Máquinas de Ensinar: do Pense Bem ao Ipad

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    Fala pessoal. Meu nome é Rodrigo Oliveira, estou cursando o 9º período de Psicologia na Universidade Federal de Goiás – Campus Jataí e tenho um interesse especial pela Análise do Comportamento, principalmente no que diz respeito a sua aplicação. Sou um dos selecionados para compor o quadro de colunistas do Comporte-se e meu primeiro texto será sobre Educação. Abraços

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    Sempre que me remeto ao Tecnologia de Ensino (1975), de B. F. Skinner, fico fascinado com os modelos análogos à sua Máquina de Ensinar¹ que temos hoje, e com as infinitas possibilidades de programações de ensino que podem ser feitas com os recursos a disposição.
    Alguns de meus contemporâneos (década de 80 :) ) tiveram a sorte de encontrar um “Pense Bem” embaixo de suas árvores natalinas. Aos que não se recordam, o “Pense Bem” (originalmente, smart start) era um brinquedo com uma carcaça similar a de um notebook, contendo 8 jogos matemáticos e dois de tons, sendo um deles parecido com outro brinquedo das antigas – o Genius, da Estrela. O grande diferencial do produto estava nos livros ilustrados com personagens infantis e comprados separadamente, que permitiam ao usuário responder perguntas sobre história, geografia, matemática e interpretação de textos, escolhendo a tecla correspondente a alternativa correta.

    Tudo bem que o produto não preenchia todos os requisitos elencados por Skinner para que uma “maquina de ensinar” fosse efetiva no que se propõe a fazer, mas era mais uma amostra de que a aprendizagem mediada por máquinas poderia ser eficaz e divertida.
    Dando um salto para o mundo dos adultos, podemos observar que nosso desenvolvimento no que tange a computadores nas últimas décadas foi tão dinâmico que me sinto inibido de tentar esboçar uma linha do tempo. O principal disso tudo é que com a massificação dos personal computers e a simplificação na utilização de seus recursos, as possibilidades de interação homem – máquina – homem se tornaram infinitas, abrindo um leque de possibilidades para a área educacional.
    Recentemente uma nova linha de produtos me chamou atenção. O Ipad, novo tablet da Apple, é um aparelho de 9,7 polegadas que une computador, videogame, tocador de música e vídeo e leitor de livro digital, estando situado entre um smartphone e um netbook. Sua utilização é tão simples que existe uma linha de produção de jogos para gatos (!?):
    Crianças ainda de tenra idade “dominam” a máquina com um mínimo de instrução, demonstrando o quanto o sistema operacional é amigável e intuitivo:
    Porém o que mais me atraiu nesta geringonça foram os recursos que ela oferece para o desenvolvimento de programas a serem utilizados na aprendizagem de crianças neurotípicas e autistas, que, aliados a sua portabilidade, se tornam uma excelente ferramenta:
    No que diz respeito ao autismo, os programas são, em geral, reproduções de tecnologias de ensino com bases analítico-comportamentais, amplamente utilizadas nos Estados Unidos (PECS, TEACCH…).
    Vale ressaltar que a revolução tecnológica não é novidade. Na metade do século passado especulava-se que a televisão revolucionaria a educação mundial. O que temos hoje é um excelente meio de comunicação e entretenimento – mas quando nos voltamos à educação formal, poucos heróis conseguem acordar às 5:00 da manhã e digerir um Telecurso.
    Skinner, como um bom preditor de comportamentos, se antecipou com relação a muitas demandas sociais e, pasmem, nas soluções para as mesmas. Investir em tecnologias de ensino com os recursos que temos hoje pode se tornar uma grande auxiliar contra os déficits educacionais do nosso País. Mãos a obra.
    Agradecimento: Professor Ms. André Amaral Bravin
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    12 COMENTÁRIOS

    1. Legal o texto, parabéns! Quem sabe estamos caminhando para um ponto em que até a MAIS HUMANA DAS PROFISSÕES, a profissão de psicólogo, será substituída por máquinas também, hein?

    2. ótimo artigo! Finalmente descobri um uso não tão reacreativo para os tablets. E os videos mostram que, também na tecnologia, a genialidade está sempre ligada à simplicidade (no caso, da interface do ipad)

    3. Fala Nicolau. Acho que algumas coisas são intrínsecas aos humanos.

      Deixar uma máquina fazer melhor o que antes era feito por homens tem implicações éticas interessantes.

      No caso das máquinas de ensinar, elas servem como mediadoras (homem – máquina – homem).

      Para o Skinner o professor seria um arranjador de contingências de reforçamento. Isso já daria margem para milhões de arranjos.

