IV JAC Jundiaí – Resumo – A importância da relação terapêutica na clínica analítico-comportamental

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Autor: Victor Mangabeira Cardoso dos Santos

A relação terapêutica pode ser definida como um conjunto de interações regulares entre terapeuta e cliente. Por se tratar de um contexto terapêutico, a relação estabelecida apresenta características específicas. Nesta interação, o terapeuta busca se estabelecer como uma audiência diferente daquela presente na vida diária do cliente. O terapeuta busca se apresentar como uma audiência não punitiva. Dessa forma, ele emite respostas de acolhimento e compreensão quando o cliente emite respostas que seriam punidas em outros contextos. Em longo prazo, o contexto terapêutico e o terapeuta se tornam reforçadores condicionados por removerem as estimulações aversivas e proporcionarem ocasiões em que as respostas do cliente são reforçadas. Outras características de artificialidade existem na terapia, por exemplo, o horário fixo, a cobrança, o tempo de sessão, etc., e estas devem ser levadas em consideração. Por outro lado, trata-se de uma interação entre dois indivíduos, o que confere à relação terapêutica características comuns a qualquer outra relação. Dessa forma, algumas terapias comportamentais surgiram nas décadas de 80 e 90 visando utilizar a relação terapêutica como instrumento de mudança no processo terapêutico. Dentre elas, destaca-se a Psicoterapia Analítica Funcional (FAP). Segundo a FAP, a relação terapêutica pode ser compreendida como mais uma das relações da vida do cliente e, por isso, pressupõe-se que os comportamentos clinicamente relevantes (importantes no processo terapêutico) ocorrem durante a sessão na interação terapêutica. Esses comportamentos são subdivididos em: (1) CCR1 – Comportamento Clinicamente Relevante 1, que descrevem os comportamentos-problema que ocorrem durante a sessão; (2) CCR2 – Comportamento Clinicamente Relevante 2, que descrevem comportamentos de melhora do cliente na sessão; e (3) CCR3 – Comportamento Clinicamente Relevante 3, que são descrições verbais do cliente sobre as variáveis de controle de seu próprio comportamento. Cabe ao terapeuta identificar, evocar e prover consequências adequadamente a cada um desses comportamentos clinicamente relevantes. Espera-se que ao final do processo o cliente apresente, durante a sessão terapêutica, mais CCR2 e CCR3, e que essa mudança se generalize para outras relações da vida diária do cliente.

Palavras-chave: relação terapêutica, terapia analítico-comportamental, psicoterapia analítica funcional

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