Experimentações com metacontingências poderão ajudar?

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Análise do Comportamento é uma disciplina que divide múltiplas fronteiras com outros campos das ciências. A própria construção do modelo conceitual selecionista em três níveis (Skinner, 1981) descreve um percurso que visita áreas como a filosofia, a física, a biologia (Micheletto, 1993) e a antropologia. A consolidação e o avanço sistemático da pesquisa e das tecnologias comportamentais vêm creditando a área a expandir cada vez mais seus modelos conceituais a discussões de assuntos classicamente tratados por outras grandes áreas do conhecimento que debatem sobre a vida de seres vivos – em especial, de humanos (e.g. Filosofia, Ciências Sociais, Psicologia, Biologia, Neurociências).

No final dos anos 1970, Holland (1978) criticava o comportamento de analistas do comportamento com respeito ao sistema social do qual faziam parte e suas concepções filosóficas e teóricas. Ele afirmava que a má compreensão do referencial teórico-metodológico da Análise do Comportamento como uma “visão da humanidade” (p. 163) advinha, em grande parte, da interação dos comportamentalistas com as estruturas sociais, e não da teoria em si. Entendem-se como estruturas sociais as relações humanas mantenedoras da ordem ideológica individualista vigente, que seriam uma espécie de válvula conservadora de um mundo desigual e de “doenças sociais” (p. 173). Lançava-se a pergunta, então, se analistas do comportamento estavam preparados para intervenções de âmbito cultural, e não somente individual (Esmeraldo, 2012).

Há algum tempo, preocupações teóricas acerca da vida social de comunidades humanas vêm sendo um expediente de pesquisa crescente na Análise do Comportamento, ainda com Skinner (e.g. 1953/2005, 1961/1972, 1971/1983, 1972, 1974/1982, 1978a, 1981, 1987a, 1987b, 1990) e também com outros autores (Glenn, 1986, 1988, 2004; Glenn & Malott, 2004; Houmanfar & Rodrigues, 2006; Mattaini, 2004, 2006; Todorov, 2006; Todorov & Moreira, 2004; Tourinho & Vichi, 2012).

Mattaini (2006), em uma análise crítica do modo como pesquisas comportamentais vinham tratando questões sociais, indicou que tais pesquisas já estariam no estágio de ir além de trabalhos teóricos. Isso por uma razão central: a de que sem testes experimentais não há fundamentação empírica para demonstrar quais formulações teóricas são mais importantes para fazer a ciência avançar. De outro modo, o comportamentalismo se tornaria mais romântico e menos científico, atrasando a produção de tecnologias e aplicações (Esmeraldo, 2012).

Uma das formulações teóricas importantes foi o conceito de metacontingência, cunhado por Glenn (1986, 1988, 2004). Posteriormente, foram desenvolvidas propostas conceituais de metacontingência diversas às originais (e.g. Vichi, Andery & Glenn, 2009; Houmanfar, Rodrigues & Ward, 2010; Hunter, 2012). De certa forma, essa multiplicidade de conceituações de metacontingência sugere certa discordância da comunidade científica e a necessidade de maior debate teórico e sobre dados experimentais. Como o presente texto não pretende apresentar e discutir aquela multiplicidade (mas também não pretende deixar de localizar o leitor sobre o que é seleção cultural a partir do paradigma da metacontingência), optar-se-á por uma forma parcimoniosa de apresentar como analistas do comportamento vem tratando o terceiro nível seletivo. Em todos os casos, metacontingências descrevem relações funcionais entre práticas sociais e ambiente, conforme demonstram os diagramas da Figura 1 e Figura 2.

Conforme segue na Figura 1, metacontingências descrevem relações funcionais entre um (a) ambiente social onde (b) práticas sociais/culturais (que exigem que o comportamento de um indivíduo desempenhe função ambiental no comportamento de outro) ocorrem e geram uma alteração no ambiente – um (c) evento ambiental selecionador – capaz de aumentar a probabilidade de ocorrência de práticas culturais associadas. A Figura 2 apresenta um exemplo de metacontingência, onde um (a) ambiente social (contexto social atual) dá as condições para a ocorrência de (b) práticas sociais/culturais (trabalho coordenado entre diferentes profissionais), que geram uma classe de (c) evento ambiental selecionador (um edifício bem construído, lucro decorrente da venda de unidades habitacionais etc.), que seleciona padrões de interações entre profissionais envolvidos na prática social.

