terça-feira, 13 de março de 2012

Dessensibilização Sistemática: definição e aplicação

* Trabalho apresentado na disciplina de Estratégias de Intervenção em Terapia Comportamental da I Turma do Curso de Fundamentos em Terapia Comportamental promovido pelo InPA - Instituto de Psicologia Aplicada.

Autora: Mariana Pereira 


Assim como o contracondicionamento (emparelhamento de estímulos que eliciam respostas contrárias àquelas produzidas pelo estímulo condicionado), a dessensibilização sistemática é uma técnica muito eficaz para suavizar o processo de extinção de um reflexo condicionado e amenizar o sofrimento do indivíduo (MOREIRA e MEDEIROS, 2007). Moreira e Medeiros (2007) explicam que, com base na generalização respondente, tal técnica consiste em dividir o procedimento de extinção em pequenos passos, ou seja, consiste em expor o indivíduo gradativamente a estímulos que eliciam respostas de menor magnitude até o estímulo condicionado original. 

De acordo com Knapp e Caminha (2003) e Negrão (2011), a dessensibilização sistemática foi desenvolvida originariamente por Wolpe em 1958 e diz respeito a um conjunto de técnicas de exposição/apromimação à experiência traumática, envolvendo três etapas básicas: treinamento do cliente ao relaxamento físico, estabelecimento de uma hierarquia de ansiedade em relação ao estímulo fóbico e contracondicionamento do relaxamento como uma resposta ao estímulo temido, iniciando-se com o elemento mais baixo na hierarquia de ansiedade até chegar ao ponto mais alto dessa hierarquia previamente estabelecida na segunda etapa. 

Moreira e Medeiros (p. 41, 2007) discorrem acerca do assunto explicando que para utilizá-la na prática clínica é necessário primeiramente “construir uma escala crescente da intensidade do estímulo (hierarquia de ansiedade)”, ou seja, descobrir quais são os estímulos relacionados ao objeto fóbico que causam no indivíduo maior ou menor medo. Em seguida, treina-se o cliente em uma resposta que é antagonista à ansiedade (relaxamento muscular progressivo) e solicita-se ao mesmo que imagine uma série de situações que provoquem ansiedade enquanto está profundamente relaxado (REMOR, 2000). 

Imaginemos alguém que sente medo muito intenso de cães e consegue um emprego bem remunerado em um canil: 

“Em função da generalização respondente, a pessoa em questão não tem medo apenas do cão que a atacou (supondo que a origem do medo de cães esteja em um ataque) ou de cães da mesma raça. Ela provavelmente tem medo de cães de outras raças, de diferentes tamanhos e formas.” (MOREIRA e MEDEIROS, p. 41, 2007). 

Sendo assim, para que essa pessoa possa entrar no canil em que irá trabalhar sem sentir medo, o processo de dessensibilização se inicia levando-a a pensar em cães, ver fotos de cães, tocar em cães de pelúcia, observar de longe cães diferentes daquele que a atacou, observar de perto esses cães, tocá-los e assim por diante, até que se chegue ao ponto mais alto da hierarquia de ansiedade (MOREIRA e MEDEIROS, 2007). Cabe destacar aqui que a exposição ao vivo é precedida pela exposição imaginária, construída dentro do consultório e trabalhada numa hierarquia de situações temidas, desde as consideradas mais fáceis de enfrentamento até as mais difíceis (KNAPP e CAMINHA, 2003). 


Referências Bibliográficas 

KNAPP, P; CAMINHA, R. M. Terapia cognitiva do transtorno de estresse pós-traumático. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2003, vol.25, suppl.1, pp. 31-36. ISSN 1516-4446. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462003000500008. Acesso em: (02/11/2011). 

MOREIRA, B. M; MEDEIROS, C. A. O Reflexo Aprendido: Condicionamento Pavloviano. In: MOREIRA, B.M; MEDEIROS, C.A. Princípios Básicos de Análise do Comportamento. 1 ed. Porto Alegre: Artmed, 2007. p. 29-46. 

NEGRÃO, M. M. Fobias Específicas. In: Orgone Psicologia Clínica [online]. 2011. Disponível em: http://www.orgone.com.br/a_fobias.html. Acesso em: (14/11/2011). 

REMOR, E. A. Tratamento psicológico do medo de viajar de avião, a partir do modelo cognitivo: caso clínico. Psicologia: Reflexão e Crítica [online]. 2000, vol.13, n.1, pp. 205-216. ISSN 0102-7972. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0102-79722000000100021. Acesso em: (14/11/2011).

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