Economia de Fichas: definição e aplicação

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* Trabalho apresentado na disciplina de Estratégias de Intervenção em Terapia Comportamental da I Turma do Curso de Fundamentos em Terapia Comportamental promovido pelo InPA – Instituto de Psicologia Aplicada.

Autor: Anderson de Moura Lima 
Definição 
A Economia de Fichas é uma estratégia de intervenção da Análise Aplicada do Comportamento que introduz contingências de reforçamento para resposta(s) considerada(s) adequada(s) pelo programador. Estas contingências de reforçamento geralmente são apresentadas em forma de fichas, pontos ou qualquer outro tipo de estímulo reforçador condicionado que possa sinalizar reforçamento em momento posterior. Assim, estas “fichas” podem ser trocadas por atividades, alimentos, objetos ou outro tipo de estímulo reforçador previamente definido. De acordo com Zambom (2006) as fichas também podem ser retiradas caso o organismo emita resposta(s) considerada(s) inadequada(s) pelo programador. 
Segundo Tomanari (2000, apud Borges, 2004) essa estratégia possibilita a formação de cadeias comportamentais, além de ser capaz de instalar e manter respostas adequadas com alta freqüência de emissão. A Economia de Fichas pode ser aplicada em grande escala, seja em relação ao número de organismos participantes do programa, seja em relação ao número de respostas a serem reforçadas num organismo. 
Como utilizar 
De acordo com Caballo (2002) o diretor do programa de economia de fichas não é necessariamente o aplicador do programa. Este papel pode ser assumido por qualquer pessoa desde que treinada. Deve haver uma coordenação entre programadores e aplicadores e os objetivos do programa devem coincidir com os objetivos da instituição que o aplica seja ela hospitalar, escolar, clínica ou organizacional. 
Os aplicadores devem ser treinados antes da implantação do programa e devem ser escolhidos de forma que já tenha certo interesse por técnicas que fujam das formas tradicionais de modificação do comportamento como os fármacos. 
Caballo (2002) afirma que no início do desenvolvimento do programa, devem-se estabelecer as classes desejáveis de respostas-objetivo e os procedimentos para selecionar tais respostas. As respostas-objetivo que devem ser reforçadas têm de basear-se na população correspondente e nos objetivos de tratamento. Muito importante atentar para o fato de que as respostas-objetivo selecionadas durante o tratamento deverão se manter após o término deste e os reforçadores arbitrários dispensados durante o programa deverão ser substituídos progressivamente por reforçadores naturais. 
Deve-se estar muito atento para a necessidade de registro constante das respostas-objetivo; a quantidade de fichas dispensadas e de novas respostas-objetivo sugeridos com o objetivo de avaliar a evolução da mudança. 
Os aplicadores devem observar a evolução periodicamente de forma direta e de forma indireta, ou seja, através da mudança visível ou dos produtos comportamentais dessa mudança sempre a registrando minuciosamente. 
As fichas podem ser dispensadas o mais próximo possível da emissão das respostas para garantir a evolução. 
As listas com as respostas-objetivo, os reforçadores disponíveis e seu custo devem estar disponíveis todo o tempo para que aplicadores possam seguir a risca o programa e sempre proporcionar feedback positivo às pessoas que participam do programa a respeito de sua evolução para facilitar a generalização das respostas para outros ambientes não institucionais. 
Em grandes sistemas de economia de fichas faz-se necessário a criação de estratégias como um “banco” para evitar o roubo, perda ou acúmulo exagerado de fichas. 
Uma última estratégia para facilitar a mudança de comportamento a nível grupal é reforçar as respostas entrelaçadas de vários indivíduos através do sistema de economia de fichas. 
Principais aplicações 
A economia de fichas é um tipo de tecnológica analítico-comportamental que pode ser usada nos mais diversos campos como estratégia de modelagem e/ou manutenção de comportamentos de indivíduos e grupos nos seguintes contextos: 
a) Asilos; 
b) Centros de Atenção Psicossocial; 
c) Centros de Referência de Assistência Social; 
d) Clínica; 
e) Comunidades; 
f) Creches; 
g) Escolas; 
h) Esportes; 
i) Hospitais Psiquiátricos; 
j) Hospitais, e; 
k) Organizações; 
l) Penitenciárias; 
Referências Bibliográficas 
Borges, N. B. (2004). Análise Aplicada do Comportamento: utilizando a economia de fichas para melhorar desempenho. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva. Vol. VI nº 1, 031-038. 
Caballo, V. E. (2002). Manual de Técnicas de Terapia e Modificação do Comportamento. São Paulo: Santos Editora. 
Zambom, L. F., Oliveira, M. S., Wagner, M. F. (2006). A técnica da economia de fichas no transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Disponível em: www.psicologia.com.pt. Acesso em: 04 de Nov de 2011.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom. Este tema sempre é controverso em aulas de Psicologia. A impressão usual é de estar comprando a criança porque ficha, mesmo que se explique que possam ser utilizados expedientes não materiais, remetem a algo material e igual para todos.

    Muito legal o artigo.

    Sina.

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