     
Considerando a proposta original do conceito de metacontingência, desenvolvida por Glenn em 1986, o expediente de pesquisas experimentais envolvendo o conceito teve início relativamente tardio – somente em Vichi (2004, posteriormente publicado como Vichi, Andery & Glenn, 2009) – daí a importância sobre a chamada de Mattaini (2006) para mais pesquisas experimentais na área. Esse percurso da pesquisa conceitual para a experimental se deu de maneira lenta no início, sendo que hoje pesquisas experimentais vêm crescendo sistematicamente em número (Wanderley & Ferraz, 2012). Durante esse percurso, a própria direção das perguntas de pesquisa nos trabalhos experimentais também vem se modificando. Em 2004, Vichi, Andery e Glenn (2009) se perguntavam se o modo como interações entre membros de um grupo acontecia seria sensível a um evento ambiental selecionador. Os achados de Vichi, Andery e Glenn deram início a uma agenda de pesquisa original sobre seleção cultural por meio do conceito de metacontingências.

Atualmente, observa-se uma variedade quanto aos protocolos metodológicos utilizados para a investigação experimental em metacontingências (e.g. Ortu, Becker, Woelz e Glenn, 2012; Saconatto & Andery, 2012; Vichi, Andery & Glenn, 2009); no entanto, também não será objetivo deste texto apresentá-la e discuti-la. Pode ser interessante dizer, apenas, que existe uma preocupação na área com o desenvolvimento de um protocolo metodológico que possa servir como um análogo da resposta de pressão à barra do nível operante – isto é, com um modelo procedimental que permita a programação de diferentes metacontingências e o estudo de temas diversos sobre seleção cultural.

Agora em 2014, talvez seja seguro dizer que já existem dados suficientes que atestem que práticas sociais podem ser selecionadas por um evento cultural selecionador (e.g. Pereira, 2008; Soares, Cabral, Leite & Tourinho, no prelo; Vichi, Andery & Glenn, 2009). Esta constatação dá condições para que a agenda de pesquisa experimental em metacontingências possa investigar outros assuntos acerca do processo de seleção cultural. Fazer uma análise de tais assuntos pode ser difícil no sentido de que são múltiplas as preocupações de cada estudo; contudo, as categorias a seguir buscam preferencialmente reunir quais são as perguntas relevantes dentro desta agenda de pesquisa do que limitar quais as contribuições de cada trabalho:

a) Trabalhos que buscam esclarecer a seleção cultural com base em paralelos com a seleção operante: este expediente de pesquisa visa aplicar modelos procedimentais do estudo do comportamento operante ao estudo da seleção cultural por meio da noção de metacontingências. Como exemplo, existem estudos que analisaram análogos de esquemas de reforçamento (Amorim, 2010; Angelo, 2013; Costa, Nogueira & Vasconcelos, 2012; Vichi, 2013); de extinção (Caldas, 2009); de aproximações sucessivas (Esmeraldo, 2012; Vasconcelos, 2014); de contiguidade entre práticas sociais e evento cultural selecionador (Lobato, 2013; Marques, 2012; Ortu, Becker, Woelz & Glenn, 2012); de controle antecedente (Vieira, 2010); de variabilidade (Dos Santos, 2011; Kracker, 2013); de reforçamento negativo (Saconatto e Andery, 2012) e outros temas que estão em curso.

