Entrevista com Dr. Pedro Faleiros – Jogos Comportamentais: o que são e para que servem?

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O Laboratório de Aprendizagem Humana Multimídia Interativa e Ensino Informatizado (LAHMIEI), da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), promoveu, em 29 de setembro de 2015, o I Seminário sobre Jogos Comportamentais. Dele participaram diversos pesquisadores brasileiros que tem dedicado vários anos de sua história ao desenvolvimento da área. Entre eles, o Dr. Pedro Faleiros, Doutor em Psicologia Experimental pela USP/São Paulo (2009). Atualmente é coordenador do curso de graduação em Psicologia da Universidade Metodista de Piracicaba – Unimep é Editor Associado da Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva e da Revista Impulso.

Pedro Faleiros
Pedro Faleiros. Foto: ITCR Campinas

Nossa parecerista, Natália Aggio, também estava lá. Ela realizou a cobertura do evento pelo Comporte-se: Psicologia e Análise do Comportamento, fazendo fotografias (clique aqui) e conduzindo uma excelente entrevista com Pedro Faleiros, sobre o tema. Confira a entrevista, na íntegra:

1) O tema do evento foi “Jogos Comportamentais”. O que a audiência poderia esperar ver em um evento desse tipo? Ou seja, como são usados jogos comportamentais na Análise do Comportamento?

Os jogos, na sua maioria são utilizados para investigar, variáveis relacionadas ao comportamento de escolha e tomada de decisão. Normalmente, os jogos são “projetados” de modo que o jogador fique diante conflitos e dilemas, como escolher um reforçador menor e imediato ou um reforçador maior e atrasado (muitos jogos envolvem o modelo de autocontrole). No caso dos jogos envolvendo o que podemos chamar de conflitos ou dilemas sociais, a opções de escolha estão entre obter um reforço e maior quantidade ou com maior valor para o próprio indivíduo ou compartilhar um reforçador com o outro indivíduo, a questão é que ao obter um reforçador maior o indivíduo pode ser “retalhado” pelo outro e ambos passam a obter a quantidade ou o valor reforçador menor do que se cooperassem, por exemplo.

2) Você pode nos contar um pouco sobre a sua história nessa área? Como começou? De onde veio o interesse e o que tem feito atualmente?

A minha história nessa área, começou quando fiz o mestrado. Estudei a cooperação com enfoque analítico comportamental em uma situação aplicada. Ao ler artigos da área, principalmente artigos experimentais, buscando uma definição conceitual sobre o tema, conheci o jogo Dilema do Prisioneiro. No entanto, somente o Doutorado que fui estudar o modelo e neste caso também sob o enfoque da análise do comportamento.

Atualmente tenho orientado projetos de iniciação científica na área. Tenho conduzido revisões e estudos conceituais sobre o jogo Dilema do Prisioneiro e também experimentos que dão continuidade ao que investiguei no Doutorado.

3) Que tipo de fenômenos se têm investigado usando jogos? Atualmente quais são as principais contribuições da área?

Em uma recente revisão de literatura feita por uma aluna do curso de Psicologia da Unimep que orientei em iniciação científica, os principais fenômenos estudados pelos jogos, quando investigados sob o enfoque da análise do Comportamento são: Relações sociais (cooperação, competição, altruísmo e egoísmo), autocontrole e metacontingências.

As principais contribuições da análise do comportamento para a Teoria do Jogos, envolve demonstrar o papel das consequências e dos antecedentes no comportamento de escolha, envolvendo os três fenômenos apresentados no parágrafo acima.

4) Na sua opinião, que outras áreas ainda poderiam se beneficiar do conhecimento produzido por meio de jogos comportamentais?

Biologia, Ciências econômicas e Política, Direito, Ética. A própria matemática, de onde os jogos derivaram.

5) Nem todos os analistas do comportamento estão familiarizados com essa área. Na sua opinião, o que pode estar contribuindo pra isso?

Acredito que a maioria dos analistas do comportamento, por diversas questões não estudam ou não fazem relações com outras áreas do conhecimento. O próprio estudo da análise do comportamento já é árdua e demanda um esforço por parte de estudantes e profissionais. No entanto, as relações com outras áreas podem ser úteis em uma maior compreensão sobre o comportamento humano. Também podemos contribuir com estas outras áreas ao analisar fenômenos comportamentais com enfoque da análise do comportamento

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