[Entrevista Exclusiva – Zilda Del Prette] – Habilidades Sociais: Pesquisa, Campo e Aplicação.

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Muitos dos problemas que chegam à Clínica de Psicologia estão relacionados, em maior ou menor grau, com a qualidade das relações interpessoais de nossos clientes. E a qualidade destas relações está diretamente ligada às Habilidades do indivíduo em situações em que lhe é exigido algum desempenho social satisfatório. Daí a importância do tema, para nós Psicólogos. 
A Psicóloga Zilda A. P. Del Prette, uma das maiores referências nacionais e internacionais no assunto, prontamente atendeu ao convite do Comporte-se para participar de uma entrevista a respeito. Com o objetivo de apresentar o tema para aqueles que tiveram pouco ou nenhum contato com ele, Zilda fala sobre as perspectivas de desenvolvimento das pesquisas na área, importância do conhecimento produzido sobre Habilidades Sociais para o Psicólogo, temas emergentes, dificuldades enfrentadas no THS (Treinamento de Habilidades Sociais), áreas de destaque na aplicação, entre outras coisas.
Zilda A. P. Del Prette: uma das principais referências nacionais e internacionais
na pesquisa sobre Habilidades Sociais.
Olá Zilda. 

Primeiramente gostaria de te agradecer por se disponibilizar a participar desta entrevista aqui no Comporte-se. É uma honra termos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o que pensa a respeito das questões abordadas 
Eu é que agradeço Esequias, pela oportunidade de falar de habilidades sociais neste blog.
1 – Para começar, gostaria que falasse um pouco sobre o que te levou a fazer Psicologia e como nasceu seu interesse pelas Habilidades Sociais. 
Bem, acho que como a maioria dos estudantes da minha época, eu tinha somente uma idéia vaga do que iria estudar. Na minha adolescência, o que eu sabia de Psicologia era somente uma ou outra leitura em revistas populares sobre Psicologia e especialmente sobre… Freud! Isso mesmo… e mesmo sendo pouca informação ela foi uma contingência poderosa a direcionar minha curiosidade e interesse para os “mistérios da mente” e, quem sabe, por esse caminho, ajudar as pessoas em seus problemas. 
O mais irônico foi ter entrado para um Curso de Psicologia (da UEL) que tinha um projeto de graduação centrado na Análise do Comportamento e na Terapia Comportamental! Somente uma ou outra disciplina era ministrada por professores de outras abordagens e nenhuma, que eu me lembre, por psicanalistas! Felizmente, tive excelentes professores e uma sólida formação em Análise do Comportamento. 
O interesse específico por habilidades sociais chegou já no final da minha graduação, a partir de uma experiência muito rica de participação em um grupo de treinamento assertivo, no último ano de curso. Foi aí que descobri o quanto a Psicologia tinha a oferecer nessa área, o quanto a assertividade fazia diferença na qualidade de vida! Esse foi o começo, mas eu pude perceber, na época que um caminho se abria. Só nem sonhava o quanto iria caminhar por ele… 
Quando fui fazer o mestrado (em Psicologia Comunitária, na UFPb) eu já estava, junto com o Almir, conduzindo grupos de “Treinamento Comportamental” (esse era o termo que usávamos na época, mais abrangente que assertividade pois incluía um conjunto de classes de habilidades sociais). Realizávamos programas de intervenção em grupo, tanto na universidade, com estudantes de Psicologia, como na comunidade, junto a jovens e adultos, em geral de baixa renda. E já fazíamos alguns estudos de levantamento e caracterização do repertório de habilidades assertivas de universitários, especialmente alunos de Psicologia. 
No Doutorado, nem Almir nem eu focalizamos habilidades sociais (não havia orientador para isso!) e então, somente depois retomamos para valer nesse assunto, publicando, então, o primeiro artigo sobre o tema em revista brasileira no ano de 1996. O primeiro artigo relatando intervenção saiu em 1999 e o primeiro livro foi editado em 1999. Daí em diante sim, o tema foi se consolidando no país atraindo atenção de pesquisadores. Para isso, entendo que foi importante o esforço inicial de formar pesquisadores, começando com a Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado e atualmente também de Pós-Doutorado. 
