[Entrevista Exclusiva: Alda Marmo] Explorando as relações entre o Coaching e a Análise do Comportamento

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Estreamos hoje, com uma entrevista,  a participação de uma nova colunista que abordará os temas Coaching e Branding segundo a perspectiva da Análise do Comportamento. Seu nome é Alda Marmo.  
Alda Marmo é psicóloga, mestre em Análise Experimental do Comportamento pela PUC/SP, terapeuta analítico-comportamental, supervisora e professora da disciplina de Estratégias de Avaliação Clínica no Núcleo Paradigma de São Paulo é Executive e Master Coach pelo Behavioral Coaching Council e pelo Center of Advanced Coaching é proprietária da Marmo Coaching & Terapia. É colunista do portal Indika Bem e uma das autoras dos livros: Manual Completo de Coaching e Clínica Analítico Comportamental. 
1 – Gostaria de começar pedindo que fale um pouco sobre sua história. O que te chamou a atenção no trabalho com Coaching e Branding? Por que esta área? 
Gosto de falar da minha história enfatizando os pontos de virada que nela se deram. E para vocês aqui, vou mencionar dois deles, talvez os mais importantes. O primeiro aconteceu no segundo ano da graduação em psicologia na PUC/SP. Entre tantas abordagens fui ‘fisgada’ pela Análise do Comportamento. Não era para menos, tive como professora uma das pessoas que mais conhecia a análise do comportamento e também uma das pessoas que mais conhecia sobre a ‘arte’ de ensinar, a Teia e esse encontro pode ser considerado o primeiro ponto de virada na minha vida. A partir desse ‘ponto’ fui cada vez mais me envolvendo com a análise do comportamento: iniciação científica, congressos internacionais (ABA), pesquisas, ABPMC (estive presente desde o segundo ano da ABPMC !!), TCC, mestrado e daí para frente a análise do comportamento, na minha vida, ganhou status profissional, me tornei professora, supervisora e terapeuta no Núcleo Paradigma e por oito anos fui docente do curso de medicina na UNINOVE, sim ensinei análise do comportamento para os médicos ! 

Durante meu percurso acadêmico, sempre me aproximei mais da área aplicada da análise do comportamento do que da pesquisa básica. Na verdade, sempre gostei de lidar com pessoas e a análise do comportamento me oferecia a oportunidade de contribuir para a melhora na vida delas e acredito que esse é um privilégio, a meu ver, poucas coisas são mais reforçadoras do que acompanhar, conduzir, fomentar a mudança (para melhor) na vida de alguém. O segundo ponto de virada se deu aproximadamente depois de 10 anos trabalhando como terapeuta, quando em uma supervisão, meu supervisor Denis (Zamignani) me perguntou se eu já havia ouvido falar sobre coaching. Eu não tinha ouvido, mas fui procurar saber do que se tratava. Busquei um curso, me matriculei e cursei. A princípio tive uma postura crítica, característica de uma analista do comportamento, mas aos poucos decidi dar uma chance a método que havia aprendido. Adaptei a método segundo meu referencial teórico e a coloquei em prática. Comecei a produzir resultados, a estudar e pesquisar sobre coaching e dei continuidade a formação fazendo o coaching executivo e o master coach na Sociedade Brasileira de Coaching. Concomitantemente a minha formação, comecei a divulgar o coaching na ABPMC e nas JACs e fui recebendo indicações de clientes para fazer coaching. Atualmemte, continuo estudando, pesquisando e divulgando o coaching. 

