A Motivação Interfere nos Resultados do Teste de QI

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Um novo estudo publicado na revista científica PNAS, realizado por uma equipe de Psicólogos da Universidade da Pensilvânia – Filadélfia (EUA), demonstrou que a pontuação obtida por pessoas submetidas ao teste de QI é fortemente influenciada pela motivação com que realizam as tarefas. 
Todas as 2 000 pessoas que participaram do experimento tiveram sua pontuação aumentada após receberem incentivos para realizarem o teste. A diferença foi maior ainda entre aqueles que tiveram pontuação menor na primeira testagem. 
O site Ciência Hoje [link], veículo que divulgou a pesquisa no Brasil, não informou se nas duas testagens foram usados os mesmos testes e nem qual o intervalo de tempo entre as duas testagens; informações importantes, já que quando o sujeito é exposto pela segunda vez a uma mesma situação, ele já possui algum conhecimento sobre como agir diante dela, o que poderia ser minimizado com um intervalo de tempo maior entre uma e outra testagem e outra. 
Esta possibilidade não torna menos relevantes os resultados da pesquisa, especialmente diante da quantidade de pessoas que dela participou. Os dados colhidos servem de alerta para o quanto se confia em um teste de QI e, principalmente, para a importância de se avaliar outros aspectos da vida de quem é submetido a este tipo de avaliação.
Há cerca de uma década um Psicólogo da Universidade de Harvard já havia avaliado os resultados destes testes, e do mesmo modo, defendia que a Inteligência Emocional tinha um papel importante no desempenho da pessoa. Inteligência Emocional é um conceito que tem como definição a capacidade de reconhecer e lidar com os próprios sentimentos e com os sentimentos dos outros. 
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4 COMENTÁRIOS

  1. Li outro dia que o tempo necessário para que a realização de um teste não afete positivamente o desempenho no reteste é de certa de 7 anos. Mas isso deve variar conforme o tipo de teste, e eu também não me lembro do tamanho dos efeitos envolvidos. Da mesma forma, é importante saber o tamanho da melhora de desempenho no reteste dessa pesquisa.

    Cara, com certeza o “quadro emocional” da pessoa no momento da testagem afeta o seu desempenho. Um amigo contou-me que um dos melhores bateristas do mundo (Aquiles) mandou muito mal em um processo seletivo para entrar em uma banda de Rock muito famosa. Por outro lado, penso que pode haver uma grande diferença entre “motivação” e “inteligência emocional”. P. ex., uma pessoa emocionalmente inteligente pode querer não levar muito a sério uma testagem específica, ao passo que isso poderia ser diferente caso lhe pagassem alguns trocados. Ademais, há pesquisas mostrando que o que chamam de “inteligência emocional” seria melhor tomado como traços de personalidade, e há outras pesquisas que mostram que esses traços não afetam significativamente o desempenho intelectual.

    Enfim, há ainda muita dúvida acerca de como a paisagem emocional influencia o desempenho intelectual, e decerto o QI é uma medida que, apesar das críticas, ainda tem lá sua importância (p. ex., por ele pudemos verificar o “efeito Flynn” e questionar sobre seus determinantes).

  2. Excelentes observações, Daniel!

    Na notícia, a pesquisa sobre Motivação é diferente da pesquisa sobre Inteligência Emocional. São duas pesquisas. O que elas tem em comum é investigar outros elementos fora o desempenho no teste, e ambos, relacionados à emoção.

    Inteligência Emocional é um conceito extremamente problemático, de fato. Existem inúmeras definições.

  3. Gostaria de ler o artigo, mas infelizmente não consegui achar no PNAS, entretanto, pelo que li na notícia original, a autora não questiona a validade preditiva dos escores nos testes de QI, mas sim, a relação do poder preditivo dos dois tipos de fatores, QI e motivação, para o sucesso profissional e afins. Aparentemente, as pessoas que pontuam abaixo da média em testes de QI possuem um desvio padrão significativamente mais alto – quando comparados os fatores motivacionais – em relação aos que pontuam acima da média.

    Alguns pontos que você e o Daniel trouxeram acerca dos métodos da pesquisa parecem ser explicados, um dos estudos foi uma meta-análise sobre o efeito motivacional no escore do QI. E o experimento consistiu nos pesquisadores assistindo vídeos antigos de crianças respondendo a testes de QI e observarando como elas os respondiam (para avaliar a motivação delas), depois analisaram suas carreiras para verificar quais obtiveram sucesso na vida.

    Há muito tempo já se sabe que qualquer avaliação ou pesquisa realizada precisa estar atenta à variável motivacional, inclusive a dos pesquisadores, que podem – a partir de suas expectativas – influenciar os resultados (Efeito Rosenthal). Mas o estudo traz um bom questionamento para quem faz pesquisa e testagem, é importante sempre observar outros fatores que não só a pontuação bruta.

    Até mais.

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