Habilidades Sociais: como fazer e receber elogios?

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Atendendo ao pedido de uma leitora, a discussão de hoje da série sobre Habilidades Sociais é: como fazer e receber elogios? Como já sabem os que acompanham a série, as idéias aqui trazidas são de Vicente Caballo, em seu livro Manual de Avaliação e Treinamento das Habilidades Sociais, publicado em 2006 pela editora SANTOS.
Como fazer elogios?

Elogios podem ser definidos como “comportamentos verbais específicos que ressaltam características positivas de uma pessoa“(Caballo, 2006, p. 254). O autor também cita diversos motivos pelos quais devemos fazer elogios, expressando nosso apreço – quando realmente há um porque de se elogiar. Dentre os motivos citados por Caballo, estão:
1. Os outros desfrutam, ao ouvir expressões positivas, sinceras, sobre como nos sentimos com relação a eles;
2. Fazer elogios ajuda a fortalecer e aprofundar as relações entre as pessoas;

3. Quando fazemos elogios aos demais, é menos provável que se sintam esquecidos ou não apreciados;

4. Nos casos em que precisamos expressar sentimentos negativos ou defender nossos direitos diante de alguém, é menos provável que esta pessoa reaja de maneira inadequada quando, em outras situações, outros aspectos seus foram elogiados;
Gostaria de propor um exercício aos leitores. A maoria de nós não presta atenção quando as pessoas ao nosso redor agem da maneira que nos agradam (p. 255). Quando nos desagradam, no entanto, logo reclamamos. O exercício é o seguinte: a partir de hoje, preste um pouco mais de atenção nas coisas boas que as pessoas fazem para você; e, quando elas fizerem, retribua com um elogio. Vai ver como suas relações irão melhorar.
Porém, antes de sair por aí elogiando, existem alguns aspectos que devem ser levados em consideração. São eles: 
1. Os comportamentos que são valorizados por aqueles que nos rodeiam, tendem a se repetir na presença destes. Mas como lembra Caballo (p.255), ignorar o comportamento que nos agrada e punir o que nos desagrada é uma maneira nada eficaz de ensinar ao outro como queremos que ele nos trate. 
2. Os elogios, normalmente, podem ser feitos sobre o comportamento, a aparência ou posses da outra pessoa. São mais eficientes quando são a) específicos, isto é, dizendo exatamente o que nos agrada na outra pessoa, e; b) referimo-nos a pessoa pelo nome.
3. Os elogios são mais significativos quando expressos em termos de nossos próprios sentimentos e não em termos absolutos. Ou seja, é melhor dizer “gostei de seu cabelo” do que “seu cabelo é lindo”. 
4. Muita gente tem dificuldade em aceitar um elogio diretamente. Talvez por modéstia, ou simplesmente por não saber o que dizer. Alguns autores recomendam que, para evitar este tipo de problema, o elogio seja seguido de alguma pergunta; pois, deste modo, a pessoa pode focar sua atenção em responder a pergunta ao invés de procurar como reagir ao elogio. 
Caballo (idem) ainda recomenda que, para que suas expressões positivas sejam mais confiáveis, caso não seja de seu costume elogiar, você comece aos poucos, e vá aumentando a frequência progressivamente. Diz ainda que, no início, é melhor que estes sejam expressos de maneira conservadora, pois expressões repentinas de apreço levantam suspeitas. Recomenda também que não ofereçamos expressões positivas quando queremos algo da outra pessoa. Nesta situação, provavelmente o elogio não será levado a sério e ainda pode pegar mal. Explica também que devolver o elogio que recebemos com outro igual pode soar superficial – como uma obrigação. 
Quando elogiamos os demais, é provável que também sejamos elogiados. Para que estas trocas positivas continuem, é importante que saibamos como responder aos elogios. 

Como receber elogios?


Se, ao recebermos elogios, nós os negamos (“quem? Eu?”), mudamos o foco da atenção (“eu também gostei de sua roupa”), ou recusamos (“Você gostou mesmo do que falei? Foi feito tão às pressas, nem ficou bom”), é provável que recebamos menos elogios no futuro.

Caballo (p.256.) explica que, muitas vezes, um simples “Obrigado!” ou um “Obrigado, você é muito gentil”  são mais do que suficientes para que quem elogiou sinta-se satisfeito e volta e elogiar no futuro.

Para concluir, gostaria de retomar o exercício proposto lá no início. Não se esqueça de fazer elogios às pessoas que te cercam. Ao fazer isto, procure se lembrar de tudo o que foi discutido neste texto e depois me diga se suas interações sociais não melhoraram. 

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7 COMENTÁRIOS

  1. Muito útil esse texto. Quantas vezes não nos chocamos com os empecilhos principais de se fazer um elogio porque achamos que a pessoa já sabe que é boa em determinada atividade, ou que já sabe que sua aparência é legal, enfim, achamos que todos já têm consciência das próprias qualidades mas parece que, inexplicavelmente, nosso cérebro nos diz “os defeitos eles não reconhecem nunca” e nós desatamos a enumerar todas as coisas chatas que todo mundo faz, ou todos os pontos fracos que todos têm, ou dizer quantas espinhas Fulano tem no rosto, e que a Ciclana deveria raspar as pernas. Minha impressão ou sofremos com essa falta de filtro? E também ao receber o elogio, eu pelo menos estou tentando mudar, mas antes era automático “você está linda” a resposta era “eu não tenho dinheiro não, nem queira me adular!rs”
    Temos que pensar bem nisso, realmente policiar o que falamos, ou melhor, o que pensamos antes de falar…Parabéns pelo blog!!!

  2. Oi Fernanda,

    eu quem agradeço a sugestão. Sempre que tiver alguma, passe por aqui, será um prazer atendê-la.

    Provavelmente existe sim algum tipo de fobia a elogio. Geralmente pessoas muito tímidas costumam ter muito medo de recebê-los.

    Quanto a ficar só no obrigado, você tem razão. Às vezes é complicado, especialmente quando somos pessoas tímidas. É como se não falar nada demonstrasse algum tipo de fraqueza, é isso? Bom, o “você é muito gentil” costuma cair bem. E à medida em que você for se expondo às situações e dizendo isto, vai ver que vai ficando mais tranquilo. Se o assunto meio que acabar após o elogio, não se culpe, pois o que tem alí é uma relação, e vc não é a única responsável por manter o diálogo.

    Caso se incomode demais com isso, de fato, pode redirecionar a atenção a outro foco. Algo como:

    Elogio: você está linda hoje, Fernanda. Sorrindo assim fica mais linda ainda.

    Você: obrigada, você é muito gentil.

    … pausa no assunto….

    Você: reparou como a festa… (aqui você pode comentar sobre qualquer aspecto do contexto).

    :)

  3. Jéh,

    acho que faz parte da cultura. Não aprendemos a elogiar, porque quando o outro faz algo qu nos agrada ele simplesmente fez… quando faz algo que nos desagrada, nos incomoda, portanto, temos que sinalizar.

  4. Oi! Acabei visitando o seu blog por procurar por ‘habilidades sociais’ no Google! Já que texto é sobre fazer elogios, vou por um pouco em prática: gostei muito do texto, principalmente da maneira didática que você cita o que fazer ou não fazer:)Parabéns!

  5. Oi, Neto! Gostei muito do seu texto. A linguagem está bem acessível e o assunto foi tratado de maneira breve, tornando os princípios descritos perfeitamente aplicáveis. Repassei para meus colegas de dentro e fora da área e tenho certeza de que será útil para todos!
    Obrigada!

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