A Neurociência reinventando a roda.

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Esta noite uma amiga me passou o link do site da agência FAPESP, no qual divulgavam um estudo em que supostamente descobriam um método não invasivo de “bloquear manifestações de memórias de medo” (sic). O método consiste em evocar a “memória de medo” junto a um estímulo seguro – isto é -, que eliciaria/ evocaria sensações ou lembranças contrárias ao medo.

Após treinar voluntários a sentir medo de certos estímulos visuais, os pesquisadores apresentaram uma nova informação “segura” ao mesmo tempo em que reativavam as memórias de medo. Ao fazer isso, eles conseguiram “reescrever” os pensamentos negativos associados com os estímulos.” (trecho do texto)

Como se Pavlov, Watson e Skinner, entre outros, não tivessem falado de Contracondicionamento muitos antes antes disso.

Contracondicionamento é o nome dado ao processo através do qual se condiciona um comportamento contrário àquele de medo – neste caso -, o que pode ser feito com a apresentação de um estímulo que elicie sensações/ emoções diferentes dele.

Se nossos cientistas buscassem conhecer o que já foi produzido não perderiam tanto tempo tentando reinventar a roda. Esta é uma das consequências da falta de diálogo entre as diversas áreas da ciência.

Ao invés de tratarem o conhecimento como algo cumulativo – onde, descobertas anteriores dão condições para novas descobertas, cada área busca desenvolver-se por sí própria, e é quem precisa de seus serviços que paga o pato – ou melhor, paga pelo atraso que a reinvenção da roda provoca na criação de condições para melhor qualidade de vida.

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10 COMENTÁRIOS

  1. É verdade. Ainda mais se tratando da medicina, que se fecha demais em si mesma.

    Se não houvesse essa competitividade entre áreas, a ciência funcionaria muito melhor, linearmente e, como vc disse, não seria preciso reinventar a roda.

    (O pior é ter coragem de publicar – e a revista de aceitar – a reinvenção. hehe)

  2. Pior que foi nos EUA.

    ““Inspirado em estudos básicos em roedores, essa nova descoberta em humanos poderá ser transferida para o desenvolvimento de melhores terapias para o tratamento de distúrbios de ansiedade, como o estresse pós-traumático”, disse Thomas Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, um dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, que financiou a pesquisa.”

    Alguém podia dar um jeito de entrar em contato com essas mídias (resvista Nature, FAPESP..) e esses pesquisadores para alguns esclarecimentos…

  3. É triste ver tanta reprodução do que já foi feito e ver pouca novidade. Realmente, falta comunicação entre áreas. Falta interesse dos cientistas em ler pesquisas anteriores. E tem também a pressão por publicação.

    O importante acaba sendo quantidade de artigos publicados, número de citações e afins. A inovação acaba importanto pouco. O próprio autoplágio pode ser percebido. São artigos e mais artigos que um mesmo autor escreve, reproduzindo a mesma ideia, com pouco ou nenhum resultado novo e, às vezes, até com as mesmas palavras.

  4. Mas acredito que a maioria dos neurocientistas não são “desavisados” assim, não, Neto!

    Minha professora, por exemplo, é neurpsicóloga e sabe muito bem do Contracondicionamento (não conhecia esse termo).
    Até eu sabia!!! rsrsrs…

    Beijos!

  5. Senhorita Porquê, também acredito que não. O Daniel Gontijo, que participa bastante aqui no blog, é outro exemplo de psicólogo da neuro que conhece também o contracondicionamento.

    Ele é estudado pelos fisiólogos também, não só pelos AC’s. Nas aulas de fisiologia em minha faculdade a prof. fala sobre ele.

    E ainda bem que não são todos, né? Só assusta os “grandes” serem.

  6. Interessante comentário.

    Realmente, o diálogo entre as áreas da psicologia seria importantíssimo. A interdisciplinaridade é uma ferramenta e tanto no aumento da compreensão do ser humano.

    Achei interessante essa coisa do contracondicionamento. Isso me lembrou muito um método budista para lidar com as emoções destrutivas (raiva, medo etc). Para eles, elimina-se a raiva, por exemplo, suscitando a emoção contrária a ela, que seria a compaixão. E parece que o método é realmente eficaz, já que os monges tibetanos apresentam uma habilidade sem igual de controlar as emoções e de invocar esses estados de compaixão, o que é atestado através de ressonâncias. A questão aí é: onde está exatamente o ambiente agindo aí para eliciar essas emoções opostas? Ao que tudo indica, eles realmente tem o poder de invocar essas emoções sem ter necessariamente um evnto ambiental como desencadeador, mas sim cadeias de pensamentos que suscitem a dada emoção. Isso faz sentido para o behaviorismo?

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