A DBT no XXV Encontro Brasileiro de Análise do Comportamento

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É com grande honra que inicio como colunista do Comporte-se. Fazendo uma pausa na sequência de artigos teóricos sobre Terapia Comportamental Dialética (DBT) compartilho com vocês sobre o XXV Encontro Brasileiro de Psicologia e Medicina Comportamental e a participação da DBT neste encontro. O Encontro Brasileiro de Psicologia e Medicina Comportamental é um evento anual promovido pela Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental (ABPMC) que já se tornou tradição entre os analistas do comportamento, dos iniciantes aos mais especializados. Neste ano, o encontro ocorreu entre os dias 06 e 11 de setembro em Foz do Iguaçu. Foram 4 dias onde aproximadamente 1.500 pessoas, entre estudantes, professores, profissionais e pesquisadores se reuniram para discutir e se aprimorarem na Análise do Comportamento. Foram momentos de muitas trocas e gostaria de dividir com vocês a participação da DBT nisso.

No encontro de 2015, realizado em São Paulo, não havia nenhum psicólogo com treinamento em DBT pelo Behavioral Tech e The Linehan Institute, e houve uma única apresentação sobre DBT, que ocorreu na modalidade “primeiros passos” com o título “O protocolo da Terapia Comportamental Dialética (DBT)”, que foi ministrada por Paulo Roberto Abreu. No congresso deste ano, estavam participando 8 psicólogos com treinamento em DBT pelo Behavioral Tech e The Linehan Institute, são eles: Cristina Würdig Sayago, Dan Josua, Igor da Rosa Finger, Jan Luiz Leonardi, Jonatas Passos, Patricia Guedes, Vinícius Guimarães Dornelles e Wilson Vieira Melo. Foram realizadas 6 apresentações sobre esta temática, assim distribuídas:

 

Nível Modalidade Título Palestrante
Iniciante Primeiros Passos Terapia Comportamental Dialética (DBT) Dan Josua
Intermediário Mesa-Redonda Terapia Comportamental Dialética (DBT) Vinícius Dornelles
Intermediário Mesa-Redonda DBT: Sistematização do que há de melhor em terapia comportamental? Jan Luiz Leonardi
Intermediário Mesa-Redonda O uso de Mindfulness na Terapia Comportamental Dialética Vinícius Dornelles
Intermediário Palestra Terapia Comportamental Dialética nos diferentes contextos Wilson Melo
Intermediário Grupo de Interesse Especial A Terapia Comportamental Dialética (DBT) Dan Josua

Jan Luiz Leonardi

Avançado Mini-Curso Terapia Comportamental Dialética – Trabalhando com pacientes cronicamente suicidas e auto-mutilação Vinícius Dornelles

 

Dessa forma, percebe-se que, ainda que no início de sua expansão dentro da análise do comportamento brasileira, a DBT teve um aumento considerável, e de extrema importância, de espaço e de discussão entre os analistas do comportamento. Nas atividades apresentou-se o avanço do campo de aplicação da DBT. Embora inicialmente ela tenha sido desenvolvida para tratamento de pacientes cronicamente suicidas e com comportamento auto-lesivos, hoje apresenta evidências de eficácia para diversos outros transtornos. Os estudos apresentam bons resultados em transtornos da personalidade borderline, transtornos da personalidade do antigo “cluster b”, adolescentes com comportamento suicida e de condutas auto-lesivas sem intencionalidade suicida, transtorno depressivo maior resistente ao tratamento, transtorno do humor bipolar, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno desafiador opositor, transtornos alimentares, transtornos relacionados ao uso de substâncias e também no tratamento de casais com conflitos intensos. Além disso, hoje existe a ampliação da utilização da DBT para além da psicoterapia, como a utilização da DBT em contextos como o forense e a internação.

Foram feitas muitas discussões sobre a relação da DBT com a análise do comportamento, buscando identificar quais aspectos a identificam como uma terapia de análise do comportamento, contrariando a teoria de que ela é uma Terapia Cognitivo Comportamental. Apresentou-se um embasamento muito claro de que a DBT é uma terapia baseada nos conceitos básicos da análise do comportamento, sendo uma terapia baseada em princípios, nos quais todo e qualquer procedimento de mudança é utilizado a partir de uma prévia análise funcional de um comportamento específico. A ferramenta utilizada para tal é uma técnica denominada análise em cadeia, a qual se discutiu ao longo do congresso que poderia ser entendida como um formato ecológico de análise funcional do comportamento.

Também foram salientados alguns dos principais diferencias da DBT: ser baseada em princípios, mas que quando necessário utiliza protocolos; ter uma hierarquia de alvos prioritários que orientam o trabalho psicoterápico; apresentar clareza do comportamento a diminuir e do comportamento a aumentar, o que leva a um foco na solução de problemas efetiva; a existência de estratégias de mudanças específicas para diferentes funções dos comportamentos; e sólidas bases em evidências.

Sobre o Mindfulness, a principal discussão que se fez foi quais são os principais processos básicos de análise do comportamento que sustentam o uso da prática. Foi visto, principalmente, a ideia de mindfulness ser um treino discriminativo de comportamentos regulados por reforço positivo, assim como, uma operação bloqueadora de comportamentos regulados por reforço negativo. Além disso, foi apresentado que o treino de mindfulness pode ser um processo de habituação do respondente e que também poderia ser uma discriminação entre contingências concorrentes, assim como a intensificação de um dado respondente. Por fim, foi observado que existe um lapso teórico dentre o que conecta a prática de mindfulness em DBT e em Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), e atribuiu-se isso ao contextualismo funcional, tendo em vista que ACT trabalha com contexto verbal e DBT com contexto ambiental.

Como vocês podem ver, muitos temas foram discutidos sem chegar a uma resposta final. Realmente esta foi a proposta da DBT neste congresso, apresentar-se, mostrar suas evidências de eficácia e gerar a curiosidade, criando um compromisso de no próximo encontro estar mais presente, através de mais representantes e de mais trabalhos. Afinal de contas, só há um jeito de subir uma montanha…um passo de cada vez!

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