. E esta é a história que tem: uma associação mista e aberta às diversas práticas verbais.

Ocorre que, como você bem sabe, temos problemas e desideratos que são particulares da nossa ciência, dos nossos interesses e que não podemos esperar ou demandar sejam tratados e conduzidos no seio da ABPMC. E nem poderíamos – e nem seria nosso desejo, acredito, convidar os colegas que aderem a outros modelos, a outras práticas verbais, a abandonar a ABPMC. Isso sim, a enfraqueceria! E a negaria fundamentalmente, tal como foi constituída e como vem operando ao longo de todos estes anos (e este estado das coisas aparentemente nos agrada, pois nenhum de nós a abandonou e, a que eu saiba, nem pretende abandoná-la, não é mesmo?).

O que desejamos é então que tenhamos uma associação paralela analítico-comportamental – e na qual sim, é claro, desejamos variabilidade comportamental e damos boas vindas a todos os matizes calcados nas práticas verbais analítico-comportamentais – na qual possamos tratar e encaminhar os interesses exclusivos e particulares da nossa comunidade. Somente para citar alguns: a discussão e integração mais aprofundada de todos os interesses que compõem nossa matriz cultural – pesquisa básica, aplicada, clínica, behaviorismo radical – a problemática que se propõe com a seleção do coloquialmente chamado “tratamento ABA” do autismo e aquele que você mesmo cita, qual seja o cuidado com o ensino e formação de analistas do comportamento. A meu ver, essa problemática é nossa, Hélio, e os demais colegas de outras práticas verbais não estão interessados nela, como é justo que não estejam.

Praticamente todas as demais abordagens da psicologia brasileira tem a sua associação própria, Hélio, como também as tem até mesmo particularidades da prática psicológica, tais como a Associação Brasileira de Psicologia do Desenvolvimento, Associação Brasileira de Psicologia do Trânsito, Associação Brasileira de Psicologia do Esporte, etc. Ninguém jamais perdeu com isso. Isso é vigor, é riqueza. Você mesmo reconhece isso implicitamente, ao montar com o seu grupo sua própria e bem-sucedida estrutura de formação particularizada e eventos maiores relacionados (E, no que me diz respeito, está muito bem e recebe meu aplauso e admiração). Francamente, não vejo como uma Associação Brasileira de Análise do Comportamento possa diminuir ou subtrair seja lá do que for. A meu ver, somente enriquece ainda mais a boa convivência da diversidade.

Como disse acima, convencimentos se aceitam, se respeitam. Exponho aqui o meu convencimento e enfaticamente convido você a reconsiderar e a se unir a nós nesta empreitada. Sinceramente, tal como eu vejo a sua história e de outros colegas, nesta proposição esperaria vocês como membros fundadores e entusiastas da associação. Mas, repito, convencimento é convencimento.

Mantenho-me a sua inteira disposição, e dos demais colegas, para conversar sobre este meu convencimento e, com transparência, prometo fazer o meu melhor para que você e os demais possam ver a ACBr com um novo olhar, fortalecendo todos nós e em nada subtraindo nem da ABPMC nem de qualquer outra associação da qual sejamos também afiliados.

Por outro lado, os diversos e ricos posicionamentos que estamos vendo sobre esta questão mostram que esta proposição nos incomodou, enquanto grupo. Como vejo, incomodou porque desacomodou o que estava acomodado. Nada mais saudável e tenho a certeza de que, seja lá qual for o fim disso, num ponto concordaremos: somente por este fato, já valeu.

Meu abraço.

Roosevelt

A Analista do Comportamento Patrícia Piazon Queiroz também se manifestou sobre a carta de Roberto Banaco. Segue anota publicada pela Psicóloga:

Querido Roberto,

Compartilho com o Hélio o meu espanto frente ao seu comentário no último parágrafo de sua carta. Primeiramente também acredito na sua oposição frente à criação de uma nova associação endossados publicamente por Hélio e Todorov.

Trabalhamos anos para a ABPMC se fortalecer e agregar um número cada vez maior de palestrantes e participantes divulgando um conhecimento científico de qualidade. A ABPMC iniciou como uma associação de psicoterapeutas e se expandiu acolhendo e dando o devido destaque a todas as áreas da análise do comportamento (pesquisa, teoria e práticas), assim como, aos cognitivos comportamentais. Sem dúvida, a ABPMC foi a origem para as jornadas de análise de comportamento (JAC) existentes em todo o país responsáveis pela maior divulgação e fortalecimento da abordagem.

