Habilidades Sociais: como encerrar uma conversação?

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Em mais uma postagem da série sobre Habilidades Sociais, pretendo falar, atendendo a pedidos, sobre como encerrar uma conversação de maneira assertiva. Como já sabem, as discussões da série são todas pautadas nas idéias apresentadas por Vicente E. Caballo em seu livro Manual de Avaliação e Treinamento das Habilidades Sociais. 

Conforme explica o autor, toda conversação tem um limite temporal (p. 244). Chega em um ponto no qual realmente o assunto acaba. Identificá-lo  e encerrar a conversação neste momento é uma habilidade importante para a manutenção de bons vínculos sociais. Insistir quando já não há mais o que se dizer, ou mesmo tentar mudar de assunto quando o fluxo da conversa terminou, pode te deixar como o chato da história.

Geralmente, uma conversa deve ser encerrada quando:

1) o interlocutor mostra-se incomodado com o tempo;

2) o interlocutor mostra cansaço, desatenção ou inquietação com relação à conversa;

3) o interlocutor começa a direcionar o corpo em direção contrária a quem fala, diminuindo a freqüência  das verbalizações em relação a esta pessoa;

4) o interlocutor começa a falar menos e a olhar para os lados, o relógio, ou emitir outros sinais de que a conversa já não lhe parece interessante.

Em algumas situações, realmente pode ser mais interessante mudar de assunto do que de simplesmente encerrar a conversação. Cabe a quem fala realizar uma avaliação da situação e verificar se o que está deixando de chamar a atenção é o assunto ou, de fato, a interação em sí.

A maneira adequada de se encerrar uma conversação irá variar, se as pessoas permanecerão ou não no mesmo lugar (Caballo, 2006, p. 244).

Caso as pessoas permaneçam no mesmo lugar, a conversação pode ser encerrada com frases como: “desculpe, mas tenho um compromisso agora. Foi um prazer te encontrar aqui”. Se quiser manter contato com a pessoa, complemente com algo do tipo: “gostaria de manter contato com você, pode me passar seu telefone?”. Caso já o tenha, pode variar para algo como: “Espero que nos encontremos em breve. Até mais. Me liga”.  
Importante lembrar que estas frases são apenas exemplos e não regras sobre o que deve ser dito. A partir delas, cada um formula a frase conforme julgar adequado à situação. A idéia é não desvalorizar a conversa e a interação com o outro, mas 
Se as duas pessoas não forem permanecer no mesmo lugar após o término da conversação, além de se preparar para ir embora (olhar para a rua, caminhar em direção ao carro, e demais outros comportamentos que sinalizem esta intenção), frases simples e diretas como: “Perdão, mas tenho de ir. Foi um prazer te ver aqui” podem ter um bom efeito. Veja que não são necessárias grandes justificativas para encerrar a conversação, basta que tenhamos respeito pelo outro.
Outra situação citada por Caballo (p. 244), se refere a quando convidamos alguém a vir em nossa casa e, por motivos diversos, gostaríamos de encerrar o encontro. O autor explica que expressões como “ter desfrutado da noite” sinalizam nossa intenção. Poderíamos, conforme continua Caballo, dizer frases como “Bom, gostei muito desta noite; gostaria que nos tornássemos a reunir em breve”.

É importante não cortar no meio a linha de raciocínio que seu interlocutor vem desenvolvendo quando for encerrar a conversação. Esperar que ele termine e só então dizer que precisa sair, é uma conduta que mais provavelmente sinalizará que você tem interesse no que ele fala e que respeita o interesse dele em te ouvir.

É interessante deixar aberta e demonstrar interesse  na possibilidade de um novo encontro . Podem ser usadas frases como “espero que voltemos a nos encontrar”, ou “gostei de estar com você, gostaria que a oportunidade se repetisse em breve”. Se realmente for de seu interesse voltar a se encontrar com a pessoa, pode pedir seu telefone para contato. Passar o próprio número primeiro torna mais fácil pedir o do interlocutor.

Você conhece mais algumas estratégias interessantes para encerrar uma conversação? Caso conheça, compartilhe aqui. Serão bons acréscimos ao texto.

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Terapeuta Comportamental, com especialização em Clínica Comportamental pelo Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento (Campinas, SP), com Treinamento Intensivo em Terapia Comportamental Dialética pelo Behavioral Tech | A Linehan Institute Training Company (Seattle, Washington/ EUA) e Formação em Terapia de Aceitação E Compromisso e Terapia Analítica Funcional pelo Instituto Continuum (Londrina, PR). É sócio da Ello: Núcleo de Psicologia e Ciências do Comportamento, onde atende a adultos individualmente, em terapia de casais e terapia de família, além de prover Supervisão Clínica e Treinamento para Terapeutas Comportamentais. É fundador e diretor geral do Portal Comporte-se: Psicologia e Análise do Comportamento (www.comportese.com), onde também coordena a equipe de colunistas de Terapia Comportamental Dialética. Coorganizou os livros Terapia Analítico Comportamental: dos pressupostos teóricos às possibilidades de aplicação (Ed. Esetec, 2012) e Depressão: Psicopatologia e Terapia Analítico Comportamental (Ed. Juruá, 2015). Atua como consultor de Comportamento e Cultura para a Rádio Clube (AM 770) de Patos de Minas e escreve sobre Psicologia e Saúde Mental para o jornal Clube Notícia (https://www.clubenoticia.com.br). É sócio afiliado da Associação Brasileira de Análise do Comportamento (ACBr) e, entre os anos de 2015 e 2017, foi membro da Comissão de Comunicação da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC).

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4 COMENTÁRIOS

  1. Na cultura anglosaxã vc diz um “Vou embora”, não dá “tiau” e sai.

    Brasileiros acham isso grosseria.

    Gozado como os anglosaxões são muito mais diretos e francos, e passam por grossos. Porém eles são muito mais polidos e cuidados em outros assuntos, que não conversar.

  2. Na série Habilidades Especiais está faltando uma dica análoga a esta, que é a habilidade dos professores para se livrar de alunos que perseveram em perguntas e observações desnecessárias, tomando vários minutos da hora aula.
    Chega a dar um nervoso quando começam os “eu acho… mas eu acho…” e se estendem além de qualquer explicação, exemplo ou ilustração porque a pessoa simplesmente não quer entender. :D

  3. Claudio, vc pode falar: pessoal o tempo ta curto, agora só quem tiver dúvidas SOBRE O Q FOI FALADO, no fim da aula nós podemos conversar mais.

    ou entao: é fulano, isso foge um pouco do assunto principal, que é xxx, e é dessa forma: (aí vc repete o que é pra ele entender), ok? continuando…

    eu como aluno, tb odiava outros alunos bocudos que insistiam em compartilhar.

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