2 – Os livros que a senhora e o Almir Del Prette publicaram sobre o assunto, estão hoje entre as principais referências da área. Existem planos para publicação de novas obras? Sobre o que pretendem tratar? 
Estamos com um livro no prelo (Habilidades Sociais: Intervenções efetivas em grupo) no qual discutimos a questão das práticas psicológicas baseadas em evidências (PPBE) no campo das habilidades sociais. A preocupação com as PPBEs surgiu no âmbito da Saúde e da Psicoterapia (psicoterapias baseadas em evidência) e teve um impacto importante no sentido de valorizar ainda mais a pesquisa sobre psicoterapia e intervenções psicológicas em geral, além de produzir conceitos cada vez mais elaborados sobre as evidências necessárias e importantes. Por exemplo, além do foco em resultados, imediatos e de longo prazo (eficácia, eficiência, efetividade, utilidade clínica, generalização), um desenvolvimento adicional foi o direcionamento também para a identificação de fatores de processo associados à efetividade das intervenções. Um parêntese aqui: sobre PPBE, recomendo o estudo da tese de Simone Neno, de 2005, que conta a história do movimento em torno das PPBEs no âmbito da Psicologia até essa data, discutindo a situação da Terapia Analítico-Comportamental nesse movimento. 
Mas retornando ao novo livro, o que nos motivou a escrever sobre PPBE e programas de Treinamento de Habilidades Sociais (THS) foi a constatação de que os relatórios produzidos pela Associação Americana de Psicologia a partir dos anos 90, que listavam as práticas efetivas ou potencialmente efetivas, faziam referências apenas indiretas a habilidades sociais, geralmente incluindo os programas de treinamento de pais entre as PPBE e habilidades sociais do terapeuta como fatores de processo em terapias bem sucedidas. As evidências de efetividade de programas de THS, disponíveis na literatura, justificariam incluí-los nessas listagens ou, pelo menos, argumentar em favor disso. Entretanto, é importante reconhecer que, no Brasil, a produção de evidências de efetividade sobre programas de THS ainda é pequena, principalmente do tipo mais robusto, por meio de delineamentos experimentais ou quase experimentais, ou seja, com grupo controle, no caso de estudos de grupo. Esse é um dos eixos de pesquisa de nosso grupo: o teste de programas de THS com diferentes clientelas, em diferentes contextos e para diferentes problemas. 
Nas publicações sobre programas de THS em geral há uma descrição muito sumária das características de processo, procedimentos, técnicas e demais cuidados na condução da intervenção. Entendendo que essas informações são importantes na formação novos profissionais para conduzirem programas de THS, o objetivo principal foi apresentar, de forma detalhada, as características de processo e de procedimento de programas de THS em grupo, já testados experimentalmente em termos de evidências de efetividade. A primeira parte tem três capítulos, um sobre conceitos e tipos de programas de THS, o segundo sobre PPBE e programas de THS e o terceiro sobre os desafios da disseminação de programas de THS. A segunda parte consta de seis capítulos, cada um deles enfocando um programa com crianças, adolescentes, universitários, adultos, idosos, pais. Além dos pesquisadores de nosso grupo UFSCar, o livro conta com a colaboração do grupo de Eliane Falcone (UERJ), Sheila Murta (UnB) e Fabián Olaz (Universidade Nacional de Córdoba). 
3 – Poderia falar um pouco sobre a importância do conhecimento produzido na pesquisa em Habilidades Sociais para a atuação do Psicólogo? 
Na década de 90, escrevemos, em um ensaio, que a atuação do psicólogo tem como objetivo e como meio as relações interpessoais: de um lado, ela visa, necessariamente, ainda que não exclusivamente, a melhoria das relações interpessoais; de outro, ela ocorre por meio de relações interpessoais e depende da qualidade do relacionamento com o cliente (tanto para a adesão, como para o sucesso do atendimento). Isso significa que o conhecimento sobre os fatores da qualidade das relações interpessoais, destacando-se aqui as habilidades sociais das pessoas em interação, pode ser indispensável para a atuação efetiva do psicólogo. 
