Você já parou pra pensar no que motiva a homofobia?

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Rodrigo Xavier discute uma das possibilidades em seu texto Por Que as Pessoas Sentem e Praticam a Homofobia? postado no site Psicologia e Ciência neste dia 16 de novembro. 
Seu texto parte de uma cena do seriado americano Glee, na qual Dave, um valentão homofóbico, beija Kurt, um rapaz que era vítima de Bulliyng por ser gay. Xavier usa o conceito de Formação-Reativa, de Freud, que foi operacionalizado pelo Analista do Comportamento Murray Sidman, em seu livro Coerção e Suas Implicações para explicar esse comportamento.
Basicamente, diz-se que a homofobia pode ser fruto de um padrão de resposta contrário aquele que foi punido; no caso, comportamentos que caracterizam interesse por outros homens. Ilustra com a citação de Sidman: “Quando somos fortemente impelidos em direção a uma ação que inevitavelmente trará um choque, uma maneira efetiva de nos impedirmos de fazê-lo é fazer o oposto” (p.182).
O autor cita também uma pesquisa realizada nos EUA que demonstrou que homens homofóbicos se excitam ao assistir filmes de sexo gay, enquanto aqueles que não são homofóbicos se excitam apenas diante de cenas de sexo hétero ou homossexual feminino. 
O texto é ótimo e vale a pena ler inteiro. Clique aqui para ter acesso.
Naturalmente “esconder um desejo secreto por pessoas do mesmo sexo” não é o único motivo que leva alguém a se comportar como homofóbico. Por exemplo, um indivíduo que cresce em meio a um grupo social com regras rígidas de rejeição à homossexualidade provavelmente irá se comportar de maneira hostil com homossexuais.
E você, leitor? Em sua opinião, o pode motivar a homofobia? 

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3 COMENTÁRIOS

  1. A homens que guardam seus segredos mais intimos a sete chaves e os levam escondidos para baixo da terra. Estes morrem sem ao menos sentir o gostinho do que é ser verdadeiramente livre.

    Acredito nesta tese: eles odeiam a coragem dos seus semelhantes que não estão nem ai para o que os outros vão falar e, acima de tudo, odeiam a si mesmo, por tentar luta contra si próprio de uma forma ineficaz.

    hugo perpetuo

  2. Bom, eu realmente não sei falar a respeito da motivação para agir homofobicamente, mas acho que dá pra gente entender um pouquinho alguns porquês disso existir na sociedade. Em termos de comportamento sexual, não existe uma norma na natureza. Ela é essencialmente bissexual (pensando em possibilidades de coito entre os sexos masculino e feminino, porque se formos pensar, qualquer objeto satisfaz, com o perdão da expressão) A prática heterossexual, porém, é a única que visa à reprodução, ou seja, dentre as inúmeras práticas sexuais, a heterossexual é apenas uma delas.
    Desconsiderando um pouco a questão biológica, e pensando historicamente, a cultura ocidental é uma herança judaico-cristã. Grosso modo, todo nosso modo de encarar as práticas sociais (incluindo práticas sexuais) remonta aos patriarcados, muitos anos antes de Jesus. O povo judeu era uma minoria descentralizada, dissipada e escravizada por inúmeros povos poderosos daquela época. Em função da necessidade de sobrevivência, eles se organizaram em patriarcados, liderados por chefes de família masculinos, e todos sob uma figura de poder masculina, que é Deus. “Eliminando” o politeísmo, ficava mais fácil transmitir idéias e valores à população, cujo controle também era facilitado.

  3. Ou seja, começou a tomar corpo uma estrutura civil, organizada em função da religião monoteísta (novidade para a época). Porém, uma nação não se constitui apenas por compartilhar de uma crença e um código de conduta, era necessário também que se organizasse um exército, a fim de defender os interesses da população, entre eles conquista de território e defesa contra invasores. Porém, os judeus além de não terem um território estabelecido, não tinham uma população numerosa. Para aumentar a população, realizaram uma espécie de manejo demográfico, proibindo todas as práticas sexuais que não tivessem como objetivo a reprodução. Como a religião já estava muito bem estabelecida e a figura de controle absoluta era Deus, atribui-se a condição de pecado punido de morte a quem desobedecesse a regra. Culturalmente falando, a heterossexualidade foi um comportamento selecionado com o objetivo de aumentar a população. De mesmo modo, a religião se estabeleceu como uma instituição de controle, e diga-se de passagem, controle aversivo.
    Com o passar do tempo e a expansão do império romano, os judeus foram novamente dominados e perseguidos. Porém, à essa época, as práticas cristãs já estavam disseminadas, e os romanos, conhecidos por dominar por força bruta e sucumbir por força intelectual, se apropriaram do cristianismo e disseminaram-no de maneira mais elaborada, chegando ao que conhecemos hoje. Estruturas religiosas desenvolvidas em igrejas, com códigos muito bem estabelecidos, e que até muito pouco tempo eram o principal organismo de controle de uma população.
    Se atentarmos para a ordem dos evangelhos, no inicio da organização judaica, citado no primeiro testamento, o Deus citado é um Deus vingativo, de exércitos, bravo, vaidoso, com todas as características “inerentes” a uma figura de poder da época. Já no segundo testamento, que foi escrito após a passagem de Jesus, a imagem disseminada é diferente, prega outros valores pois o povo judeu já estava “organizado”, porém, os valores da época continuaram de certa forma controlando a população. E concretizando a estrutura político-religiosa, os romanos estruturaram a igreja, tal como a conhecemos hoje e foram disseminando entre os povos conquistados.
    Infelizmente, até hoje a gente pode encontrar alguns desses valores ainda vigentes, apesar de não se necessitar fazer com que a população mundial cresça. Há resquícios nas religiões, nas leis, no discurso médico tão imbricado no nosso cotidiano, no nosso comportamento, no nosso pensamento. Mas essa contingência em terceiro nível foi tão bem estabelecida, e há tanto tempo, que constituiu-se uma ideologia, e nós perdemos a referencia e achamos que é natural ser heterossexual, e é sujo, ou doente ser homossexual, quando na verdade é uma questão histórica, e melhor dizendo, uma contingencia matricial de terceiro nível.

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