sexta-feira, 28 de novembro de 2014

A análise do comportamento da vida cotidiana

Se observarmos superficialmente as pessoas ao nosso redor, e até nós mesmos, é possível nos depararmos com um fato sutil e quase imperceptível: estamos todos tentando mudar nossos comportamentos o tempo inteiro. Seja para dormir ou acordar num horário planejado, seja para chamar aquela garota para sair ou mesmo ao pensarmos o que poderia ser feito para que tenhamos aquele aumento no salário.

"O comportamento é mutável, fluído e evanescente" (Skinner)
Tudo isso são comportamentos. Comportamento, de um modo rápido, é toda ação que realizamos (Skinner, 1953). Mas não é apenas isso: comportamento é um processo, uma relação entre o mundo ao nosso redor e nós mesmos. Portanto, comportamento não é algo tocável como uma coisa, nem pode ser imobilizado para observação, mas é mutável, fluido e evanescente (Skinner, 1953), ainda assim totalmente passível de ser manipulado.

Imagine uma cena que pode ser comum para várias pessoas: acordar cedo para o trabalho (ou faculdade) para assistir uma aula totalmente desinteressante. O alarme que toca, insistentemente, soneca após soneca, a água gelada batendo, durante o banho, em seu corpo, que insiste em não despertar. Muitos já devem ter passado por isso. E não seria difícil encontrar alguém que, analisando tal situação, conclui com ar de sabedoria: “essa pessoa precisa de mais motivação”.

Motivação, em termos leigos, poderia ser definida como uma “energia interior”, como uma força que “motiva a ação”, partindo de dentro da pessoa para fora.

Analisando a cena pela perspectiva comportamental e comportamento enquanto processo observa-se a força que o ambiente possui para a definição do comportamento: é a relação entre o ambiente desestimulante (aula chata+acordar cedo+vários etcs) que o indivíduo do exemplo não possui motivação.

Terapeutas de linhas mentalistas ainda insistem em buscar meios de achar “forças interiores” em seus clientes, minimizando a importância que uma modificação do ambiente tem para que ações desejadas sejam alcançadas. Mal percebem eles que estão apenas treinando comportamentos e melhorando as possibilidades de interação com o ambiente, ao imaginarem-se fazendo uma pretensa “investigação do inconsciente”.

A primeira coisa para modificar um determinado comportamento é descobrir, em seu ambiente, o que motiva e estimula suas ações (Martin, 2009). É importante buscar compreender o que, no ambiente, controla os seus comportamentos, o que determina as suas ações – controlar o ambiente a seu favor é essencial para manipular seus próprios comportamentos (Skinner, 2003).

Essa interação entre indivíduo e ambiente tem raízes em toda sua história de vida e, assim como um músico possui o seu repertório musical, cada pessoa possui um repertório de comportamentos que surgem em determinadas circunstâncias (Skinner, 1974).

Aprender a modificar os próprios comportamentos e manipular o próprio ambiente a fim de determinar os melhores resultados para suas ações (Rachlin, 2000), ao invés de viver queixando-se (comportamento este que também é desenvolvido e reforçado na história de vida e no ambiente atual) que não se teve as condições necessárias para ser alguém melhor, é um grande passo para a autonomia do indivíduo.

Estes são princípios básicos do comportamento e que todas as pessoas deveriam aprender para ter uma vida mais próxima de seus ideais. Até a próxima!

(A pintura da postagem é Rain's Rustle de Leonid Afremov)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


MARTIN, P; PEAR, J. Modificação do comportamento: o que é e como fazer. Editora Roca. São Paulo: 2009.

SKINNER, B. F. (1953). Science and Human Behavior. New York: McMillan.

SKINNER, B. F. (1974). About Behaviorism. New York: Appleton-Century-Crofts.
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