[Entrevista Exclusiva] – Prof. Ângelo Sampaio (VII JAC Salvador)

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O prof. Ângelo Sampaio, referência no país em estudos sobre Metacontingências e Práticas Culturais, concedeu uma entrevista exclusiva ao Comporte-se durante a VII JAC Salvador. Ele falou sobre a formação e disseminação da Análise do Comportamento, bem como da área no Nordeste do Brasil. Confiram abaixo:
AlineÂngelo, para começar, queria saber um pouco sobre a sua trajetória na Análise do Comportamento. Como foi que você se interessou pela abordagem e, mais especificamente, pela área de Metacontingências e Práticas Culturais?
Ângelo Sampaio – Acho que já entrei para a faculdade com uma tendência a estudar cultura e práticas sociais. Na época, eu pensava: “quero fazer Psicologia para mudar o mundo”. Me vi entrando assim, na UFBA.
Nos primeiros semestres me atraí bastante pelas discussões da Psicologia Comunitária e Social. Só depois de um tempo, cursei as disciplinas de Teorias e Sistemas Psicológicos I, II e II, momento em que acho que passei por uma confusão que todo mundo enfrenta. Que confusão! Cada uma [abordagem]falava uma coisa, partia de lugares diferentes para chegar em lugares diferentes.
Peguei uma professora, que hoje em dia nem trabalha mais com isso, que me apresentou a Análise do Comportamento; abordagem que, para mim, pareceu mais coerente. Então, comecei a estudar esta disciplina, especialmente a partir do livro Compreender o Behaviorismo, do William Baum.
Continuei estudando Análise do Comportamento a graduação inteira. Depois disso, envolvido com a área, fiz extensão, estágio e emendei com o mestrado. O estudo de metacontingências meio que casou a abordagem epistemológica que eu tinha escolhido e o interesse que eu tinha. Comecei a me interessar e, por conta disso, fiz o mestrado na área.
AA Análise do Comportamento é uma abordagem que, por ir contra muito do que a cultura ensina, costuma sofrer bastante rejeição, mesmo diante de seus resultados. Em sua opinião, o que pode ser feito pelos profissionais desta abordagem para vencerem esta dificuldade e tornarem-na uma abordagem mais reconhecida?
AS – Isso é difícil. Acho que em parte, no geral, em especial porque essa coisa de resultados não importa tanto na Psicologia, infelizmente. Acho que os professores deveriam enfatizar mais isso.
Existe muita discussão na Psicologia sobre “qual é a melhor estratégia”, independente dos resultados: “qual te agrada mais?”; “com qual você se sente mais à vontade?”. Acho que isso deve ser evitado ao máximo. No mais, é continuar produzindo e mostrando resultados. Uma coisa que iria ajudar seria dialogar mais com outras áreas com as quais partilhamos certos pressupostos, como a Biologia, Economia e por aí afora. Tenho a impressão que essa visibilidade externa à Psicologia pode ajudar, inclusive, dentro da própria Psicologia.
AVocê é professor da UNIVASF (Petrolina) e se formou aqui pela UFBA (Salvador). Como você avalia o desenvolvimento científico da Análise do Comportamento na região Nordeste? E quanto à adesão de novos profissionais, estudantes e pesquisadores?
AS – Não conheço detalhes da história da Análise do Comportamento na região como um tudo, mas tenho a impressão de que não havia praticamente nada dela até meados da década de 90.
Lá na UFBA, acho que havia apenas dois professores. Em outras capitais do Nordeste era muito parecido ou ainda pior. A partir daí, aqui em Salvador – com as faculdades particulares –, as coisas começaram a crescer. Mas acho que reflete o que aconteceu no Brasil como um todo, também. Acho que agente tem decolado bem rápido, caminhando na direção certa, com muita gente se envolvendo, muita gente se formando.
Estava comentando com um colega que ainda não temos doutores para fazer concursos para as matérias, e isso é um problema. Mas acho que aos pouquinhos as coisas têm mudado, embora ainda estejamos longe do ideal.
AEste ano o Nordeste irá sediar a ABPMC pela primeira vez. Que importância a realização do evento em Salvador tem para o desenvolvimento da abordagem na região?
AS – Acho fundamental, muito importante, tremendamente importante, por vários motivos. Primeiro, porque boa parte do público da ABPMC é sempre de estudantes, então acho que muitos estudantes aqui da região vão ter, pela primeira vez, oportunidade real de participar do evento que, também pela primeira vez, ocorre aqui mais perto. Sempre foi em São Paulo, Londrina ou Brasília; até mais perto, mas mesmo assim, para o pessoal daqui, do Pará, e tal, continuava bastante difícil.
Acho que vai ser importante para apresentar melhor a área para os estudantes e profissionais da área aqui do Nordeste, trocar idéias, fortalecer os laços, se conhecer melhor. E acho que vai ser importante para a região em relação ao resto do Brasil, pra gente ter a chance de mostrar o que tem sido feito aqui; e talvez, “chacoalhar” a galera, pois para uma região que corresponde a um quarto do Brasil, a gente tem muito pouca coisa.
APra finalizar, gostaria que você falasse um pouco sobre o II Encontro de Análise do Comportamento do Vale. Como está a organização do evento? O que ele promete?
AS – A gente vai realizar, agora no início de junho, o II EAC do Vale lá em Petrolina. Já estamos com a programação basicamente fechada. Seguiremos um pouco a linha do primeiro: sem uma temática específica, tratando de várias questões relacionadas à Análise do Comportamento; trazendo gente de fora, mais tradicional e reconhecida na área. A prof. Deisy de Souza, da Ufscar confirmou presença.
Também vamos trazer o Marcelo José, da Petrobrás, pra falar de Organizacional. E temos sempre tentado trazer alguém da região para, aos poucos, estreitar estes laços. Thiago Ferreira, aqui de Salvador, também vai estar lá. E como sempre, a gente tem tentado valorizar a produção lá da UNIVASF. Teremos alguns estudantes que defenderam sues trabalhos de conclusão de curso se apresentando.
A gente aprendeu algumas coisas com o primeiro evento, que ajudarão a fazer o segundo ainda melhor. Estamos com expectativas muito boas. A resposta do primeiro foi ótima e a organização deste está bastante adiantada. Acho que vai ser muito bom.
Quem estiver por perto, então… [risos]. Salvador é a capital mais próxima, então você tem que aparecer por lá.

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