Quando a relação junto ao cliente é aversiva

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    Naiara Costa
    Instituto Innove
    A rotina profissional do terapeuta envolve uma variedade de desafios. Muitos deles advindos do contexto interpessoal no qual terapeuta e cliente interagem com objetivos específicos. É nesta interação que se assenta a psicoterapia, no qual o cliente é deliberadamente afetado pelo terapeuta e este, por sua vez, também é afetado pelos comportamentos do cliente, em reciprocidade contínua. 
    Dessa forma, cliente e terapeuta apresentam sentimentos que acompanham a contingência presente em sessão. Quando as contingências envolvidas na relação são aversivas para o terapeuta, ele pode se sentir irritado, ansioso, desmotivado para estudar ou realizar a sessão, incapaz para contribuir com as mudanças do cliente ou, mesmo, responsável único por elas. Da mesma forma, pode se comportar de forma contraproducente à terapia do cliente, fugindo ou esquivando-se: desmarca ou atrasa a sessão repetidas vezes; pensa nas possibilidades do cliente faltar ou se comporta de forma a favorecê-la, traz assuntos superficiais para a sessão, entre outros.
    Nestas ocasiões, o terapeuta está respondendo sob o controle de suas emoções (produtos de comportamentos do cliente com função aversiva ou pré aversiva) e das contingências em operação dentro ou fora da sessão; e não sob o controle do seu referencial teórico-conceitual (Guilhardi, 2001). Por esta razão, exige-se do terapeuta um repertório elaborado para a discriminação de suas próprias emoções, favorecendo assim a compreensão das contingências que atuam na relação terapeuta-cliente.
    Banaco (1997) aponta que uma boa relação terapêutica é atribuída a características e habilidades pessoais do terapeuta. Este deve atentar-se tanto para as suas emoções e pensamentos, quanto aos comportamentos do cliente presentes na sessão. Isto porque, o terapeuta não pode excluir sua relação com o cliente da análise funcional que direcionará sua intervenção. 
    A análise da contingência é o que determinará qual conduta o terapeuta deverá assumir ao atender um cliente cujos comportamentos têm função aversiva para ele. Deve-se ou não tratar esta condição de forma direta na sessão? 
    Quando os comportamentos do cliente durante a sessão fazem parte dos problemas relatados em outros ambientes de sua vida, a similaridade funcional entre o contexto clínico e sua vida diária amplificam as possibilidades e a eficácia das intervenções do terapeuta realizadas em sessão, a partir da relação estabelecida no aqui e agora. 
    Nesse sentido, destaca-se a ênfase e a importância da expressão de emoções e sentimentos no processo terapêutico proposta pela FAP, para a qual a relação terapêutica é uma oportunidade para os clientes emitirem comportamentos problemas e aprenderem formas novas de se relacionar (Kohlenberg; Tsai, 2001).
    Entretanto, nos casos em que os comportamentos do cliente apresentados em sessão são aversivos ao terapeuta, mas não compõe sua problemática em outros ambientes ou não implicam em danos a si ou a outros (regras religiosas, valores ou crenças, por exemplo), as contingências presentes na história de vida do cliente podem estar em conflito com as contingências presentes na própria historia de vida e de reforçamento do terapeuta.
    Em ocasiões como esta, para que o terapeuta possa agir de forma a contribuir para avanço do cliente, torna-se necessário a reflexão por alternativas de resolução do problema e tomada de decisão. Nestas podem valer-se o enfrentamento do efeito aversivo por meio de supervisões ou terapia pessoal. Analisar os sentimentos em relação ao cliente junto a estas alternativas permite ao terapeuta entrar em contato e trabalhar suas próprias dificuldades pessoais e metodológicas, levando-o a promover melhores condições à interação com o cliente, bem como considerar seu encaminhamento a outro profissional.
    Referências:
    Banaco, R. A. (1997). Tendências neo-behavioristas da terapia comportamental: uma análise sobre a relação terapêutica. Anais do Encontro sobre Psicologia Clínica (pp.47-52). São Paulo: Universidade Mackenzi.
    Brandão, M. Z. S. (2000). Os sentimentos na intervenção terapeuta-cliente como recurso para a análise clínica. In R. R. Kerbauy (Org.) Sobre comportamento e cognição (Vol. 5, pp.24-29). Santo André: ESETec.
    Guilhardi, H. (2001) Com que contingências o terapeuta trabalha em sua atuação clínica? Disponível em: http://www.terapiaporcontingencias.com.br/pdf/helio/contingencias_terapeuta_trabalha.pdf.
    Kohlenberg, R. J.; Tsai, M. (2001). Psicoterapia analítica funcional: criando relações terapêuticas intensas e curativas. Santo André: ESETec.
    Zamignami, D. R. (2000). O caso clínico e a pessoa do terapeuta. In R. R. Kerbauy (Org.), Sobre comportamento e cognição (Vol. 5, pp.234-243). Santo André: ESETec.

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    2 COMENTÁRIOS

    1. dic09Jose Antonio Buenas!Os queria dar la eeubraohnna por el programa, lo desconocia hasta ayer mismo por la tarde mas que nada porque una chica supermaja pregunto en la azotea del circulo de bellas artes, que aventura loca iba hacer en nochevieja me quede un poco sorprendido por la pregunta, previamente me explico que era para una emisora de radio de la universidad y que ella era la conductorayo la conteste montar una carpa en la terraza y hacer fiesta en.nochevieja fue gracioso!, buenos daros la eeubraohnna por dar esta oportunidad a los estudiantes para iniciarse en el mundo radiofonico.Os dejo mi email por si la chica me quiere volver a entrevistar jeje muy maja muy maja!, ah y sacadme este viernes.Saludos.

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