Chefe de “CNPq alemão” critica Ciência Sem Fronteiras

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O representante no Brasil da maior agência de financiamento à ciência da Alemanha (uma espécie de “CNPq alemão”) criticou nesta quinta-feira o programa federal Ciência Sem Fronteiras. De acordo com Helmut Galle, da DFG no Brasil, ainda não dá para saber como um brasileiro que, por exemplo, tenha estudado na Alemanha será reconhecido quando ele retornar ao país. “Na Alemanha a gente manda estudantes para o exterior com um projeto de estudos muito bem definido, uma parceria já estabelecida de intercâmbio entre os países. Sabemos como o estudante vai voltar”, disse. “Aqui isso tudo é muito novo e está sendo feito muito rápido”, completou.
Galle participou de uma mesa sobre o Ciência Sem Fronteiras com colegas europeus que trabalham em escritórios de intercâmbio na 64a reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em São Luís do Maranhão. O especialista alemão criticou ainda a exclusão das ciências humanas nesta primeira fase do programa federal de envio de estudantes a universidades do exterior. Até 2014, o programa pretende enviar mais de 100 mil estudantes de graduação e de pós-graduação para estudar fora, prioritariamente em exatas e em saúde. “Uma próxima versão do programa deveria contemplar todas as áreas. Se a demanda de pós doutorado no exterior está baixa, por que não permitir que alunos de humanas participem?”
Nesta quarta-feira, o presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) disse na SBPC que a demanda pelas vagas de pós-doutorado no exterior estavam bem abaixo do esperado. De acordo com Christian Muller, diretor do DAAD no Rio de Janeiro, escritório alemão responsável pelo intercâmbio de estudantes entre Brasil e Alemanha, a oferta de cursos com recorte específico nas ciências exatas e da saúde deve ser mantido até pelo menos 2014. “Depois disso, pode ser que incluam humanas.” Muller disse ainda estar impressionado com a atenção que a presidente Dilma Rousseff tem dado ao Ciência Sem Fronteiras. “Sei que ela já se reuniu pelo menos seis vezes com Capes e com CNPq para saber pessoalmente sobre o programa. Eu nunca me reuni com Angela Merkel [chanceler alemã]”, brincou.
INGLÊS FLUENTE
Os especialistas europeus reforçaram ainda a necessidade de estimular o ensino de línguas, especialmente do inglês, nas universidades brasileiras. “A formação em línguas estrangeiras é o maior obstáculo do Brasil. O Ciência Sem Fronteiras deixou isso bem claro”, analisou Muller. Hoje, boa parte das universidades estrangeiras que aderiram ao programa brasileiro ministra aulas exclusivamente em inglês – mesmo que o país não tenha a língua inglesa como idioma oficial. De acordo com Remon Daniel Boef, que é o diretor no Brasil do Nuffic, uma espécie de escritório de intercâmbio estudantil da Holanda, todas as 55 universidades daquele país têm aulas ministradas em inglês. “E todas aderiram ao Ciência Sem Fronteiras.”

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