Experimento de cientista brasileiro cria comunicação entre cérebros de roedores

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Em um laboratório da Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA), duas mentes trabalharam juntas –literalmente– para resolver o mesmo problema e obter uma recompensa. É o que anunciaram cientistas nesta quinta (28) em publicação na revista “Scientific Reports”. A equipe, integrada pelo neurobiólogo brasileiro Miguel Nicolelis, afirma ter captado impulsos elétricos do córtex motor e tátil de roedores e transferido essas informações para outro animal, estabelecendo uma ligação entre os dois em tempo real.
Foram usados pares de roedores, nos quais um era o codificador e o outro, o decodificador. Em uma das etapas, o codificador deveria pressionar a alavanca certa para obter água.
Havia duas alavancas: quando uma luz se acendia acima de uma delas, a da esquerda ou a da direita, ele deveria pressioná-la. Durante a tarefa, os cientistas registraram a atividade elétrica das células do córtex motor do animal por meio de microeletrodos implantados no cérebro do codificador. Essa informação foi transmitida ao córtex motor do decodificador por meio de pulsos elétrico inseridos no cérebro do animal.
Segundo Nicolelis e colegas escrevem na publicação, o animal decodificador conseguiu acertar qual era a alavanca certa em até 70% das tentativas, lembrando que ele não teve a dica da luz dada ao primeiro roedor. Quando o decodificador acertou, ele recebeu a recompensa e, ao mesmo tempo, foi enviado um feedback ao codificador, que recebeu de novo a gratificação.
Editoria de arte/Folhapress 

Com isso, foi estabelecida uma colaboração entre os animais. “Essa foi a grande surpresa. Não sabíamos o que ia acontecer, já que isso nunca foi feito antes”, afirmou Nicolelis à Folha, por telefone.

Uma segunda etapa do estudo usou informações táteis, transmitidas pelo codificador ao receber estímulos em seus bigodes. Com o treinamento do uso da interface cérebro-cérebro, afirmou Nicolelis, o decodificador conseguiu criar uma representação dos bigodes do primeiro animal.

“Estamos começando a realizar esse trabalho em macacos, e os resultados se amplificam, dada a maior complexidade.” O trabalho com primatas deve ser apresentado neste ano em um congresso científico, segundo ele.

REDE ORGÂNICA

Uma terceira parte do estudo com roedores demonstrou que é possível enviar essa informação a uma grande distância: um animal no Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra, no Rio Grande do Norte, foi conectado a outro, nos EUA, pela internet.

Para o neurocientista, o trabalho –que não tem ligação direta com seu mais famoso projeto, o “Andar de Novo”, cujo objetivo é a construção de um exoesqueleto controlado pelo cérebro para dar movimentos a pessoas com paraplegia– é uma demonstração de que é possível criar um novo tipo de computação, no qual cérebros de diferentes animais podem colaborar em um só pensamento para resolver uma tarefa.

“Queremos estudar a possibilidade de um sistema de computação orgânico, usando as características únicas dos cérebros de mamíferos que não podem ser reproduzidas por um computador.”

Outros pesquisadores, no entanto, são céticos quanto à possibilidade de um processador orgânico.

Em entrevista ao “New York Times”, o neurocientista Andrew Schwartz, da Universidade de Pittsburgh, destacou que a taxa de sucesso do rato ao realizar as tarefas “teleguiado”, de 70%, não é muito maior do que a de uma escolha aleatória, de 50%

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