      Um cara que, salvo alguns aspectos ideológicos, tem coisas interessantíssimas sobre essa relação educador-educando é o paulo Freire.

      Agora matutarei sobre o que seria intrinsecamente humano numa relação de ensino… =:)

      Abração

    4. Eu pensei nem tanto na tecnologia como ferramentas de ENSINO (já que isso não é exatamente coisa de psicólogo), mas nessas intervenções estruturados, como programas de trabalho com autistas. São trabalhos complicados e chatinhos, e realmente facilita haver uma máquina como mediadora. Só que a tendência é essa “mediação” acabar tomando totalmente a função, e a máquina passa a agir de forma mais independente com a pessoa. Aí a mão de obra do psicólogo vai tornando-se menos necessária. Mas isso ainda leva anos pra chegar num ponto preocupante.

    5. No caso do autismo acredito que as máquinas sirvam mais – ou somente – para habilidades acadêmicas e comunicação não verbal.

      O psicólogo entraria com o desenvolvimento de um repertório básico para que possa haver o treino das habilidades acadêmicas, desenvolvimento verbal e habilidades sociais.

    6. Achei muito interessante o aplicativo que incentiva a criança com autismo a olhar nos olhos de uma “criança virtual” e verbalizar o número que neles aparecem; e fiquei curioso com os efeitos disso: há generalização, isto é, essas crianças passam a se direcionar mais às pessoas as olhando nos olhos? Fiquei curioso também no que toca aos reforços. Entendi que a criança, ao atingir uma pontuação específica, ganharia algo como um brinquedo (mostra-se um carrinho na barra de ferramentas da esquerda).

      Excelente texto, Rodrigo! Um abraço!

    7. Fala Rodrigão. Parabéns pelo primeiro texto. Continue escrevendo e nos mostrando novidades do mundo analítico comportamental e sua interface com a educação.

      Abraços

      =)

    8. Digão, fantástico o texto. Gostei pra caramba mesmo. Parece que esse casamento entre Análise do Comportamento e Educação tem rendido bons frutos.
      Parabéns! Abraço.

    9. Muito bom o texto e a seleção de vídeos.
      O último vídeo é o mais interessante, pelos aspectos que o Daniel apontou.
      Chega me arrepiei ao ver o jogo dos olhos (correlatos orgânicos associados a reforçamento positivo. rsss).

      Parabéns!
      Abraços,
      Fábio.

    10. Rodrigo, muito legal seu texto!!
      Há uns dias atrás, eu estava olhando em alguns blogs via Comporte-se e encontrei dois links de máquinas de ensinar. Essas máquinas, pelo que entendi, são “traduções” para computador das máquinas de Ensinar desenvolvidas pelo Skinner, e o projeto é da UFRGS. É bem divertido. Você vai completando as frases com palavras-chave especificas e o texto vai passando. Tem a parte I, sobre respostas reflexas e a parte II sobre condicionamento operante!

      http://www6.ufrgs.br/psicoeduc/maquina-de-ensinar/

      http://www6.ufrgs.br/psicoeduc/maquina-de-ensinar-2/

      Como eu não conhecia nada a respeito do tema, fui dar uma “gugada” e acabei encontrando um vídeo do proprio Skinner falando sobre máquinas de ensinar. Achei bem legal.

      http://www.youtube.com/watch?v=vmRmBgKQq20

      E aí vim passear pelo blog e vi sua matéria, adorei! Eu tava achando ó máximo a idéia desses programas, mas pelo que pude ler, o negócio está muito adiante já. Eu sei que na UFSCar a profª Deisy das Graças, e se não me engano o porf Julio de Rose trabalham com um software voltado para aprendizagem de leitura, com pesquisas na área de equivalência de estímulos. Me parece que o software ja foi patenteado porque eles estão abrindo para algumas redes municipais, inclusive tem o acesso no site dos laboratórios deles. Ate´onde sabia era para PCs, mas quem sabe não surge a ideia de colocarem em aplicativos também.

      parabéns pela publicação!

    11. Oi Isadora!

      Obrigado pelo elogio. Esse site da UFRGS é super bacana, apesar de eu achar a instrução programada super chata, hahaha. Acho que teríamos grandes possibilidades com a inserção da Análise do Comportamento na Educação.

      Eu sei que na UFSCar eles tem um software chamado Mestre que é super interessante. Estou tentando meu mestrado lá, com o professor João Carmo, espero que dê certo.

      Se esse é um assunto que te interessa, vamos trocar umas idéias depois.

      Abração

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