Contribuições para um professor-cientista

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Quando alguns fatores, como a baixa remuneração, a falta de estrutura física adequada para o ensino, uma formação acadêmica deficitária ou cheia de vieses políticos e outros entraves entram em cena é possível prever o que está por vir. Se levarmos em consideração o papel que o professor exerce em nossa comunidade, deveríamos dispor de todos os recursos possíveis a fim de garantir uma formação acadêmica adequada e a boa realização do seu ofício, mas estamos longe disso.
Apesar do desabafo inicial, o texto a seguir não se propõe a fazer uma discussão essencialmente política ou ideológica sobe as funções do professor, e sim apresentar de forma bastante sucinta as contribuições de B. F. Skinner para o papel do professor dentro de uma perspectiva cientifica de educação.

Em uma proposta científica para a educação, definir as funções do professor é um passo importante para um resultado final satisfatório. Em muitas de suas obras (1988/1991, 1984, 1981a, 1981b, 1973, 1968/1972, 1968, 1965, 1953/2007), Skinner traz contribuições interessantes sobre como o professor poderia atuar a fim de alcançar os objetivos educacionais visados pela comunidade onde a relação de aprendizagem está inserida.
Para Skinner (1972), o professor é o principal responsável por planejar as principais contingências de reforço a fim de “facilitar a aprendizagem”. Compete a ele formular os objetivos educacionais finais e intermediários e dispor as condições necessárias para que o aluno se comporte de acordo com os mesmos, de modo a produzir conseqüências que contribuam para a manutenção e instalação do comportamento emitido. Nesse sentido, o professor deve ter um bom planejamento de seus objetivos: “Apenas definindo o comportamento que queremos ensinar podemos começar a pesquisar as condições das quais ele é função e a planejar um ensino efetivo” (p. 173).
Segundo Zanotto (2000), o docente deve considerar aspectos relativos à história de vida do aluno a fim de conhecer o repertório que ele já possui e as variações da suscetibilidade aos reforçadores disponíveis na situação de ensino. Além de poder, caso seja necessário, planejar condições especiais de ensino. É importante que o professor entenda as condições sob as quais a aprendizagem ocorre a fim de tornar mais eficiente, não só no ensino da matéria e de habilidades almejadas, mas também no gerenciamento da sala de aula.

Uma tarefa também importante no trabalho do professor é arranjar contingências que favoreçam a generalização dos conteúdos e habilidades aprendidos na escola para um ambiente natural. A partir das contingências organizadas em sala de aula, é preciso preparar o aluno para que ele possa enfrentar as contingências naturais da vida. O professor deve agir no sentido de tornar o seu aluno cada vez mais independente. Conforme descrito por Skinner (1972): “quanto melhor o professor, mais importante é que ele liberte o aluno da necessidade de auxílio instrucional” (p. 136).

Agradecimentos à Maria Ester Rodrigues e Natalie Brito pelas correções e comentários.

Referências Bibliográficas:
Skinner, B. F. (2007). Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes. Publicação original de 1953.
Skinner, B. F. (1991). Questões Recentes na Análise do Comportamento. Campinas: Papirus. Publicação original de 1988.
Skinner, B. F. (1984). The shame of American education. American Psychologist, 39, 947-954.
Skinner, B. F. (1981a). How to discover what you have to say — A talk to students. The Behavior Analyst, 4 (1), 1-7.
Skinner, B. F. (1981b). Innovation in science teaching [Letter to the editor]. Science, 212 -283.
Skinner, B. F. (1973). The free and happy student. New York University Education Quarterly, 4(2), 2-6.
Skinner, B. F. (1972). Tecnologia do ensino. Tradução de Rodolpho Azzi. São Paulo: EPU. Publicação original de 1968.
Skinner, B. F. (1968). Teaching science in high school — What is wrong? Science, 159, 704-710.
Skinner, B. F. (1965). Why teachers fail. Saturday Review, 48, 80-81, 98-102.
Zanotto, M. L. B. (2000). Formação de Professores: A contribuição da Análise do Comportamento. São Paulo. EDUC.

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