O que mais me chama atenção no coaching é a direcionalidade que ele oferece, coaching não é uma ‘forma’ de terapia, coaching é um processo de desenvolvimento pessoal, no qual trabalha-se na direção de um objetivo, é um processo focado, diferente da terapia. No coaching não há espaço para discutir quaisquer assuntos, fala-se sobre aquilo que está relacionado ou que favoreça alcançar o objetivo estabelecido. O coaching não se propõe a permanecer analisando o problema, o processo se dirige para a solução, meios e ações que aproximem o cliente do seu objetivo.
2 – Como surgiram e o que é Coaching ? 
O coaching é um processo de desenvolvimento pessoal realizado em parceria (coach/ coachee) que se fortaleceu, como é conhecido hoje, no mundo coorporativo. A literatura sobre coaching indica que já em 1937 o termo coaching foi usado em intervenções realizadas em contextos organizacionais (Grant, 2006), mas se fortaleceu mesmo a partir da década de 90, devido principalmente às grandes transformações econômicas, políticas e tecnológicas que invadiram o cenário mundial e que afetaram principalmente o mundo organizacional, exigindo dos indivíduos uma rápida mudança/ adaptação comportamental. O coaching executivo ainda é o tipo de coaching dominante no mercado, no entanto, a metodologia passou também a ser oferecida e utilizada por pessoas que não estão inseridas neste contexto, daí se origina o coaching pessoal ou Life coaching. Se eu fosse resumir o significado do coaching, diria que diz respeito a um processo que busca saber o que é importante para a pessoa se realizar, pessoal ou profissionalmente e, após essa identificação, acontece um planejamento de ações que favoreçam o coachee a alcançar seu objetivo. 
3 – Como é feito o Coaching ? 
O processo de coaching pessoal é realizado em parceria – um coach (uma pessoa capacitada a desenvolver o processo), e o coachee (o cliente). Travada uma parceria são estabelecidas as regras: o período de duração do processo (geralmente de 15 a 20 sessões, a depender do que o coachee está buscando), valores e datas. O processo passa por etapas que são flexíveis, pois o coaching é um processo individual que se adapta a cada um dos clientes, mas geralmente passam-se pelas seguintes etapas: 1. Avaliações; 2. Definição de objetivo; 3. Autoconhecimento; 4. Planejamento de Ações. Deixo claro que as etapas vão se misturar, pois o coach não é alguém que tem respostas, mas alguém que busca fazer as perguntas certas em todo o processo, por isso autoconhecimento e avaliações acontecem a todo o momento. Outro aspecto importante é que em um processo de coaching o coachee deve se manter em ação, ao final de cada encontro são planejadas novas ações que devem ser realizadas até a sessão seguinte e sempre no início da próxima sessão essas ações são revistas por ambos. Todas as sessões são registradas e geralmente a cada 4 ou 5 sessões o trabalho que está sendo realizado é avaliado. 
3 – A produção Analítico-Comportamental sobre Coaching é muito pequena quando comparada a outras abordagens. Onde o Analista do Comportamento interessado na área deve se apoiar em seu trabalho? 
Sim, a produção é pequena ou praticamente inexistente, pelo menos no Brasil. No Journal of Applied Behavior Analysis é possível encontrar algumas referências sobre coaching relacionadas ao aumento de desempenho em alguma modalidade esportiva ou que lidam com ensino de pais ou professores que lidam com crianças com déficts comportamentais. O coaching que estamos tratando aqui diz respeito a um processo de desenvolvimento pessoal destinado a pessoas que estão bem, mas que desejam melhorar ou alcançar um objetivo. A maioria dos artigos publicados sobre coaching estão alocados na área de administração de empresas e falam quase que exclusivamente sobre o coaching executivo, e são tratados sob uma ótica cognitivo-comportamental. São raros os trabalhos publicados sobre coaching pessoal ou life coaching, mesmo assim a Austrália e os Estados Unidos são os países que mais publicam sobre o assunto. 

Os interessados terão que buscar nessas fontes as informações que desejam. Estou preparando um material sobre coaching que terá uma visão analítico comportamental, mas por enquanto os interessados devem aguardar ou garimpar e fazer uma releitura do que já existe! 
4 – Pensando a partir da perspectiva do cliente, qual o diferencial em se fazer Coaching ou com um Analista do Comportamento?
A meu ver o cliente que faz coaching com um analista do comportamento está fazendo coaching com um especialista no comportamento humano. Possuímos uma visão particular e ferramentas capazes de produzir resultados, já não precisamos mais provar a eficácia do nosso trabalho e acredito que ser um analista do comportamento pode contribuir muito e trazer vantagens para a prática como coach, nossa mala de ferramentas e nossa base conceitual são eficazes quando se trata de ‘mudança de comportamento’, o que acabam se tornando um diferencial diante do que existe no mercado do coaching, e claro, isso acarreta em vantagens também para o coachee. Existem poucos analistas do comportamento trabalhando com coaching, o que é uma pena, pois há muita demanda e outras abordagens e profissionais de outras áreas estão fazendo o que nós, analistas do comportamento, faríamos com excelência. 
5 – Poderia deixar algumas dicas para estudante e profissionais interessados no assunto? 
Sim, claro ! Diria aos colegas e futuros colegas que a Análise do Comportamento é uma área do conhecimento que ainda tem muito a contribuir com o mundo. O coaching se traduz como uma oportunidade para mostrar o serviços que somos capazes de prestar e uma oportunidade de diversificação de público que podemos alcançar. A meu ver, expandir nossa atuação é uma das maneiras de diversificarmos e divulgarmos ainda mais a análise do comportamento no Brasil. 
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