A resposta sexual humana.Vània L.P.Sant´Ana

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SEXUALIDADE HUMANA
 
Começo hoje a escrever uma série de textos sobre a sexualidade humana. Iniciarei com os estudos pioneiros sobre a resposta sexual e suas características. Posteriormente, abordarei as diferentes formas de expressão da sexualidade humana, assim como as suas disfunções e formas de tratamento. Além desta parte, já prevista, discorrerei sobre temas que, eventualmente, despertem o interesse dos leitores. Citarei, inicialmente, apenas as obras consideradas clássicas no estudo do comportamento sexual humano. Quando for útil, as referências serão ampliadas e atualizadas. Embora inicialmente o texto contenha muitas informações técnicas, elas são imprescindíveis para a compreensão tanto da resposta sexual saudável quanto para a análise das disfunções que veremos nos próximos textos. Espero que a leitura seja agradável e proveitosa.
 
A Resposta Sexual Humana

A partir dos estudos realizados por Masters e Johnson nas décadas de 1950 a 1970 a Resposta Sexual Humana pode ser cientificamente explicada. Estes estudos descrevem a resposta sexual como uma sucessão racional e ordenada de ocorrências fisiológicas cujo objetivo é preparar o(s) corpo(s) para o orgasmo ou reprodução.
 No ato sexual bem sucedido os órgãos sexuais sofrem transformações profundas do seu estado normal tanto na sua forma quanto nas suas funções. A excitação sexual provoca reações neurológicas, vasculares, musculares e hormonais que afetam, com diferentes intensidades, o funcionamento de todo o corpo. De acordo com o esquema proposto por Masters e Johnson (1967) consideraremos a resposta sexual humana como sendo composta por quatro fases, a saber:

1. Excitação:
É caracterizada pelo ímpeto de sensações eróticas e pela obtenção da ereção, no homem, e da lubrificação vaginal, na mulher. Ocorre a congestão generalizada dos vasos, a respiração fica mais ofegante, há o aumento das pulsações e da pressão arterial. No homem, o pênis fica ereto, o escroto se dilata, a bolsa escrotal torna-se mais lisa e maior, enquanto os testículos começam a se elevar porque os cordões espermáticos ficam mais curtos. A pele muda de coloração (rubor), os seios se intumescem e os mamilos ficam eretos
O traço feminino característico de uma resposta sexual saudável é a lubrificação vaginal (dez a trinta segundos após o início da estimulação sexual). Há, também, congestão dos vasos do clitóris, que pode se tornar ereto. O útero aumenta de volume em virtude do ingurgitamento vascular e começa a elevar-se da sua posição de repouso no soalho pélvico; simultaneamente, a vagina começa a se dilatar e a se distender para acomodar o pênis.

2. Platô (Plateau)
É um estado mais avançado da excitação, que ocorre logo antes do orgasmo. A resposta vasocongestiva local do órgão sexual primário se encontra no auge, em ambos os sexos. No homem, o pênis está distendido e cheio de sangue até o limite de sua capacidade. Os testículos tornam-se 50% maiores do que o tamanho normal. As contrações musculares e dos cordões espermáticos levantam os testículos, colocando-os em uma posição bem rente do períneo. Aparece uma ou duas gotas de secreção mucóide.
Na mulher ocorre o rubor da pele, a intumescência e a coloração dos lábios menores (variando do vermelho vivo ao bordô), a formação de uma placa espessa de tecido congestionado circundando a entrada e a parte inferior da vagina (“plataforma orgásmica”). O útero termina sua elevação do soalho pélvico e o terço exterior da vagina está bastante distendido. Por fim, imediatamente antes do orgasmo, o clitóris gira 180º e se retrai numa posição plana.

3. Orgasmo
O sêmen é expulso através do pênis (ejaculação) em intervalos de 0,8 segundos entre cada uma das 3 a 7 expulsões. O orgasmo masculino tem dois componentes: o primeiro deles consiste nas contrações dos órgãos internos e assinala uma sensação de “inevitabilidade ejaculatória”. As contrações rítmicas da uretra do pênis, dos músculos da raiz do falo e dos músculos perineais que ocorrem imediatamente após, constituem o segundo componente e são experimentados como o próprio orgasmo.
Depois do orgasmo o homem torna-se refratário à excitação sexual, mais especificamente: um curto espaço de tempo denominado o “período refratário” o qual deve transcorrer antes que ele possa ejacular novamente.
O orgasmo feminino, independentemente da forma de excitação, também consiste sempre de 0,8 de segundos de contrações rítmicas reflexas dos músculos circunvaginais, do períneo e dos tecidos inflados da “plataforma orgásmica”.
As características do orgasmo são idênticas em todas as mulheres e a evidência clínica indica que o orgasmo feminino pode ser acionado por várias formas de estimulação do clitóris. A mulher, fisiologicamente falando, nunca é refratária ao orgasmo; se ela não tiver inibição, após ter um orgasmo e estando ainda na fase plateau, pode ser de novo excitada para outro orgasmo.

4. Resolução:
Esta é a fase final do ciclo da resposta sexual na qual as respostas fisiológicas locais especificamente sexuais cessam e todo o corpo volta ao seu estado normal. As pulsações, a pressão arterial, a respiração, a vascularidade da pele voltam ao normal em minutos após o orgasmo. No homem, os testículos se desintumescem e descem imediatamente à posição habitual enquanto o pênis volta vagarosamente ao seu estado flácido urinário. Com algumas exceções, o pênis se desintumesce em dois períodos: no primeiro, logo após o orgasmo, o pênis é reduzido a aproximadamente metade do seu tamanho quando no auge da ereção e, dentro de meia hora, o tamanho diminui por completo. Nos homens mais velhos, a involução do pênis após o coito se faz mais rapidamente, quase sempre dentro de minutos.
Na mulher, o clitóris volta à posição normal dentro de 05 a 10 segundos após o orgasmo. O útero volta ao seu estado de repouso. Os lábios menores perdem a coloração intensa dentro de 10 a 15 segundos depois do fim da contração orgásmica e a vagina volta a seu descorado estado de repouso e relaxamento entre 10 a 15 minutos após a plataforma orgásmica. Embora neste esquema a resposta sexual pareça ser uma sequência ordenada de uma ocorrência unitária e inseparável a resposta sexual em ambos os sexos é, na realidade, bifásica, envolvendo:
a) Uma reação vasocongestiva genital – que produz a ereção do pênis no homem e a lubrificação vaginal e intumescência, na mulher.
b) As contrações musculares clônicas reflexas – que constituem o orgasmo em ambos os sexos.
Os aspectos descritos até agora são de fundamental importância na compreensão de como se dá a resposta sexual em seus aspectos fisiológicos e na análise de cada uma das formas que esta resposta é apresentada.

REFERÊNCIAS

Masters, H.W. (1979). A conduta sexual humana. 3ª. Ed.Trad.Dante Costa, Editora Civilização Brasileira S.A. Rio de Janeiro.
Masters, H.W. (1979). A incompetência sexual. 3ª. Ed. Editora Civilização Brasileira S.A. Rio de Janeiro.

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