Só para exemplificar, em sua atuação educacional, o psicólogo se insere em uma rede institucional de relações (com administração, professores, crianças, pais, funcionários) e o resultado de sua prática depende, em grande parte, do quanto consegue reconhecer e lidar com essa rede. Por outro lado, ele pode estar sendo chamado exatamente para melhorar a qualidade desses relacionamentos e, com certeza terá que incluir também uma atuação indireta sobre os alunos, via promoção de habilidades sociais educativas dos professores. Algo similar pode ocorrer em contexto organizacional de trabalho. Na clínica, é altamente reconhecida a importância das habilidades sociais do terapeuta, enquanto fator de sucesso do atendimento. Por outro lado, considerando os objetivos da terapia, é comum a inserção, de algum módulo de promoção de habilidades sociais, seja como coadjuvante do processo terapêutico (na maioria dos transtornos), seja como componente principal desse processo (p.e., nos casos de depressão, fobia social, problemas conjugais etc.). 
Obs.: Sobre o texto referido – maiores informações em http://www.rihs.ufscar.br
4 – Tendo em mente o que já foi produzido sobre Habilidades Sociais no Brasil e fora dele, quais focos teóricos e práticos demandam de uma maior atenção por parte de nossos pesquisadores, atualmente? E onde a pesquisa brasileira tem se destacado? 
Bem, me permita separar sua questão em duas: uma sobre a produção de outros países e outra sobre a produção em nosso país. Em ambos os casos, a questão remete a estudos de cientometria (ainda quase inexistentes, tanto no Brasil como no exterior) e a estudos de revisão geral. No nosso caso, talvez essa lacuna possa ser preenchida: temos uma doutoranda fazendo essa cientometria em habilidades sociais, mas pelo momento não dispomos de resultados. 
Com referência à produção de outros países, desconheço publicação que analise, de forma geral, tudo o que foi produzido sobre habilidades sociais. Em geral são estudos de revisão focados em temas específicos, por exemplo, habilidades sociais e dificuldades de aprendizagem ou em temas que marginalmente situam as habilidades sociais, por exemplo, relações pais-filhos. A minha avaliação, não sistemática, com base em levantamentos bibliográficos dos estudos em curso, é que a maior fatia das publicações do exterior refere-se a pesquisa empírica, aplicada e, em relação a distúrbios específicos, está historicamente associada a esquizofrenia e ao autismo. Parece-me que, ao lado de uma ênfase sobre o conjunto geral das classes de habilidades sociais, alguns estudos tem focalizado classes específicas como, por exemplo, assertividade, empatia e abordagem afetivo-sexual (“dating”). 
No Brasil, os estudos de revisão disponíveis mostram que vivemos uma fase inicial de estudos de levantamento e caracterização de habilidades sociais em populações específicas, juntamente com a produção de instrumentos, recursos e procedimentos de avaliação. Nessa fase, eram raros os estudos de intervenção e, quando ocorriam, eram delineamentos de pré e pós-teste apenas, sem controle experimental de validade interna. Ainda é baixa a quantidade de publicações sobre estudos experimentais que testam programas de intervenção, mas eles vêm ocorrendo, principalmente na forma de dissertações e teses, cujas publicações em artigos deverão estar disponíveis em futuro próximo. 
Portanto, baseada nessa análise assistemática de estudos do exterior e de revisões em nosso país, eu diria que a pesquisa sobre relação entre habilidades sociais e demais transtornos ainda é escassa, podendo-se aí localizar vários nichos de investigação pouco explorados. É o caso, por exemplo, da relação e da intervenção em habilidades sociais para alguns transtornos de personalidade, distúrbios alimentares, problemas psicossomáticos e drogadição. Também me parece necessário maior investimento em psicopatias, comportamento criminal, agressividade e bullying, que constituem o contraponto da dimensão ético-moral da competência social. Ao lado de muitos estudos com universitários, poderia citar populações que não tem sido foco de suficiente atenção dos pesquisadores em habilidades sociais, como os idosos, os pré-escolares e a mulher enquanto categoria de gênero. Independentemente do tipo de transtorno e da população específica, entendo que o conhecimento sobre habilidades específicas requer maior investimento, por exemplo, as habilidades sociais educativas, de negociação, de trabalho, de solidariedade. 
