Alucinações táteis

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As alucinações visuais da japonesa Yayoi Kusama começaram na infância. São redes, pontos e círculos coloridos que há cerca de oito décadas surgem diante de seus olhos – e que ela reproduz de maneira obsessiva em suas obras. “Repito, repito, repito, até me esquecer de mim. Chamo isso de obliteração”, diz a artista de 84 anos sobre as pinturas, colagens e esculturas fálicas salpicadas de bolinhas que a tornaram um dos nomes mais conhecidos da pop art. Mais de 100 de suas obras estão expostas na retrospectiva Obsessões infinitas, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro.


Yayoi vive há mais de 30 anos numa instituição psiquiátrica no Japão, onde se internou por vontade própria, com sintomas de transtorno compulsivo-obsessivo (TOC) e delírios. “Não quero curar meus problemas mentais, pois são força geradora de minha arte”, disse Yayoi, que afirma abandonar os medicamentos psiquiátricos quando está trabalhando em alguma obra. 


Um dos destaques da exposição é o quarto espelhado Campo de falos, onde o visitante pode caminhar entre milhares de esculturas de pênis com bolas vermelhas e brancas. “Meu pai tinha amantes e minha mãe me enviava para espiá-lo. Tive uma obsessão por sexo”, explicou ela sobre a reprodução sem fim de estruturas fálicas. Há também uma instalação interativa, a Sala da obliteração: um espaço onde o espectador pode decorar paredes vazias com adesivos de círculos coloridos, no estilo de Yayoi.

Fonte: Mente e Cérebro

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