Livros usam evolucionismo e neurociência para explicar a traição

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“Não é o que você está pensando. É só uma manifestação de minha herança genética”. Se seu parceiro (ou sua parceira) vier com essa, desconfie: ele(a) já deve ter lido o livro “A Química do Amor” (ed. Best-Seller).
Novinho nas livrarias, o livro trata de antigas questões: por que amamos e queremos sexo. E do velho problema: por que amamos um e desejamos fazer sexo com outros.
Escrito pelo neurocientista norte-americano Larry Young e pelo jornalista Brian Alexander, faz parte da categoria de livros que traduzem os conceitos científicos para a linguagem “de gente” e para temas populares, como a infidelidade.
Young e Alexander afirmam que a monogamia sexual não é uma determinação biológica para homens e mulheres, mas não vão tão longe quanto os autores de outro livro, “Sex at Dawn”, que pregam que a promiscuidade é a verdadeira natureza humana.
A obra não fica só nisso. “Explicamos a química cerebral que leva ao desejo sexual e os mecanismos biológicos que entram em ação quando formamos vínculos afetivos”, diz Young.

BREVE ENTREVISTA COM O AUTOR
Folha – A monogamia é uma tendência dos humanos?
Larry Young – Infelizmente (ou felizmente, dependendo do ponto de vista), a monogamia sexual não é uma tendência natural.
Estudamos em laboratório um tipo de rato que é socialmente monogâmico -machos e fêmeas formam casais que ficam juntos por anos e criam juntos os filhotes. Mas, se um macho está no campo longe de casa e aparece uma fêmea, ele pode trair a parceira e fazer sexo com a outra. Essa fêmea também pode estar traindo seu par. Mas ambos vão voltar para suas casas e seus parceiros à noite e cuidar de suas famílias.
Os humanos provavelmente têm a mesma tendência biológica: amar uma pessoa, mas, de vez em quando, ter um caso com outra. A maioria dos mamíferos não têm conexão emocional com o parceiro com que faz sexo. Homens e mulheres têm conexões que fazem com que queiram ficar mais tempo junto de seus parceiros, mas, como acontece com os ratos de laboratório, sua química cerebral também pode os levar a trair.
Por que as relações monogâmicas são as prevalentes?
A cultura, a sociedade e a religião incentivam a monogamia sexual e os relacionamentos que duram a vida toda, por isso a monogamia parece ser mais comum, mas isso não implica que seja natural. E mesmo nas muitas pessoas que conseguem ser fiéis por toda a vida, seus cérebros continuam mandando comandos eventuais para que traiam.
O sr. concorda com autores que afirmam que a promiscuidade é da natureza humana?
Não. Homens e mulheres são diferentes de outros mamíferos por buscarem parceiros sexuais para criar vínculos. Ficam juntos por outras razões que não apenas sexo, desejam ficar próximos de seus parceiros e sentem saudades deles quando estão separados. Nosso cérebro está programado para se apaixonar. No livro, descrevemos em detalhe como algumas substâncias químicas (oxitocina, dopamina, vasopressina) fazem as pessoas se ligarem a quem amam e como outras substâncias criam o desejo sexual.
Adaptado de Folha de São Paulo

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