b) Trabalhos que buscam esclarecer propriedades específicas da seleção cultural: esta agenda visa compreender como ocorre a seleção cultural em diferentes arranjos experimentais que envolvem variáveis que só fazem sentido numa análise cultural. Como exemplo, existem trabalhos que analisaram a transmissão de práticas sociais através de gerações (e.g. Soares, Cabral, Leite e Tourinho, no prelo; Nogueira, 2013); a seleção e função de conteúdos verbais em arranjos de metacontingência (e.g. Oda, 2009; Leite, 2009); seleção de práticas sociais manipulando valores do evento cultural selecionador e/ou de consequências reforçadoras individuais no mesmo arranjo experimental (Baia, 2013; Brocal, 2010; Gadelha, 2010; Magalhães, 2013; Ortu, Becker, Woelz & Glenn, 2012); relações entre metacontingências e autocontrole ético ou cooperação (Borba, 2013; Magalhães, 2013) e outros trabalhos em curso.

c) Trabalhos que buscam responder questões conceituais básicas sobre metacontingências: de certa forma, todos os trabalhos experimentais possuem o horizonte de oferecer suportes conceituais para a literatura de seleção cultural. Alguns trabalhos, porém, centralizaram ainda mais este horizonte por conta de que parte das perguntas de pesquisa menciona essa preocupação básica. Como exemplo, podem-se citar estudos que visam discussões sobre relações entre unidades de análise culturais e operantes para o estudo da seleção cultural (Caldas, 2013; Hunter, 2012).

Além das pesquisas mencionadas, existe também um esforço da área em desenvolver arranjos nos quais o protocolo metodológico para análise de práticas sociais seja um análogo do procedimento de operante livre. Isso porque, dos trabalhos finalizados, todos utilizam procedimentos de tentativas discretas. Esta conformação dos métodos empregados limita os temas de pesquisa que podem ser investigados em uma análise cultural. Traçando paralelos com o estudo do comportamento individual, o uso de procedimentos de operante livre foi crucial para a compreensão do operante. Da mesma forma, os esforços da área na produção de procedimentos análogos ao de operante livre podem ser promissores (Vichi & Tourinho, 2012).

Retornando à pergunta que dá título ao presente texto, antes de respondê-la, cabe dizer o motivo de o tempo verbal estar empregado no futuro. E ele é simples: as pesquisas experimentais ainda não alcançaram o estágio de uma agenda de pesquisa aplicada, tampouco de servir sistematicamente a aplicações. Ainda que a discussão entre pesquisa básica e aplicada seja motivo de polêmica, pode-se admitir que o expediente de pesquisa experimental da área ainda focaliza o estudo de “processos culturais básicos” dentro do laboratório, onde o controle de variáveis é maior. Mesmo assim, estudos quase-experimentais (Sampaio, 2010) podem servir como horizonte sobre como o referencial teórico e empírico de metacontingências nos permite compreender fenômenos sociais já descritos por autores de outras áreas. Esse referencial pode ser bastante útil também para travar discussões sobre a produção de autores das ciências sociais que parecem ter uma perspectiva teórica compatível com a literatura de metacontingências – neste sentido, um exemplo de autor importante nessas discussões é o antropólogo Marvin Harris, que explica a origem e manutenção de práticas culturais com base no materialismo cultural. Outro horizonte necessário é o acesso e a interlocução com outras áreas experimentais, como a Sociologia Experimental e a Biologia Evolutiva. Ao que parece, dados dessas áreas são úteis para discutir seleção de práticas sociais, independente das distâncias teóricas. Tudo isso pode apressar contribuições dos dados sobre metacontingências para aplicações.

Por fim, acerca da resposta à questão colocada no título, creio que a forma mais parcimoniosa e realista de desenvolvê-la é propondo que ainda não é possível uma conclusão. É verdade que ainda são necessárias maior clareza conceitual e discussões que demonstrem se estamos atrás dos dados certos para um campo que ainda é relativamente recente – e, simultaneamente a isso, se estamos dialogando com as comunidades científicas relevantes. Ainda assim, também é verdade que os dados das pesquisas experimentais têm se mostrado promissores para uma compreensão teórica de como se originam e se mantêm alguns fenômenos sociais. Este é o primeiro passo. Talvez essa seja a primeira resposta conclusiva. As próximas, só as futuras perguntas de pesquisa (e os dados derivados delas) poderão responder.

Referências

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