Penso que a pesquisa brasileira tem avançado na geração de conhecimento conceitual sobre o campo das habilidades específicas, mas a divulgação desse conhecimento é restrita a publicações no país. E faço aqui “mea culpa” pois, por longo tempo priorizamos a divulgação no Brasil e só recentemente começamos a expandir para outros países. Atualmente temos um grupo parceiro de pesquisa na Argentina e um que começa a se desenvolver em Portugal, além de relações consolidadas ou em fase de consolidação nos EUA, no México e na Espanha. 
Além disso, penso que a elaboração conceitual é básica para o avanço do campo e se alimenta também da pesquisa empírica. Por exemplo, no Brasil está bem consolidada a compreensão de que assertividade e competência social não são termos equivalentes, que a assertividade é uma classe específica de habilidades sociais e que, em conjunto, as habilidades sociais constituem condições necessárias, mas não suficientes, para a competência social. Esses pontos estão bem argumentados em nossos livros. 
Em síntese, poderia dizer que avançamos em pesquisa aplicada, mas ainda há muito a ser feito e que é fundamental a ampliação de evidências de efetividade de programas de THS adaptados à nossa realidade. Além disso, no novo livro, há um capítulo da colega Sheila Murta (UnB), que revisa, com muita propriedade, os desafios da disseminação dos programas de THS devidamente testados em sua efetividade e que implicam novas pesquisas. No capítulo sobre PPBE, discutimos a importância de avançar no desenvolvimento de manuais e protocolos de intervenção, porém sem desconsiderar a necessária flexibilidade em seu uso. Nesse sentido, questionamos o próprio conceito de programa enquanto estrutura pré-fixada, rígida, em termos de quantidade e plano das sessões. Essa é uma questão que vai ao encontro das primeiras propostas de PPBE e de encontro a formulações mais recentes, uma contradição que poderia ser alvo de interessantes discussões teóricas e práticas. 
5 – Uma das críticas correntes ao THS é a dificuldade de generalização para outros contextos da vida do sujeito e a manutenção de seus resultados a médio e longo prazo. O que as pesquisas têm demonstrado a este respeito? 
Essa é uma crítica pertinente tanto ao campo das habilidades sociais como a maior parte da prática psicológica em geral. Não falo da falta de generalização, mas da falta de estudos de acompanhamento que produzam evidências sobre isso. De todo modo, é uma crítica que vem sendo reiterada na literatura sobre THS e que teve o efeito positivo de instigar estudos de acompanhamento em curto e longo prazo. 
Em nosso grupo de pesquisa, atualmente, não dispensamos as avaliações de seguimento (follow-up), mas precisamos avançar mais. Como as habilidades sociais são aprendidas e mantidas dependendo das contingências ambientais, a intervenção, no caso da clientela infantil, será mais efetiva se envolver pais e professores, e, no caso de qualquer clientela, se incluir estratégias de autocontrole e de “aprender a aprender”. Para isso, temos incluído como básico, em qualquer programa, o planejamento da generalização via tarefas de casa, porém, mais do que isso, entendemos que um bom programa não pode apenas ensinar a superar déficits e aperfeiçoar habilidades específicas. É indispensável promover a variabilidade comportamental, de modo a garantir que o cliente aprenda a lidar com as contingências sociais variáveis de seu ambiente e continue a aprender com elas após o processo de intervenção. Também questionamos o uso excessivo de regras e instruções para a promoção de habilidades sociais. Ainda que façam parte dos procedimentos usuais, mais importante é garantir e monitorar desempenhos e, principalmente, ensinar discriminação, automonitoria e promover variabilidade comportamental. Discorremos mais sobre isso recentemente em um artigo (Revista Perspectivas em Análise do Comportamento, 2010) e um capítulo (da coletânea Comportamento e Cognição, também de 2010). 