Assim como ao Hélio, me surpreendeu a sua relação do evento organizado por mim e ele como responsável pela pouca inscrição de pessoas de Campinas na ABPMC desde ano. Nos anos de 2008 e 2009 organizei simultaneamente a III e IV JAC Campinas (realizados em abril) e o XVIII e XIX Encontro da ABPMC (realizados em agosto) também em Campinas. Tivemos nas jornadas aproximadamente 400 pessoas em cada ano e isso não atrapalhou os 1800 inscritos da ABPMC nos dois anos. A proximidade dos grandes centros, enorme número de cursos de psicologia e professores ligados à análise do comportamento com certeza favoreceram nosso trabalho. E, acredito que 700 inscritos até o momento já é uma vitória dessa diretoria da ABPMC, pois usualmente as inscrições chegam de última hora (testando nossos corações apaixonados pela análise do comportamento e organização de eventos – você também sabe bem disso).

A alegria de agregar mais alunos interessados na nossa abordagem sempre foi o propulsor de todos nós. Dispusemos, e ainda nos dispomos, de anos de nossas vidas pessoais por um bem maior: o crescimento da análise do comportamento! Esse ainda é nosso objetivo e esperamos que todos nós continuemos concentrados nessa força. Dividir, não apenas, poderá nos tornar mais fracos, mas poderá apagar os enormes esforços feitos para chegarmos até aqui.

ATUALIZAÇÃO 05/08/2013

Júlio César De Rose também se posicionou sobre o tema em uma publicação feita na comunidade de Análise do Comportamento no facebook. Confira o texto:

Parece que há uma polêmica quente entre analistas do comportamento sobre a possível criação de uma nova sociedade. Estou tentando entender as implicações e, embora ficar calado seja [quase]sempre mais sábio, vou dar minha opinião [aqui, porque tenho visto vários “pronunciamentos” aqui].

Lembro sempre da minha orientadora, Carolina Bori, criticando as sociedades de psicologia por terem como única finalidade a organização de congressos. Ela lembrava que uma sociedade científica tem que ter uma atuação política (política científica, claro) e o modelo pra ela era, sem dúvida, a SBPC, de cuja diretoria ela participou por muitos anos, tendo sido inclusive presidente. Ainda hoje a SBPC tem uma importante atuação na política científica brasileira, sendo, entre outras coisas, interlocutora com o poder público representando a comunidade científica. Mas naqueles tempos de ditadura, a importância política da SBPC era muito maior. Mas Carolina também dava exemplos de outras sociedades com grande atuação política, como a Associação Brasileira de Antropologia, numericamente pequena, mas uma voz presente na discussão de todas as questões relativas a indígenas.

Não está claro ainda para mim qual a agenda política da sociedade que está sendo proposta, que não possa ser cumprida pelas sociedades existentes. Há a questão importante do credenciamento; a análise do comportamento nos EUA virou uma profissão e está caminhando pra isso no Brasil também. Não estou contra a sociedade, em princípio. Não é minha prioridade, mas se for fundada e não esvaziar as já existentes (parece que os proponentes estão sendo bastante cuidadosos nesse sentido), vou participar, mesmo que seja só pra ter um congresso exclusivo de behavioristas. É bom poder apresentar trabalhos para uma audiência que seja compreensiva e receptiva. Porém, mais importante ainda seria dialogar com outras áreas, abordagens e disciplinas, expondo-se a hostilidade, críticas e incompreensão, mas tentando quebrar o isolamento da análise do comportamento, cuja interação com outras disciplinas e influência sobre elas é mínima. Disso vou tratar depois, pra não alongar demais aqui.

Confira também a entrevista realizada pelo Comporte-se com Roosevelt Starling, um dos idealizadores da nova sociedade. Ela está disponível neste link: 

IMPORTANTE: Este post poderá ser atualizado a qualquer momento, diante de novidades no debate.
IMPORTANTE 2: O blog Comporte-se não se posiciona sobre a criação de uma nova associação. Por tratar-se de um espaço livre, cada um de seus membros tem total liberdade de pensamento sobre o tema e nenhuma das opiniões destes membros representa o posicionamento do site. 

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