Pronunciamento da Associação Brasileira de Psiquiatria sobre a tragédia no RJ

3
Como já deve ser de conhecimento da maioria, neste 7 de abril aconteceu uma tragédia no Rio de Janeiro. Passando-se por palestrante, um homem de 23 anos entrou em uma escola da rede municipal, no bairro do Realengo, e abriu fogo contra os alunos. Matou 11 crianças e suicidou-se em seguida (leia aqui).
Frente ao triste acontecimento, a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) emitiu uma nota oficial prestando solidariedade e oferecendo auxílio médico às vítimas, além de se colocar à disposição das autoridades para prestar ajuda no que for necessário.
Veja a matéria completa no site da Policlínica de Neurociência e Psiquiatria.

COMENTE VIA FACEBOOK

3 COMENTÁRIOS

  1. Wellington Menezes de Oliveira é mais um produto/vítima do controle coercitivo da nossa sociedade. Enquanto as denuncias feitas por teóricos como Skinner e Sidman forem negligenciadas, vez por outra catástrofes como esta irão emergir.
    Se Wellington é neurótico, psicótico ou perverso, não interessa. A comunidade e as instituições controladoras têm que se preocupar em arranjar contingências que possibilitem o surgimento de comportamentos incompatíveis com o que aconteceu na escola. O ocorrido no bairro do Realengo foi um dos produtos da deficiência das instituições em conferir aos cidadãos qualidade de vida biopsicosocial (uso esse rótulo como um atalho para me referir a todos os tipos de influência que determinam o comportamento humano). É sempre bom para o Governador Sério Cabral (PMDB) ganhar o apoio da comunidade, ignorante quanto aos determinantes do comportamento (assim como o próprio governador), culpabilizando o indivíduo e tirando o seu da reta, chamando Wellington de “animal” e “monstro”, quando o que deveria ser questionado é a competência do governo em promover contingências efetivas em produzir repertórios compatíveis com a sobrevivência da nossa cultura (supondo que uma cultura que reforça a prática de assassinato entre os seus membros tem suas chances de sobrevivência reduzidas).

    Uma pergunta: O que um psicólogo produz ao analisar a carta de Wellington e afirmar em rede nacional que o mesmo tinha traços psicóticos?

    1º Produz justamente essa ideia de que Wellington era compelido por uma estrutura a fazer tais atrocidades;
    2º Como produto da primeira consequência, o indivíduo é culpabilizado;
    3º Como produto da segunda consequência, as instituições são inocentes por se tratar de uma determinação psíquica;
    4º A 3ª consequência é reforçada pela moda idiossincrática da psicologia, o evento passa ser visto como caso isolado. Não que eu seja contra a visão idiossincrática, mas essa ideia torna-se perigosa quando se une a ideia individualista de liberdade.

    Pergunta: Qual a vantagem em se estudar esses casos isolados?

    Obviamente, a vantagem é de evitar que um caso semelhante venha a ocorrer novamente.
    Quanto ao caso Wellington e tantos outros casos, chegamos tarde e provavelmente chegaremos tarde muitas outras vezes enquanto as consequências acima não afetarem o comportamento da nossa comunidade no sentido de produzir contra-controle.

    Meus pêsames pelas vítimas: todas as crianças mortas, Wellington e seus respectivos familiares.

  2. Moro no Rio. Obrigada por divulgar, Aline. O site de vocês tem exercido um importante papel social também, divulgando estas coisas e o protesto do pessoal da ufpi. Você merece parabéns também pelo texto sobre o AA, pois ele tá mt bom

  3. Comentário de um amigo:

    Assino embaixo! Estava eu tentando dar aula sobre o controle coercitivo nas instituições sociais pra turma de direito e
    é claro que tocaram nesse caso. Para variar o entendimento internalista do comportamento leva a conclusões insensatas
    e, no mínimo, de cunho nazista. Palavras de ordem como “temos que eliminar essa escória” foi o tipo de coisas que ouvi.
    É muito conveniente pra elite convencer que nosso sistema social obedece a meritocracia, e que as dificuldades encontradas
    pelas classes mais baixas são devido as inaptidões das pessoas. Tanto Wellington quanto as crianças foram vítimas de uma
    sociedade exclusivamente punitiva, segregacionista e hipócrita. Como bem disse Fábio, os rótulos são as explicações finais
    para nos livrarmos da responsabilidade de como conduzimos e construimos nossa sociedade. Os noticiários ficam exporando
    especialistas no intuito de buscar formas de identificar “esse tipo de gente” como Wellington, mas em nenhum momento
    pensamos em como podemos construir uma sociedade que evite que outros Wellingtons venham a existir.
    Somos tão “racionais” que para resolver o problema da violência em nossa sociedade construímos uma instituição (sistema penal)
    que consegue reunir todos os elementos necessários para tornar um indíviduo agressivo: Estímulação aversiva sem possibilidade de fuga,
    perda de reforçadores, e a agressividade funcionando em contingências de reforçamento positivo e negativo. É completamente insano
    combater a violência colocando sujeitos em um ambiente que reune tudo para que ele desenvolva comportamento violento.
    Passar 5 anos na faculdade para dizer que o rapaz tem traços psicóticos realmente é acalentador, e mostra todo o potencial do que
    o psicólogo pode fazer…rsrsrsr só rindo para não chorar.

DEIXE UM COMENTÁRIO