6 – O Treinamento de Habilidades Sociais é apontado como uma estratégia efetiva na resolução de diversos problemas associados a relações interpessoais, nos diferentes campos de atuação do Psicólogo. Em que situações ele mais se destaca por seus resultados? 
Ainda considerando as ressalvas que apresentei na resposta à questão 4, acho que se pode depreender, dos estudos produzidos no exterior, mais evidências nos campos da Psicologia Clínica e Educacional. Conforme fizemos referência em nosso livro Psicologia das habilidades sociais: Terapia, educação e trabalho, a literatura tem destacado a necessidade e efetividade dos programas de THS nos casos de transtornos afetivos e de ansiedade social, timidez e isolamento social, esquizofrenia, problemas conjugais e familiares, alguns transtornos de personalidade, delinqüência, psicopatia e depressão. 
No Brasil, penso que precisamos acumular mais evidências sobre a efetividade de programas de THS nos diferentes campos de atuação do psicólogo, de modo a viabilizar, no futuro, estudos de metanálise. No nosso grupo de pesquisa, temos encontrado resultados bastante promissores de programas de THS junto a uma ampla amostragem de problemas e de populações, desde os problemas de comportamento em geral, dificuldades de aprendizagem, TDAH, deficiências sensoriais e motoras, autismo etc. No caso de crianças, temos testado o modelo triádico, promovendo habilidades sociais educativas de pais ou professores e identificando seu impacto positivo e significativo sobre os comportamentos dos filhos ou alunos. Também temos demonstrado a efetividade de programas de THS com adolescentes e universitários (não somente de Psicologia), com adultos inseridos em contexto de trabalho, com idosos… Eu diria que, com boa avaliação inicial, com um bom planejamento baseado nessa avaliação (e não em programas prontos e pré-fixados) e com um terapeuta bem preparado (que esteja atento às condições de processo), um programa de THS tem boa perspectiva de alcançar seus objetivos. 
7 – Em que casos o Treinamento de Habilidades Sociais tem se mostrado como uma alternativa promissora, mas demanda de novos estudos e desenvolvimento para ser apontado como um método eficaz de intervenção? 
Acho que, mais do que identificar casos (imagino que esteja se referindo a problemas, clientelas…), é fundamental aperfeiçoar e adotar métodos cada vez mais robustos de avaliação das intervenções. Essa tem sido uma preocupação de nosso grupo de pesquisa: elaborar, testar, buscar novos delineamentos de pesquisa-intervenção. No caso da intervenção em grupo, temos investido em estudos experimentais de grupo (com grupos controle, placebo, de espera, sondagens múltiplas etc.,) e em estudos experimentais de caso único (com sondagens múltiplas, linha de base múltipla etc.). Além disso, precisamos avançar em termos de análise de dados. Temos adotado o Método JT de análise de mudança confiável e de significância clínica nos casos em que não conseguimos compor grupos controle e nos casos de intervenção individual. Esse método é particularmente importante para o terapeuta, pois facilita uma avaliação imediata dos efeitos de sua prática. Estamos desenvolvendo um site que vai permitir o acesso livre ao uso do Método JT, com produção imediata desses indicadores pelos usuários. 
8 – Para finalizar, gostaria de pedir que deixasse algumas dicas para aqueles que tem interesse em iniciar os estudos sobre o tema. 
Penso que a dica mais importante é: não se deixe enganar pela aparente facilidade do campo. Todos nós temos uma noção quase intuitiva do que significa o termo habilidades sociais. No entanto, é preciso estudar muito para compreender bem esse campo. Há bastante material já disponível no Brasil, em artigos e livros (o que não ocorria há cerca de 10 anos) mas é preciso também aperfeiçoar a própria formação em pesquisa e reflexão conceitual, não somente para acompanhar os avanços da área, mas para contribuir nesse processo. Nesse sentido, quero dizer que tenho muita esperança na nova geração de pesquisadores em habilidades sociais. Acho que vem por aí um grupo que pode fazer a diferença e garantir a continuidade do desenvolvimento desse campo. 
