Condição física associada a sucesso escolar

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Alunos em boa condição física obtêm melhores notas em matemática e leitura, de acordo com as conclusões de um estudo apresentado no “American Psychological Association’s 120th Annual Convention”.  “Quanto melhor condição física as crianças apresentavam, melhores eram os seus resultados”, afirma Trent Petrie, líder do estudo e diretor do Center for Sports Psychology na University of North Texas, nos EUA.
O estudo contou com a participação de 1.200 alunos entre o sexto e oitavo ano de escolaridade de cinco escolas numa zona suburbana do Texas, com 561 meninos e 650 meninas. Cerca de 57% das crianças eram de raça branca, 9% de raça negra e cerca de 2% de raça asiática.
Estudos anteriores tinham já estabelecido relações entre a condição física e o desempenho escolar, mas este estudo analisou ainda potenciais influências, tais como, autoestima e apoio social. Além disso, os pesquisadores levaram também em conta o estado socioeconômico e capacidades acadêmicas relatadas pelos próprios alunos.
Além da boa condição cardiorrespiratória, os resultados apontaram para uma relação entre o apoio social e melhores classificações a nível da leitura entre meninos. Apoio social foi definido como ajuda da família e amigos para resolver problemas e lidar com problemas emocionais. No caso das meninas, ter um maior índice de massa corporal foi o único fator (além da boa condição cardiorrespiratória) relacionado com o seu desempenho em provas de leitura. Em ambos os sexos, a condição cardiorrespiratória foi o único fator relacionado com o desempenho nos exames de matemática.
Os alunos foram avaliados com testes anuais padronizados de leitura e de matemática, responderam a questionários relativos ao seu nível de atividade física, como avaliavam as suas capacidades acadêmicas, autoestima e apoio social. As escolas forneceram informação sobre o estado socioeconômico dos alunos, assim como as suas notas no final do ano.
De forma a determinar a condição física das crianças, os pesquisadores trabalharam com professores de educação física para avaliarem a sua capacidade aeróbica, força muscular, resistência muscular, flexibilidade e composição corporal.
Apesar de os investigadores terem ficado surpreendidos com a relação entre massa corporal e desempenho a nível de leitura, Petrie chama a atenção para o fato de que “não foi uma associação tão forte como a da condição física”. Os autores do estudo suspeitam que a entrada das menians na puberdade possa estar relacionada com o aumento da massa corporal e um ligeiro desenvolvimento cognitivo maior. Contudo, esta associação terá de ser objeto de investigação mais aprofundada num outro estudo. “Embora não possamos dizer com 100% de certeza que a condição física dá origem a melhores resultados acadêmicos, podemos, contudo, afirmar que existe uma relação forte e preditiva entre a boa condição física e os resultados acadêmicos”, constata Petrie.
Embora ainda não se saiba quais as causas por detrás desta associação – alguns pesquisadores sugerem que poderá estar relacionada com uma maior capacidade de oxigenação, o que permite que o cérebro funcione melhor – a verdade é que “não há certamente mal nenhum em promover o exercício físico”, defende Becky Hashim, psicóloga e docente no Children’s Hospital of Montefiore, em Nova Iorque, EUA.“Crianças em boa condição física são mais felizes, possuem maior autoestima, tendem a ter melhores relações sociais e, agora, estamos a começar a detectar que parecem existir benefícios cognitivos e acadêmicos. O nosso estudo envia um forte alerta aos decisores de políticas para que reconsiderem a utilidade das aulas de educação física para as crianças”, acrescentou Petrie.
Uma vez que este estudo foi apresentado numa conferência, tanto os resultados como conclusões devem ser considerados preliminares até serem divulgados numa publicação científica.
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