Para finalizar, gostaria de destacar que, no Brasil, o campo das Habilidades Sociais começou a se tornar mais visível a partir do ano 2000, ou seja, temos apenas cerca de 10 anos de movimento dessa área e uma participação destacada nos últimos anos em alguns congressos e eventos científicos. Espero que isso se traduza cada vez mais em produção sólida de conhecimento e em transformação de práticas culturais no sentido de efetividade e, principalmente, de compromisso com a dimensão ética da competência social. 
Aliás, essas preocupações estão presentes no III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE HABILIDADES SOCIAIS, cuja temática geral é “Habilidades sociais, pesquisa, cultura e prática”. Trata-se de um evento que ocorrerá em Taubaté, de 10 a 13 de agosto deste ano (maiores informações em www.sihs.com.br) e que está contando com a organização de nossa colega Profa. Dra. Maria Julia Xavier Ribeiro. Além do grupo da UFSCar, o evento terá a presença de pesquisadores expressivos do campo das habilidades sociais, como: Eliane Falcone, Alessandra Bolsoni-Silva, Sheila Murta, Marina Bandeira, Eliane Gerk e Sonia Loureiro (todos participantes, desde o início, de nosso Grupo de Trabalho na Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia) e outros que têm se envolvido mais recentemente de forma produtiva com esse campo, como Kester Carrara, Adriana Benevides e Margareth Oliveira, além dos recém-doutores, doutorandos e mestrandos em Habilidades Sociais. Os convidados internacionais incluem o Prof. Dr. Frank Gresham (EUA), Fabián Olaz (Argentina) e Francisco Gil Rodrigues (Espanha). Entendo que será uma oportunidade privilegiada para os que querem iniciar seus estudos nessa área.

Profa. Dra. Zilda A. P. Del Prette 
Departamento de Psicologia – UFSCar – PPGPsi e PPGEEs 
Grupo de Pesquisa – Relações Interpessoais e Habilidades Sociais 
Fone 16-33518447 – Fax 33518361 – http://www.rihs.ufscar.br

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4 COMENTÁRIOS

  1. Estou surpresa em saber que existem poucos estudos de efetividade do THS.

    Eu e um grupo da faculdade fizemos um estudo exatamente deste tipo, com o THS pra crianças, em delineamento quase-experimental com grupo controle não-equivalente. De fato encontramos pouca coisa publicada e a maioria é dos próprios Del Prette. No entanto achei, pela relevância do tema, que ele estaria sendo mais estudado, com artigos no prelo ou coisa assim.

    Temos interesse em publicar, falta dar uma revisada, mas quem sabe em breve? ;)

  2. Sou orientanda da Zilda de doutorado e estudo a área de habilidades sociais desde 2005.
    Li a entrevista que a Zilda deu para o site do Comporte-se. Embora de acordo com Esequias (o entrevistador), a entrevista seja direcionada para pessoas com pouco ou nenhum conhecimento na área, acho que muita coisa pode contribuir também para aqueles que já atuam neste campo teórico-prático há algum tempo. Do meu ponto de vista, a entrevista é um panorama bem delineado sobre Habilidades Sociais, permitindo que pessoas iniciantes na área vislumbrem sua origem e status atual, bem como seu valor prático e empírico. Para os pesquisadores na área, é uma boa síntese da história e produção desse campo de investigação, o que nos incentiva a refletir que desafios e novos caminhos temos ainda a percorrer.

  3. Como psicoterapeuta, vejo o quanto a assertividade, p. ex. e em especial, é uma classe de respostas fundamental para lidar com uma diversidade de problemas clínicos. Acredito que todos temos muito a nos beneficiar na medida em que nos tornamos socialmente habilidosos, bem como que boa parte da melhora dos nossos clientes depende da forma como nos relacionamos com eles. Isso pode parecer simples e até soar como um jargão mas, e como salientou a Zilda, entender, APRENDER e aplicar esses conceitos e práticas com efetividade pode não ser tarefa fácil.

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